[de uma lenda tibetana]

arfava e arfava,
perseguido por um tigre.
acossado à beira do precipício,
recuou e recuou e recuou,
até que uma escorregadela,
providencial escorregadela,
fê-lo rolar pela escarpa.
no trajeto, um arbusto qualquer, ao acaso,
foi babatado por sua mão aflita.
ali ficou pendurado,
planejando saltar para o abismo,
mas eis que surgem mais três,
mais três tigres lá embaixo,
um em cima, três embaixo.
olhou em volta,
pendurado por um triz,
quando viu um morango maduro
bem ao alcance de sua mão.
então, pensou, de si para si mesmo:
-  “que maravilha! um morango bem maduro e dando a maior sopa!…”
prontamente, colheu o fruto e prazerosamente o saboreou…