queria ser
um irresponsável a cavalgar o vento
e com mil asas permitir-me ir
velejando céus afora
como um fluido, como um éter!

queria ser
livre, sem limitações.

e pra nadar em águas cristalinas,
nadar melhor, mais solto, mais veloz,
tenho que lançar fora minhas cargas,
minhas aquisições.
tenho que jogar fora
minhas amarras,
e, mesmo até, partes do meu ser.

queria ser
livre, descompromissado,
e uma prisão somente a me conter:
é u’a prisão, não sei se paradoxa
ou dialética talvez,
da própria liberdade…

a liberdade, prisão de optar,
de ter que optar.
a liberdade, prisão de te amar
e de lutar junto a ti
e junto aos outros
pela liberdade de todos nós!…

 (19/04/82)