Amélia tem sido uma espécie de alvo das feministas, uma espécie de chacota, o símbolo do ridículo, da submissão da mulher ao homem. Ridículo porque tida como prazerosa e grata. Isto, no discurso feminista. Entretanto, uma leitura mais cuidadosa da composição de Ataulfo Alves e Mário Lago pode levar a uma compreensão bem diferente da usual. Vejamos:
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d’homens e terras césar imperador
ant’ontem recebeu plenos poderes.
e ontem, vitalício ditador,
se fez o dono de todos os seres.
nos idos das calendas de abril,
aliviada do negotium já,
a aristocracia se despediu
e agora tem o otium pra gozar…
alia-se então a deusa do destino,
com um sorriso irônico, fatal,
à deusa da vingança, desatino.
e hoje, pouco tempo decorrido,
concedem a brutus ardil e punhal
e, traiçoeiro, o golpe é desferido!
Olho uma categoria à qual pertenço: a dos médicos.
As reflexões que faço a partir desta mirada extrapolam para outras profissões.
Permeiam a ocupação, o que-fazer humano.
E todos os papéis sociais que desempenhamos.
Vejo técnicos, artesãos e artistas.
Vejo sacerdotes, espertos, doutores e peões.
E os híbridos, sem dúvida.
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