Novembro 2007


Escute o Prosa & Verso 015

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Músicas tocadas neste programa:
beth carvalho - meu guri, de chico buarque
elis regina - romaria
rolando boldrin e chico buarque - minha história
engenheiros do hawai - 3º do plural
gabriel o pensador - até quando

Com certeza, vocês também conhecem Marlene.

Conhecem pelo menos com outros nome…

Ela me apareceu, vindo de Paulo Afonso, trouxa na mão, inocência na outra.

Nas mãos, tinha calos, aquelas mãos grossas, De quem trabalha, de quem produz; cabo de enxada é seu velho amigo, roupa pra espremer, companheira velha…

- Apois, tô aqui tão longe… Tão longe dos véio meus pai… Apois, meu branco, os véio ficou lá em Paulo Afonso, ficou pensando, cum toda certeza, que a fia deles ia miorá, pra ajudá eles…

Que aconteceu, enfim, com Marlene?
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Escute o Prosa & Verso 015

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Músicas tocadas neste programa:
beth carvalho - meu guri, de chico buarque
elis regina - romaria
rolando boldrin e chico buarque - minha história
engenheiros do hawai - 3º do plural
gabriel o pensador - até quando

Você sabia que hoje é o dia do soldado desconhecido?

O soldado desconhecido é todo aquele que morreu lutando em campo de batalha, mas que não foi identificado para que se lhe rendessem as homenagens de um enterro cívico, como convém a quem presta serviços à Pátria. Esta parece uma homenagem justa, embora a guerra não seja, em geral, algo que se possa chamar de justo.

Entretanto, como a folhinha está cheia de datas dedicadas a isto e àquilo, vou tecer algumas considerações a respeito.

A começar pelo dia 1º de janeiro, o dia da confraternização universal. Um blefe, porque confraternização universal mesmo só existe no fingimento ou na ilusão dos crédulos. Suponho até que a existência de um dia de confraternização universal só tenha por objetivo lembrar às pessoas de todo o mundo que a humanidade deveria ser, repito DEVERIA SER, porque não é, uma grande família de irmãos, tendo deus por pai. Isto é o que significa a palavra CONFRATERNIZAÇÃO. Vendo e ouvindo os noticiários, estou convencido de que é portanto um blefe. Que irmãos são esses que se comportam como lobos, como feras uns com os outros?
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Escute o Prosa & Verso 014

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Músicas tocadas neste programa:
gilberto gil - está na cara
chico buarque - construção
danúbio azul - uma valsa de strauss
chico buarque - valsinha
grupo cascata de saudades - saudades, de alvino valois

Antes dessa trovoada, tava tudo seco, tudo triste. Mas, quando a chuva começa a cair, os tanques a encher, a terra a molhar, logo, logo a gente esquece da seca que tava.

Pois, foi quando o sol torrou essas areias daqui do tabuleiro e a barra do natal não veio, como canta Luís Gonzaga, que o filho caçula de Virgínia teve que partir pra Salvador, trabalhar na construção civil. Servente. Com seus dezoito anos, acostumado a dar duro, foi com coragem levantar prédios e construir escolas, lá na Capital pra ajudar a família que na roça tava tudo feio.

O irmão, um ceguinho sanfoneiro, talvez tenha dedilhado a Triste Partida que Luiz Gonzaga canta, quando caçula foi embora. Foi embora, quer dizer, foi pra trabalhar na cidade enquanto as águas não chegavam, pra ele voltar pra roça.

Quarenta dias depois, voltou. Não caçula alegre como era, forte e trabalhador, brasileiro, bem brasileiro, brasileiro de raça. Este não voltou não. O que veio foi a notícia ruim. O andaime despencou e caçula já caiu sem vida, em mais um acidente de trabalho. Ele fazia parte de uma comunidade, perto daqui. Morreu, os amigos lamentaram, os familiares choraram… E, como a seca, daqui a uns dias, alguns acabam esquecendo sua morte, em um acidente de trabalho, que morreu na luta. Acabam esquecendo como esquecidos estão da morte de Dário, de uma outra comunidade vizinha, que curiosamente morreu há algum tempo, também de acidente de trabalho, também na mesma firma, também na mesma ocupação.

Lá se foi caçula, lá se foi Dário, lá se vão por este Brasil afora, muitos caçulas e muitos Dários, que entregam suas vidas, em troca de quê?

Enquanto isto, as condições de aperto e insegurança dominam as vidas do trabalhador, que é quem produz a riqueza deste país

Fala-se muito ultimamente da inteligência emocional.

Suponho que seja possível qualificar quatro tipos de inteligência:
a intuitiva, natural, básica, a emocional, a cultivada e, finalmente, a crítica.
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Escute o Prosa & Verso 013

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Músicas tocadas neste programa:
chico e caetano - felicidade foi-se embora
los sabandeños - recuerdos de ipacaray
carlos gardel - mano a mano
victor jara - zamba del che.
perez prado - mambo nº 5
bievenido granda - oración caribe
nat king cole - guadalajara
the platters - only you
noédson valois - um vôo ao passado

Na semana passada, transmiti neste programa um artigo de um jornalista que fazia sugestões e dava conselhos, para que a gente mude e marque os acontecimentos da vida da gente, a fim de evitar a rotina e a mesmice.

Ele sugeria que a gente viajasse, inclusive para outros países. O artigo, achei interessante, mas os conselhos me pareceram bem fora da realidade, a não ser que o jornalista pretendesse que só os leitores ricos deviam ler seu artigo e fazer alguma coisa para que suas vidas se tornassem mais dinâmicas e alegres.

De minha parte, moro em Morro do Chapéu, tenho uma vida sossegada e simples, como boa parte dos que vivem aqui. Reconheço sem vanglória mas também sem hipocrisia, que muitas pessoas vivem em condições bem diferentes da minha, com mais dificuldades do que eu.

Entretanto, espero que as opiniões transmitidas no programa passado, sejam os conselhos de quem escreveu o artigo, sejam minhas próprias sugestões, espero que sirvam para alertar aos ouvintes de que de fato é bom a gente viver cada dia, como se fosse o único dia da vida, talvez o último. E viver cada dia significa, na essência, procurar sentir gosto e o valor de cada ato.
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Escute o Prosa & Verso 012

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Músicas tocadas neste programa:
turíbio santos - choro triste
sivuca - feira de mangaio
gonzaguinha - o que é, o que é

Na labuta todo dia
Pra ganhar o de comer
O trabalhador da roça
Não arreia de sofrer
O da cidade também
Já não sabe o que fazer

De todos os seus problemas
Eu não vou poder falar
São diversos os motivos
Que não posso destacar
Mas porém um dos motivos
É porque o tempo não dá

Pois é o tempo não dá
Pra eu poder debulhar
São tantas dificuldades
Que não sei nem começar
Assim vou tirar o pé fora
E um assunto arriscar
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