Escute o Prosa & Verso 005

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Músicas tocadas neste programa:
dilermando reis – magoado
orlando silva - coqueiro velho
grupo de reis de barra dos negros - como é bom morar na roça
noédson valois - poeta do morro
ari cléber - toda manhã

Quando os alimentos são bem mastigados e completamente misturados com a saliva são engolidos com muito mais facilidade e a digestão se processa de melhor maneira.

O estômago é uma espécie de saco, mas é um saco que contrai e relaxa.

No estômago existem pequeníssimas fábricas de suco gástrico, um caldo amarelado e azedo que é importantíssimo na digestão. Sem esse caldo chamado suco gástrico, a digestão não se faz e os alimentos fermentam e apodrecem aí dentro.

Quando isto acontece, sentimos, entre outras coisas, dores, barriga inchada, mau hálito e vômitos.

É a indigestão, que os médicos chamam dispepsia.

Se os alimentos precisam ser moídos, amassados e misturados com a água da saliva e, no estômago, com o suco gástrico, fica fácil entender que a digestão começa na boca, com a mastigação e a salivação.

A natureza nos deu este poder de digerir os alimentos que ingerimos e nos fez de tal maneira que, quando estamos com fome e sentimos o cheiro de comida, nossa boca enche d’água e nosso estômago começa a fazer uma roncadeira, porque começa a se movimentar.

É que nem fazer pão em casa: a farinha precisa ser molhada, misturada com o fermento e bem amassada.

Bem assim ocorre com os alimentos, que logo se transformam em um bolo que se chama quimo. É como se fosse uma sopa grossa batida no liquidificador.

Daí do estômago, o quimo passa para os intestinos delgados, que são as tripas finas, recebendo um certa quantidade de fel, para possibilitar a digestão das gorduras.

É assim que se dá o processo da digestão.

Quando todos os nutrientes já estão bem moídos, dissolvidos e separados, vão passar para o sangue e, através do sangue que corre nas veias, vão a todas as partes do corpo, para alimentar cada pedacinho.

Mas, atenção! Nem tudo o que comemos é nutriente. Nem tudo o que comemos serve de alimento. Parte do que comemos nem sequer pode ser absorvida, coada para o sangue. Ainda bem, porque senão ninguém escapava da primeira refeição que fizesse.

Esta parte inerte e inativa como as fibras fica dentro dos intestinos delgados, de onde é empurrada pelos movimentos intestinais para dentro do cólon, que é o intestino grosso.

É aí no intestino grosso que se formam as fezes.

A água, como as fibras, não é propriamente um alimento. A água é um solvente, um solvente universal.

Na grande imensidão do oceano, praticamente tudo o que ali se joga tende a dissolver-se, mais dia menos dia. O oceano é por isso um grande depurador.

É por causa disto que a água é tão necessária, porque dissolve praticamente tudo e, dissolvendo, lava tudo. Ou quase tudo.

Temos uma idéia errada de que a água alimenta. O que a água faz é dissolver os alimentos e permitir que eles sejam bem aproveitados na digestão e na nutrição.

Do mesmo modo, dentro do nosso corpo, também a água, dissolvendo nosso lixo, tudo aquilo de que não precisamos mais, possibilita a limpeza interna.

Para que funcione bem, nosso corpo, esta máquina viva, precisa estar bem alimentada como também precisa estar limpa, tanto por dentro como por fora, mas principalmente por dentro.

A limpeza do corpo acontece naturalmente e nós só precisamos ter o cuidado de não atrapalhar o trabalho da Natureza, como frequentemente fazemos.

A propósito dos cuidados com a saúde dessas máquinas vivas, encontrei em cima de um balcão de atendimento no posto de saúde, uma cartilha para distribuição gratuita, com um resumo da CARTA DOS DIREITOS DOS USUÁRIOS DA SAÚDE. Traz os seguintes princípios:

1- Todo cidadão tem direito a ser atendido com ordem e organização. Quem estiver em estado grave e/ou maior sofrimento precisa ser atendido primeiro. É garantido a todos o fácil acesso aos postos de saúde, especialmente para portadores de deficiência, gestantes e idosos. Aliás, portadores de deficiência, gestantes e idosos têm preferência de atendimento onde haja qualquer fila, como também de sentar-se onde haja poucos lugares para sentar.

2- Todo cidadão tem direito a ter um atendimento com qualidade. Você tem o direito de receber informações claras sobre o seu estado de saúde. Seus parentes também têm o direito de receber informações sobre seu estado. Também tem o direito a anestesia e a remédios para aliviar a dor e sofrimento quando for preciso. Toda receita médica deve ser escrita de modo claro e que permita sua leitura.

3- Todo cidadão tem direito a um tratamento humanizado e sem nenhuma discriminação. Você tem direito a um atendimento sem nenhum preconceito de raça, dor, idade, orientação sexual, estado de saúde ou nível social. Os médicos, enfermeiros e demais profissionais de saúde devem ter os nomes bem visíveis no crachá para que você possa saber identificá-los. Quem está cuidando de você deve respeitar seu corpo, sua intimidade, sua cultura e religião, seus segredos, suas emoções e sua segurança.

4- Todo cidadão deve ter respeitados seus direitos de paciente. Você tem direito a pedir para ver seu prontuário sempre que quiser. Tem também a liberdade de permitir ou recusar qualquer procedimento médico, assumindo a responsabilidade por isso. E não pode ser submetido a nenhum exame sem saber. O SUS possui espaços de escuta e participação para receber suas sugestões e críticas, como as Ouvidorias e os Conselhos Gestores e de Saúde.

5- Todo cidadão também tem deveres na hora de buscar atendimento de saúde. Você nunca deve mentir ou dar informações erradas sobre seu estado de saúde. Deve também tratar com respeito os profissionais de saúde. E ter disponíveis documentos e exames sempre que for pedido.

6- Todos devem cumprir o que diz a carta dos direitos dos usuários da saúde. Os representantes do governo federal, estadual e municipal devem se empenhar para que os direitos do cidadão sejam respeitados.