Qua 7 Nov 2007
Prosa & Verso 012 - NA LABUTA DO DIA
Categoria: Prosa&Verso | Por Jorge Rocha|
Escute o Prosa & Verso 012
Músicas tocadas neste programa: |
Na labuta todo dia
Pra ganhar o de comer
O trabalhador da roça
Não arreia de sofrer
O da cidade também
Já não sabe o que fazer
De todos os seus problemas
Eu não vou poder falar
São diversos os motivos
Que não posso destacar
Mas porém um dos motivos
É porque o tempo não dá
Pois é o tempo não dá
Pra eu poder debulhar
São tantas dificuldades
Que não sei nem começar
Assim vou tirar o pé fora
E um assunto arriscar
Vou começar por saúde
Que é um assunto geral
Tenho visto tanta miséria
Tenho visto tanto mal
Tenho visto tanta doença
Doença pra dar de pau
E das doenças que vejo
Posso dizer a verdade
Quase todas são causadas
Pela infelicidade
De não ter o que comer
Seja na roça ou cidade
Parece até que é mentira
Mas isso eu posso afirmar
E vocês que estão me ouvindo
Podem também atestar
pois quem mais fica doente
É quem não pode pagar
E as doenças comuns
Quer dizer as que tem mais
São verminose e fraqueza
São bronquites catarrais
Anemia tuberculose
E outras que são mortais
O sarampo é uma delas
Que é bem interessante
Se dá em criança forte
O repouso é o bastante
Logo ela fica boa
E a família confiante
Mas o que ocorre em geral
É o sarampo atacar
As crianças que são fracas
Que mais ainda vão ficar
Inda mais que elas não têm
Comida pra alimentar
O trabalhador da roça
E também o da cidade
Em geral não tem recursos
Essa é a pura verdade
É por isso que seus filhos
Têm mais enfermidades
Tudo isto que eu disse
Eu falei e ta falado
Disto todo mundo sabe
Que ninguém teja enganado
A pobreza e a miséria
Das doenças é o culpado
Queria chamar a atenção
Pra u’a doença que existe
E que vou dizer o nome
Embora todos já saibam
Porque muitos já provaram
Pois o nome dela é fome
E a fome é u’a doença
Que é das mais perigosas
Porque vai matando aos poucos
E não é escandalosa
E quem tem fome é quem sabe
Como ela é dolorosa
A fome que tô falando
É uma fome arrastada
A pessoa vai definhando
Vai morrendo aos bocadinho
Faz pena ver o pobrezinho
Co’ as perna e a barriga inchada
Não tem remédio, a criança
Tem que ser alimentada.
O doutô fica impotente
De ver u’a criança assim
Porque sabe que o doente
Precisa é do que alimente
E se passa algum remédio
Remédio não vai dar jeito
Podendo até agravar
Por causa que a fraqueza
É por não se alimentar
De fato a doença-fome
Não é doença somente
U’a doença pessoal
Tem a ver com toda a gente
A ver com todos os homens
É doença social
Pois se muitos passam fome
A minoria que tem sobra
Desperdiça o que não come
E vive na mordomia
Enquanto que o brasileiro
Que trabalha o ano inteiro
Que é a grande maioria
Não vê a cor dinheiro
Data do artigo: Quarta-feira, 7 dAmerica/New_York Nov dAmerica/New_York 2007 às 4:31 pm | Categoria : Prosa&Verso | Deixe um comentário
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Jorge Rocha, sexagenário, confia, como Demócrito, que tudo no universo é fruto da necessidade e do acaso. Cultua a filosofia do cotidiano, às vezes verseja e ocasionalmente é psiquiatra, para sobreviver.