Sáb 12 Mai 2007
no dia das mães
Categoria: Poesia | Por Jorge Rocha
I
se é o viver u’a ventura
- e isto não sei se é -
(é bom perguntar portanto
aos mutilados, aos loucos,
mendigos e prostitutas.
perguntem aos miseráveis,
aos leprosos e aidéticos,
aos que sobrarem do cólera.
e também aos humilhados,
aos pobres, aos explorados.
perguntem ainda aos negros
sulafricanos. e a elas,
mulheres de etilistas,
às crianças violentadas,
reprimidas, maltratadas.
aos que se chamam pivetes,
que moram sob a marquise,
que catam lixo na esquina
e o disputam com ratos,
em convescotes macabros.
vamos, procurem saber
das crianças da etiópia,
dos homens do bangladesh,
das mulheres do japão
que tiveram os pés quebrados,
pra cumprirem seus destinos…
e àqueles desvalidos
que passam os dias nas filas
pra receber bagatelas
de vil aposentadoria
e que são desrespeitados
pelos maus funcionários,
do gari ao presidente…)
se é o viver u’a ventura,
ser mãe é gesto bondoso.
é ter a felicidade
de ser extrema doçura!…
II
se viver é desventura
- e há quem queira negar -
(perguntem aos donos do mundo,
aos que detém o poder,
ao papa, aos reis, aos patrões
e aos subservientes
que aspirando aos seus lugares
vivem de beijar seus pés.
e também perguntem aos padres,
aos pastores, pais-de-santo,
que vivem de enganar,
que prometem o que não têm.
e perguntem a quem passou
a vida sem trabalhar
porque outros trabalharam
muito, muito, muito além
do que seria necessário
caso não fossem explorados…)
se é o viver desventura,
ser mãe é ser responsável
de por os filhos num mundo
de sofrimento e tortura!…
III
se a vida é um’ aventura
- e muitos crêem que é -
(é como um salto no escuro
onde o destino se faz,
a partir do já vivido
e sem a menor garantia.
onde só a incerteza,
a dúvida, a insegurança
são as luzes que se têm,
porque com as reviravoltas,
os cometas, cataclismos,
com o capricho dos deuses,
com a ganância dos homens,
o que se pensava ser
já não é. pelo contrário,
é o contrário do contrário
do contrário do contrário…)
se a vida é uma aventura,
ser mãe é ser desvairada,
é ter perdido a razão.
maternidade é loucura!…
Data do artigo: Sábado, 12 dAmerica/New_York Mai dAmerica/New_York 2007 às 12:35 pm | Categoria : Poesia | Deixe um comentário
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Jorge Rocha, sexagenário, confia, como Demócrito, que tudo no universo é fruto da necessidade e do acaso. Cultua a filosofia do cotidiano, às vezes verseja e ocasionalmente é psiquiatra, para sobreviver.