Qua 20 Fev 2008
Prosa & Verso 027 (PARTE 01) – ALIMENTAÇÃO E SAÚDE
Categoria: Prosa&Verso | Por Jorge Rocha|
Escute o Prosa & Verso 027
Músicas tocadas neste programa: |
Todo aquele que tem vida
Que um dia nasce pra viver
Nesse dia não sabe nada
Só chorar, dormir, comer
Também o homem é assim
Só que ele é diferente
É animal racional
É uma pessoa, ele é gente
Um neném pequenininho
Não sabe se defender
De tudo o que tem no mundo
Que mal lhe possa fazer
Por isso é que é preciso
Ter u’a casa pra morar
Ter uma roupa pra vestir
U’a coberta pra enrolar
Além de alguém pra cuidar
Se não for alimentado
É claro que vai morrer
O alimento faz parte
Da luta pra se viver
Esta luta que existe
Entre a vida e a morte
Não pára nem um minuto
E vence quem é mais forte
Quando a vida está vencendo
A saúde está na gente
Mas quando a morte é mais forte
Aí se fica doente
A gente tem que esforçar
Que é pra vida vencer
Evitar ficar doente
Da morte se defender
U’a das coisas a fazer
É se alimentar direito
Mas o nosso de comer
Bem que tem alguns defeitos
Os tipos de alimentos
Que a gente precisa mais
Ou são tirados das plantas
Ou então dos animais
O nosso corpo precisa
De proteína pra crescer
A soja, o ovo e o leite
Têm proteína a valer
Precisa de vitaminas
Açúcar e sais minerais
Estas coisas se encontram
Nas plantas e animais
Pra gente ter alimento
Precisa de trabalhar
Ou na roça ou na pesca
Ou criando ou a plantar
Mas a pesca e a caça
É difícil de achar
Pois ‘stão acabando co’as matas
E os rios bons de pescar
E pra ter um criatório
O pobre tem que gastar
Com ração, com cerca e tudo
E não dá pra compensar
E o que é pior ainda
De tudo o que mais emperra
É tanto trabalhador
Da roça sem sua terra
Então só resta ao pobre
Uma coisa pra fazer
Se ele mora na roça
É plantar para comer
Isto é, se ele tem
Onde plantar e colher
O problema continua
O que é melhor plantar?
Tem muitos tipos de plantas
De bom valor alimentar
O cultivo que se faz
Aqui em nossa região
E que dá pra se comer
É de mandioca e feijão,
Que o pobre vem e arremata
com milho, biscoito e pão
Mas o de comer do pobre
Pão, farinha e macarrão
É um alimento fraco
Não resolve a precisão
A gente tem de ter outros
Tipos de alimentação
Que contenham proteína
Que contenham vitamina
Que contenham minerais
Pra dar força ao cidadão
O lavrador pode ter
Além de feijão e farinha
Hortaliças e fruteiras
Plantadas em sua rocinha
Pode plantar outras coisas
Pra uma boa alimentação
Tendo a soja por exemplo,
Carne não tem precisão
Não carece comer muito
Pra ser bem alimentado
O importante pra saúde
É um de comer variado
No mundo tem alimento
Que dá pra todos comer
Mas tem gente que assim mesmo
Passa fome até morrer
E outros já têm de sobra
Que desperdiça a valer
Uns com tanto, uns com tão pouco
Que não dá pra entender
Uma coisa que a gente
Nem sempre chega a pensar
É que alguns que têm mais
Mais vivem a desperdiçar
São os que menos trabalham
E são os mais a ganhar
Os pobres, por outro lado
Que mais vivem trabalhando
A cada dia que passa
Vêem o seu ganho minguando
Vendo o mundo deste jeito
É pra gente perguntar:
Havendo tanto alimento,
Por que então não igualar
E dividir para todos
A sua fome matar?
Tem gente que é usurária
E que só pensa em si
Acha que o mundo é só seu
Que não é pra dividir
Vive a explorar os outros
E sem querer produzir
Não sei se você concorda
Mas na minha opinião
Quem dá duro no trabalho
É o lavrador, o operário
E quem tem lucro é o patrão.
E assim está o mundo
Desse jeito que eu falei
Se você não concordar
Pode dizer que ouvirei
Mas se você tá de acordo
Vou fazer uma pergunta
Cuja resposta eu já sei:
Será que esta lei tá certa?
Ou tá errada essa lei?
E você? O que é que acha
Tudo está em seu lugar?
Que não deve fazer nada
Pra situação mudar?
Pode ser que você pense
Que deve ser diferente:
Toda a riqueza devia
Ser dividida igualmente
Me responda a esta pergunta:
Quem é que produz riqueza?
É o rico proprietário
Ou o empregado da empresa?
E pra quem devia ficar
A riqueza produzida?
Pro rico proprietário
Que só vive a boa vida
Ou pra o trabalhador
Que não tem casa e comida?
Ainda existe quem diga
Que a causa de tanta gente
Passando necessidade
É o mundo estar carente
Ou será que os recursos
Que são tantos existentes,
Se fossem bem divididos
E não pra uns poucos somente
Não daria pra alimentar
Com certeza toda a gente?
Data do artigo: Quarta-feira, 20 dAmerica/New_York Fev dAmerica/New_York 2008 às 4:18 pm | Categoria : Prosa&Verso | Deixe um comentário
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Jorge Rocha, sexagenário, confia, como Demócrito, que tudo no universo é fruto da necessidade e do acaso. Cultua a filosofia do cotidiano, às vezes verseja e ocasionalmente é psiquiatra, para sobreviver.