É u’a manhã de verão, numa região serrana.

Um rapaz está guiando velozmente uma bicicleta. Ele usa um aparelho com fones de ouvido e escuta rocks a todo volume.

Corre numa estrada desconhecida ladeira abaixo, numa pista asfaltada, em direção ao sul e está sem dúvida curtindo a emoção da velocidade, feliz da vida, o vento agradável batendo no rosto, cantarolando as músicas que está ouvindo.

À esquerda da estrada, encima de uma rocha, está um velho que ali parou para descansar.

O velho conhece bem a estrada e está olhando a linda paisagem. De lá do alto, observa o garoto na bicicleta e se lembra de sua juventude, de como também curtia tanto aquela emoção. Entretanto, sabe que aquela pista tem uma curva fechada, ladeada por um precipício que está logo ali na frente, mas que o garoto parece não conhecer, porque mantém a mesma velocidade ou até acelera mais.

O velho começa desesperadamente a gritar e a acenar, tentando avisar ao garoto do perigo que está ali na frente, mas o garoto tem os olhos semi-cerrados por causa do vento, os ouvidos ocupados pelo som do walkman e a atenção dirigida exclusivamente à emoção que está desfrutando.

A bicicleta, a toda velocidade, aproxima-se cada vez mais da curva e do precipício e o velho se desespera e se descabela, gritando a plenos pulmões, agitando os braços e até consegue, com grande esforço, dar pulos na tentativa de alertar o jovem. Em vão, porque o rapaz, preso na armadilha de ruídos e sons, da emoção, da velocidade, não atende aos apelos do ancião.

É possível que aquele jovem até perceba um velho gritando, gesticulando e pulando lá encima, mas, pela aparência ridícula da cena, não lhe dá atenção. E segue adiante seu caminho…