Fevereiro 2008


Escute o Prosa & Verso 028

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Músicas tocadas neste programa:
trio nordestino – cabeça inchada
sivuca – a história se repete
almir sater e renato teixeira – no rancho fundo
renato russo e gabriel o pensador – palavras repetidas
cleová barreto - coimbra
alvino valois e o grupo cascata de saudades – alvorada em brasília
jomarito guimarães – saxofone, por que choras?

As medicinas são como as religiões: quem tem a sua, diz sempre no singular, a medicina, a religião, cada um considerando a sua como a melhor, a única verdade. Não é pra menos, porque a história da medicina começa com a história das religiões. Num tempo muito antigo, quase no tempo em que os bichos falavam ou pelo menos se acredita nisto, os seres humanos pensavam, raciocinavam, mas não tinham conhecimentos que norteassem seus pensamentos, seu raciocínio. Então, como hoje ainda é, tentavam encontrar explicações para o que não conseguiam compreender.

Uma vez que alguém encontrava uma explicação mais ou menos convincente ou simpática, passava a divulgar e muita gente adotava aquela explicação e em pouco tempo estava sendo considerada como verdadeira. O tempo passou, são milhares de anos, mas nós os seres humanos continuamos ignorantes da maioria das coisas que ocorrem no universo, fora de nós e também dentro de nós, não só em nosso corpo, mas sobretudo em nossa mente. É costume se dizer que cada cabeça é um mundo e este dizer contém muita sabedoria, mas isto é assunto pra outra prosa, outro dia.
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Escute o Prosa & Verso 027

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Músicas tocadas neste programa:
tribo de jah – canção nordestina
geraldo vandré - disparada
zé ramalho - cidadão
chico buarque – funeral de um lavrador
luiz gonzaga – vozes da seca

Otávio e Fátima, casalzinho jovem, ele de 22 anos e ela de 17. Foi perto do Natal do ano passado que conheci os dois, quando faziam o curso preparatório para o casamento. No Natal mesmo eles se casaram.

Acreditavam ainda em contos de fadas, estórias do tempo de criança, no príncipe encantado e no final feliz: casaram-se e viveram felizes para sempre…

Pois sim… Logo estava Fátima em sua nova profissão: dona de casa, aos 17 anos, cuidando da casa, da roupa, da comida do marido que sai às seis e volta às 19 horas.

Bem cedo, Fátima e Otávio descobriram a mentira do final feliz. Perceberam que era apenas o começo de um futuro incerto, de vida apertada. Ele estava empregado, como ainda está, como balconista de uma loja de tecidos, ganhando um salário mínimo.
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Escute o Prosa & Verso 027

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Músicas tocadas neste programa:
tribo de jah – canção nordestina
geraldo vandré - disparada
zé ramalho - cidadão
chico buarque – funeral de um lavrador
luiz gonzaga – vozes da seca

Todo aquele que tem vida
Que um dia nasce pra viver
Nesse dia não sabe nada
Só chorar, dormir, comer

Também o homem é assim
Só que ele é diferente
É animal racional
É uma pessoa, ele é gente

Um neném pequenininho
Não sabe se defender
De tudo o que tem no mundo
Que mal lhe possa fazer

Por isso é que é preciso
Ter u’a casa pra morar
Ter uma roupa pra vestir
U’a coberta pra enrolar
Além de alguém pra cuidar
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Escute o Prosa & Verso 026

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Músicas tocadas neste programa:
luiz gonzaga – o xote das meninas
chico buarque – não sonho mais
naná vasconcelos – vamos pra selva
banda de boca – bachianas brasileiras

Como as primeiras manifestações musicais não deixaram vestígios, é praticamente impossível responder. Alguns estudiosos nem tentam. Outros enfrentam o problema com base naquilo que se sabe sobre a vida humana na pré-história e preenchem as lacunas com certa dose de imaginação. Mas nenhuma hipótese diz com exatidão o momento em que os primitivos começaram a fazer arte com seus sons.

Ao que parece, o homem das cavernas dava à sua música um sentido religioso. Considerava-a um presente dos deuses e atribuía-lhe funções mágicas. Associada à dança, ela assumia um caráter de ritual, pelo qual as tribus reverenciavam o desconhecido, agradecendo-lhe a abundância da caça, a fertilidade da terra e dos homens. Com o ritmo criado, batendo as mãos e os pés, eles buscavam também celebrar fatos da sua realidade: vitórias na guerra, descobertas surpreendentes. Mais tarde, em vez de usar só as mãos e os pés, passaram a ritmar suas danças com pancadas na madeira, primeiro simples e depois trabalhadas, para soarem de formas diferentes. Surgia assim o instrumento de percussão.
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Escute o Prosa & Verso 025

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Músicas tocadas neste programa:
gino e geno – nóis trumpica mais num cai
kinanti, de mawaca
mali coco dembele - afrique dioré
kolazh
quarto crescente - maria helena
quarto crescente - marina
quarto crescente - dolores
lupicínio rodrigues – esses moços
richard clayderman – la cumparsita
pixinguinha – urubu malandro

Há uma coisa curiosa nas religiões cristãs: primeiro, elas surgem lembrando às pessoas de que esta vida é pequena, vai acabar daqui a pouco. Depois, nos faz acreditar que somos especiais, somos assim chamados os reis da criação, somos filhos de alguém que tem o poder absoluto sobre o céu e a terra. Ao mesmo tempo nos faz encarar nossa condição de selvagens e brutos e nos impõe regras para que possamos conviver uns com os outros.

Um filósofo muito importante da igreja católica, chamado Agostinho, a quem a própria igreja considera como um santo e que, portanto mora no céu, de acordo com as crenças dessa religião, pois este Agostinho, conhecido como Agostinho de Hipona, pois era bispo de Hipona, ou como Santo Agostinho, afirmou que todos nós nascemos maus e que só conseguimos melhorar e nos tornar bons com a graça de deus e com o esforço que fizermos no decorrer da vida.

Agostinho de Hipona foi uma espécie de gênio, um homem muito inteligente e que refletia muito, como convém a qualquer pessoa, principalmente às pessoas que aprendem a se alimentar da filosofia. Filosofia é uma palavra grega que significa amizade à sabedoria.
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