Escute o Prosa & Verso 07

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Músicas tocadas neste programa:
luiz gonzaga - o xote das meninas
alonso dantas e musa lopes - filhos de gandhi
orlando silva - errei… erramos
chico buarque - mil perdões

Coincidência ou não, o dia 2 de outubro, aniversário de Gandhi, também é comemorado como o dia do perdão.

Pois, ontem foi o dia do perdão.

Mas o que significa mesmo perdão?

Que significa perdoar?

O perdão supõe que se cometeu um pecado, um crime, uma transgressão, um erro.

Ora, pecado, crime, transgressão e erro são o mesmo fenômeno, têm a mesma natureza. A diferença é de gradação, de gravidade.

Só que o pecado é o agravo ao que há de mais misterioso e, digamos sagrado. Pode-se dizer que, na opinião geral, é o agravo a Deus.

O crime é o agravo às leis.

A transgressão é o agravo às regras coletivas e ao que os outros esperam de nós. A contravenção é uma destas transgressões às regras sociais.

O erro é o agravo a nós mesmos, ao que nós mesmos pensamos e temos como princípios.

Errar, em si, não é mau.

Errar é uma condição inerente, própria da condição humana.

O erro pode se transformar numa coisa boa, se pudermos aprender com eles.

Desde a antiguidade se diz que é errando que se aprende.

Um pensador francês, Guy de Larigaudie, sugeriu que cada um de nós fizesse do erro um trampolim para um amor maior. Dá pra gente pensar…

Diz a sabedoria popular que errar é humano, mas perseverar no erro é burrice, é estupidez. Os crentes dizem que é diabólico.

Por outro lado, só podemos aprender com os erros, se refletirmos sobre eles e se nos ajudarmos uns aos outros a refletir sobre os erros que cometemos.

Aliás, temos a obrigação, em nome da cidadania, da civilidade e da ética, de nos ajudarmos a reconhecer os erros e sobre eles pensar e aprender.

Posso entender que não é agradável e muitas vezes nem é útil alguém fazer do erro da gente um motivo de humilhação ou galhofa. Às vezes, a crítica é grosseira. Isto também é um erro. Mesmo assim, eu prefiro uma crítica, mesmo que seja grosseira, do que a conivência, a tapeação ou a bajulação.

Não sei se você que está me ouvindo entende o que quero dizer, mas o perdão é algo de si para si mesmo. Não se perdoa o outro. Mas é necessária a confiança do outro para que a própria pessoa se perdoe por seus erros.

Perdoar a si mesmo, aprendendo a não perseverar no erro.

Este é o verdadeiro perdão.