Dom 12 Ago 2007
as batatas do egito
Categoria: Poesia | Por Jorge Rochaque saudades das batatas do egito!
das cebolas e dos bifes do egito!
que saudade dos outros tempos,
quando a vidinha corria bitolada,
como o riacho dentro de suas margens
e sem variações,
em sua monótona paisagem…
sequer um murmúrio,
sequer um desvio…
águas mansas, ajustadas ao seu leito.
nada de rebeldia!
que saudades desse tempo!
havia segurança [segurança externa].
é bem verdade que não se gozava.
mas também parece ser verdade
que não se sofria…
naquele tempo se falava em liberdade.
em liberdade e em autonomia.
pensava-se também
em felicidade [mas às ocultas].
rebeldia, não!
a liberdade, a felicidade
e também a autonomia
eram metas a alcançar,
tesouros a desenterrar…
[estavam fora da gente].
ter liberdade,
ter autonomia,
ter felicidade…
um, dia, ter [talvez]!
o riozinho correndo, medíocre,
o riozinho sem turbulências…
e sem alegrias… [jamais se entusiasma!]
procurando o mar [já não será mais rio].
procurando ter [felicidade, liberdade, autonomia]…
e, como rio, sem nunca chegar a ser…
que saudades desse tempo!
porque dói ser!…
ser livre,
ser autônomo,
ser feliz!
Data do artigo: Domingo, 12 dAmerica/New_York Ago dAmerica/New_York 2007 às 11:29 pm | Categoria : Poesia | Deixe um comentário
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Jorge Rocha, sexagenário, confia, como Demócrito, que tudo no universo é fruto da necessidade e do acaso. Cultua a filosofia do cotidiano, às vezes verseja e ocasionalmente é psiquiatra, para sobreviver.