Escute o Prosa & Verso 08

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Músicas tocadas neste programa:
ivaldo garcia - entra em beco, sai em beco
simone - a formiga e a cigarra
cleová - lute

Dizem que o mundo foi criado por Deus. O fato é que a criação do mundo não está definitivamente terminada. Dizem que nós viventes devemos ser co-criadores. Então viver é também criar ou recriar. Alguma coisa que aprendemos e gostamos pode servir de modelo para a criação de algo novo, sem que seja cópia do antigo, sem que seja plágio. Há uma fábula antiga, A formiga e a cigarra, que foi escrita na velha Grécia por um escravo inteligente e sábio chamado Esopo. Alguns séculos depois, um outro escravo chamado Fedro, reescreveu a mesma fábula, inspirado na anterior, de Esopo. Passaram-se mais alguns séculos e um poeta francês chamado La Fontaine, retomou a fábula da formiga e da cigarra e com ela fez uma poesia.
Aliás, tanto Fedro como La Fontaine se inspiraram nas fábulas de Esopo para fazer suas criações e recriações.

Originalmente, a fábula diz assim:

Era uma vez uma formiga que trabalhava duro, de sol a sol, construindo sua
toca e acumulando suprimentos para o longo inverno que se aproximava.

A cigarra viu aquilo e pensou:

- Que idiota!

E passava o tempo todo dando gargalhadas, cantando e dançando.

Assim passou todo verão.

Ao chegar o inverno, enquanto a formiga estava aquecida e bem alimentada, a cigarra não tinha abrigo nem comida; morreu de frio e fome.

Na fábula original, a cigarra representa o imprevidente, talvez preguiçoso ou parasita, que quer viver às custas de quem trabalha e a formiga representa aquele que se dedica a prover o futuro.

Ora, recentemente, Milton Nascimento, também inspirado por esses artistas, compôs sua canção, dando um novo enfoque à fábula. Milton faz da formiga e da cigarra companheiros, considerando que a cigarra também executa trabalho enquanto cria, faz sua arte e, com sua arte, adoça e alegra também os outros. São pontos de vista diferentes, mas que ambos dão o que pensar.