Maio 2007
Arquivo mensal
Sex 25 Mai 2007
Categoria: Poesia | Por Jorge Rocha | Deixe seu comentário
da morte, que sei dizer?
talvez seja mesmo uma boa enfermeira, a melhor.
minora todo sofrer,
não há dor que lhe escape, a todas alivia.
não há angústia que permaneça.
e quando a morte é mesmo uma obra do acaso,
mas sobretudo
quando ao acaso se associa o empenho humano,
a liberdade de escolher,
aí então é que a morte é,
a um só tempo,
enfermeira e fármaco.
26.jun.96
Dom 13 Mai 2007
Categoria: Prosa | Por Jorge Rocha | 2 comentário
Drocha morreu num dia como este, 14 de maio.
Epa! Que lapso! Hoje seria aniversário dele, que morreu mesmo foi em 21 de setembro…
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Sáb 12 Mai 2007
Categoria: Poesia | Por Jorge Rocha | Deixe seu comentário
I
se é o viver u’a ventura
- e isto não sei se é -
(é bom perguntar portanto
aos mutilados, aos loucos,
mendigos e prostitutas.
perguntem aos miseráveis,
aos leprosos e aidéticos,
aos que sobrarem do cólera.
e também aos humilhados,
aos pobres, aos explorados.
perguntem ainda aos negros
sulafricanos. e a elas,
mulheres de etilistas,
às crianças violentadas,
reprimidas, maltratadas.
aos que se chamam pivetes,
que moram sob a marquise,
que catam lixo na esquina
e o disputam com ratos,
em convescotes macabros.
vamos, procurem saber
das crianças da etiópia,
dos homens do bangladesh,
das mulheres do japão
que tiveram os pés quebrados,
pra cumprirem seus destinos…
e àqueles desvalidos
que passam os dias nas filas
pra receber bagatelas
de vil aposentadoria
e que são desrespeitados
pelos maus funcionários,
do gari ao presidente…)
se é o viver u’a ventura,
ser mãe é gesto bondoso.
é ter a felicidade
de ser extrema doçura!… Leia mais…
Sáb 5 Mai 2007
Categoria: Poesia | Por Jorge Rocha | Deixe seu comentário
depois que se passarem
todas as horas,
os dias, os meses, os anos,
depois que se tiver passado o tempo,
o krónos e o kairòs,
perguntar-te-ei o que me resta,
o que nos resta…
e não teremos senão sonhos desvanecidos.
e não teremos senão tênues lembranças
daquilo que um dia
avidamente sorvemos,
sem saborear…
vítimas que fomos da escravidão do dinheiro,
da segurança,
da imagem a preservar!…
21/ago/87
Ter 1 Mai 2007
Categoria: Prosa | Por Jorge Rocha | Deixe seu comentário
O espírito da tentação consiste em fazer despertar um desejo preexistente e acenar-lhe com possibilidades de realização. Não há tentação em insinuar possibilidades cuja idéia não preexista em forma de desejo. Neste caso não é necessário o mínimo esforço para resistir ao apelo, simplesmente porque o objeto da insinuação não é objeto do desejo. O eunuco não pode ser tentado pela odalisca. Leia mais…