Dezembro 2007


Escute o Prosa & Verso 019

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Músicas tocadas neste programa:
jomarito – apelo e Samba em prelúdio
sonata ao luar, de beethoven
raul seixas – metamorfose ambulante
tarcísio - conexão

Não sei se vocês concordam com Émile Dürkhein que era sociólogo e foi um dos fundadores da escola sociológica francesa. Este senhor, que morreu por volta de 1930, achava que a educação devia estar a serviço da cidadania. Segundo ele, o papel da educação é formar um cidadão que tomará parte do espaço público e não somente o desenvolvimento individual do aluno.

De acordo com esta visão, uma escola que só faz ensinar as matérias e só avalia o aluno pelo que ele aprendeu do que seus professores ensinaram não faz educação. A escola também deveria ser portanto um lugar de criatividade e certamente os professores também têm muito o que aprender com seus alunos, como os médicos têm o que aprender com seus pacientes. Há uma boa diferença entre ensinamento e educação. Ensinar é apenas passar conhecimento, mas educar é ajudar a pensar e fazer desabrochar a criatividade e novos saberes que podem nascer de lá do fundo da alma. E a alma é uma fonte praticamente inesgotável de saber.

Aliás, a palavra saber é prima da palavra sabor e faz supor com muita propriedade que a sabedoria não é apenas o conhecimento, mas a possibilidade de saborear esse conhecimento.
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Escute o Prosa & Verso 019

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Músicas tocadas neste programa:
jomarito – apelo e Samba em prelúdio
sonata ao luar, de beethoven
raul seixas – metamorfose ambulante
tarcísio - conexão

Já se passaram 30 anos, desde que morreu Joaquim, lá em Feira de Santana, na Fazenda Matinha, povoado do lado direito da estrada que passa por Santa Bárbara e vai pra Serrinha, subindo pro norte.

Joaquim era um trabalhador rural, morador daquele lugar que um dia fora um quilombo. Lá praticamente só tinha negro, todas as famílias plantavam feijão de arranca, depois colhiam, faziam os bonecos, como chamam uma arrumação sobre uma estaca alta enfiada no chão, ali deixavam pra secar e depois numa festa de mutirão cantavam e batiam. Era a bata do feijão, uma festa. Muitas vezes fui pra lá apreciar e mesmo participar da bata. Tinha uma cantiga que nunca esqueci. Dizia assim:
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Escute o Prosa & Verso 018

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Músicas tocadas neste programa:
boas festas - de assis valente

Estamos em tempo de natal. Como todos sabem, costuma-se comemorar o aniversário de Jesus, embora ninguém saiba a data em que ele de fato nasceu. O dia 25 de dezembro foi escolhido como sua data aniversária, porque na Europa é o período em que começa o inverno e os povos antigos, com seus antigos costumes, faziam uma festa para celebrar a fertilidade da terra, um modo também antigo de louvar seus deuses pela sua generosidade. Era um ritual pagão, cheio de festa, dança, alegria e, como um culto à fertilidade, não poderia deixar de ter seu componente erótico.

Com o crescimento do cristianismo, sua disseminação e, posteriormente, sua aliança com os poderosos, quando se tornou a religião oficial do já decadente império romano, tiveram a brilhante e eficaz idéia de transformar as festividades pagãs em festas religiosas. Assim, a festa maior se transformou em aniversário de Jesus, o natal.

Como faz parte do comportamento humano a deturpação de tudo, a data do natal passou a ser, nos tempos modernos, nada mais do que uma oportunidade de se faturar, faturar, faturar. Aqui e acolá, alguns tentam apaziguar sua consciência distribuindo coisas pelas periferias, o que me lembra o que faziam os colonizadores, quando traziam, dos seus mundos ricos, espelhos, vidros lapidados, enfeites e outras bugigangas para tapear os nativos e invadir e dominar seus territórios.
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É preciso uma dose significativa de crença em Deus, em um Deus eterno e na nossa conseqüente imortalidade d’alma, para fazer o que Dom Frei Luiz Cappio, bispo de Barra do Rio Grande, está fazendo: uma greve de fome até a morte. Leia mais…

Escute o Prosa & Verso 017

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Músicas tocadas neste programa:
duda valverde - muriçoca de biquini
die lustigen holzhackerbaum
valsa do minuto
marcha radetzky
banda luce - tarantela luciana
paulo diniz - quero voltar pra a bahia
zequinha reis - caminhada

Assim, vivendo e aprendendo, vamos retomar nossa viagem musical pela Europa, desta vez pela Europa Central. Na semana passada, viajamos por ritmos de Portugal, Espanha, França e Inglaterra. Atravessamos o Mar do Norte, passando pela costa da Bélgica e da Holanda, onde não vamos parar, mesmo porque não disponho hoje de músicas belgas nem holandesas, e vamos desembarcar na Alemanha. Aqui, bem ao sul, na região montanhosa dos Alpes, encontramos um grupo de lenhadores alegres, a entoar uma canção original muito bonita e que se chama Die lustigen holzhackerbaum, que me perdoem os alemães pela pronúncia nordestina.

Como estamos quase na fronteira, vamos à Polônia que está do lado leste da Alemanha. A Polônia é a terra de Chopin, Fréderic Chopin, notável compositor e pianista, que compôs esta Valsa do minuto, que nós vamos escutar.
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Escute o Prosa & Verso 016

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Músicas tocadas neste programa:
elis regina - aprendendo a jogar
chico buarque - tanto Mar
eugênia melo e castro - os argonautas
granada
delida e alain delon - parole, parole
the beatles - a hard day’s night
paulo diniz - vou embora

Ninguém pode negar que a cultura física, a prática de esportes, as artes marciais, são excelentes atividades que ajudam a preservar a saúde, mas que deveriam ser praticadas com o objetivo de fortalecer sobretudo a vontade e disciplinar o corpo e a mente e não apenas limitar-se à cultura física.

Aliás, se na boa prática do exercício físico bem orientado, dos esportes e das artes marciais também orientada por um mestre competente e maduro, quem mais se favorece é o caráter, do mesmo modo a cultura física narcisista e fanática, empobrece o espírito, que se torna vaidoso, irascível e intolerante e muitas vezes truculento.

Conheci pessoas que aprenderam, na prática das artes marciais, a domar seus impulsos, a tornar-se calmos, a conter seu ímpeto violento. Mas também conheci muitos que foram estimulados à competição apenas pela competição, sem outro objetivo senão ganhar. Gente que quando sofre uma derrota fica frustrado, fica arrasado e desconta nos mais fracos toda a sua incapacidade de superar a perda. São pessoas complexadas, que não admitem também receber críticas e muito menos repreensões na vida.
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