depois que se passarem
todas as horas,
os dias, os meses, os anos,

depois que se tiver passado o tempo,
o krónos e o kairòs,

perguntar-te-ei o que me resta,
o que nos resta…

e não teremos senão sonhos desvanecidos.
e não teremos senão tênues lembranças
daquilo que um dia
avidamente sorvemos,
sem saborear…
vítimas que fomos da escravidão do dinheiro,
da segurança,
da imagem a preservar!…

21/ago/87