Qua 10 Out 2007
Prosa & Verso 008 - A FORMIGA E A CIGARRA
Categoria: Prosa&Verso | Por Jorge Rocha|
Escute o Prosa & Verso 08
Músicas tocadas neste programa: |
Dizem que o mundo foi criado por Deus. O fato é que a criação do mundo não está definitivamente terminada. Dizem que nós viventes devemos ser co-criadores. Então viver é também criar ou recriar. Alguma coisa que aprendemos e gostamos pode servir de modelo para a criação de algo novo, sem que seja cópia do antigo, sem que seja plágio. Há uma fábula antiga, A formiga e a cigarra, que foi escrita na velha Grécia por um escravo inteligente e sábio chamado Esopo. Alguns séculos depois, um outro escravo chamado Fedro, reescreveu a mesma fábula, inspirado na anterior, de Esopo. Passaram-se mais alguns séculos e um poeta francês chamado La Fontaine, retomou a fábula da formiga e da cigarra e com ela fez uma poesia.
Aliás, tanto Fedro como La Fontaine se inspiraram nas fábulas de Esopo para fazer suas criações e recriações.
Originalmente, a fábula diz assim:
Era uma vez uma formiga que trabalhava duro, de sol a sol, construindo sua
toca e acumulando suprimentos para o longo inverno que se aproximava.
A cigarra viu aquilo e pensou:
- Que idiota!
E passava o tempo todo dando gargalhadas, cantando e dançando.
Assim passou todo verão.
Ao chegar o inverno, enquanto a formiga estava aquecida e bem alimentada, a cigarra não tinha abrigo nem comida; morreu de frio e fome.
Na fábula original, a cigarra representa o imprevidente, talvez preguiçoso ou parasita, que quer viver às custas de quem trabalha e a formiga representa aquele que se dedica a prover o futuro.
Ora, recentemente, Milton Nascimento, também inspirado por esses artistas, compôs sua canção, dando um novo enfoque à fábula. Milton faz da formiga e da cigarra companheiros, considerando que a cigarra também executa trabalho enquanto cria, faz sua arte e, com sua arte, adoça e alegra também os outros. São pontos de vista diferentes, mas que ambos dão o que pensar.
Data do artigo: Quarta-feira, 10 dAmerica/New_York Out dAmerica/New_York 2007 às 4:24 pm | Categoria : Prosa&Verso | Deixe um comentário
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Jorge Rocha, sexagenário, confia, como Demócrito, que tudo no universo é fruto da necessidade e do acaso. Cultua a filosofia do cotidiano, às vezes verseja e ocasionalmente é psiquiatra, para sobreviver.