Julho 2007


A respeito da solidão, tenho algumas considerações.
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“Postada diante da escrivaninha de tampa de vidro verde-escuro, perguntei:

- Pai, quem era Sócrates?

E - ainda hoje isso me enche de admiração por ele - não senti nenhum receio de que me achasse ridícula, ou dissesse: ‘Ora, vá brincar no seu canto, isso não é coisa de criança!’

Lembro seu olhar claro, o rosto sério, a paciência com que me fez sentar numa das grandes poltronas, explicando o que eu queria saber, e me entregou um volume de enciclopédia. Fiquei lendo naquele silêncio bom que tantas vezes se abria ao seu redor quando ele trabalhava ou refletia. Quando devolvi o pesado livro, tirou de suas prateleiras outro muito menor e disse:

- Esse se chama O banquete. É de Platão, um filósofo grego que foi aluno de Sócrates Você não vai entender muito bem, mas tenho certeza de que vai gostar.

Lembro com gratidão que em nenhum momento ele pareceu achar graça de mim. Para aquele homem eu não era só uma criança: era uma pessoa”.

 

 

que a felicidade existe, existe!
quem não a achou, que a procure mais!
pois não a encontra quem na busca insiste
do silêncio das noites hibernais.

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