Errando discitur é um provérbio antigo, do tempo em que se falava latim, hoje uma língua morta. Errando discitur significa: é errando que se aprende. Talvez pudesse ser livremente traduzido como errando e aprendendo, para fazer um trocadilho com o nome deste quadro que é vivendo e aprendendo. Quem sabe? Viver não é errar? Todos nós temos muito medo do erro, medo de errar. Um medo, a meu ver, exagerado. O erro é a base do acerto e um pensador cristão francês, Guy de Larigaudie, escreveu em 1943: é preciso fazer de cada erro um trampolim para um amor maior. Não diria exatamente como Larigaudie, que era católico, mas penso, como ele, que cada um de nós precisa fazer de cada erro um trampolim para um conhecimento e uma convivência melhor. Um erro é sempre uma grande lição, se a gente souber refletir. Se a gente souber analisar, e com humildade, reconhecer o erro. Isto serve para o nosso próprio erro, mas também serve para o erro alheio. Estou dizendo isto, mas também reconheço que é próprio dos homens não verem seus próprios erros, enquanto que vêem e condenam o erro alheio. Macaco não olha para o próprio rabo, diz o ditado popular. Leia mais…
Páscoa quer dizer passagem. Inicialmente a memória do êxodo do Egito, quando o povo hebreu ousou cruzar o mar vermelho em direção ao deserto para libertar-se da escravidão a que estava submetido naquele país. Depois, a lembrança da morte e ressurreição que a crença cristã atribui a Jesus de Nazaré.
Músicas tocadas neste programa: gonzaguinha – tá certo, doutor?
gonzaguinha – comportamento geral
chico buarque – geni e o zepelim
noédson – canto de alerta
noédson – poeta do morro
No próximo sábado, que é o sábado da aleluia, é costume se fazer uma espécie de comemoração macabra, queimando um ou vários bonecos. Pelo menos um deles representa o apóstolo Judas, autor do beijo que identificou Jesus para os prepostos das autoridades judias, isto é, o sumo sacerdote, os sacerdotes e os escribas. Como todos sabem, Jesus se entregou pacificamente sem reagir, para surpresa e de certo modo decepção de todos os seus amigos, que contavam com uma resistência aguerrida. Mas não fez assim. Entregou-se pacificamente. Não estou dizendo que se entregou passivamente. Falei pacificamente, o que é muito diferente.
Judas, também profundamente desapontado, percebeu seu gesto de entregar o amigo com a gravidade que afinal era grande, sentiu-se culpado, imaginou-se imperdoável e imperdoado, foi acometido de indizível desespero e tratou de dar fim à própria vida. É uma história trágica, cheia de crença, decepção, frustração e vingança. Leia mais…
Músicas tocadas neste programa: Trio Nordestino – Cabeça inchada
Luiz Gonzaga – Assum preto
Viracocha
Maniwaki
Silas, Cremilson, Elsione e Zito - Chalana
Zeca Freitas - Pensando no Fred
Lembram das viagens musicais que fizemos algumas vezes aqui no prosa&verso, no final do ano passado? Vamos retomar nossas viagens, porque alguns ouvintes me cobraram. Só que hoje vamos à cordilheira dos Andes, ao longo da América do sul, bem ao oeste, pertinho do oceano Pacífico. Essa região foi habitada, desde quando ninguém sabe, por povos antigos que lá teriam chegado provavelmente pelo mar. Aí se criaram os impérios Inca, Maia e Azteca. Depois toda a região foi conquistada pelos europeus na chamada época das grandes navegações, no século 16. Como em todas as culturas, esses povos também acreditavam em seus deuses e em seus mitos. A música que vocês vão ouvir, certamente com forte influência religiosa daqueles povos, se chama Viracocha. Viracocha é o nome de um deus dos povos andinos, o deus que, para eles, teria criado o céu e a terra. Leia mais…
Músicas tocadas neste programa: Roberto Silva - Bebida, mulher e orgia
Maria Betânia – Esse cara
Gonzaguinha – Grito de alerta
Chico – O malandro
Gabriel o pensador – Até quando
Moysele – Liberdade virá, de Dantinhas
Netinho - Chão e Lágrima.
Nesta semana ocorre o dia consagrado à mulher. O dia da mulher. A mim parece uma ironia e desconfio de que todas as vezes em que um dia é dedicado a algo, para nos fazer lembrar desse algo, é porque no dia-a-dia estamos mesmo é nos esquecendo disto, disto que nos pretendem lembrar nesse dia especial. Posso admitir que um dia seja escolhido para comemorar e homenagear uma profissão ou uma pessoa específica que já faleceu, como é o caso dos santos da igreja católica, ou mesmo um evento que já passou e que seja importante lembrar de vez em quando. Mas não consigo engolir que haja um dia dedicado à mulher ou ao homem ou às crianças, aos pais, às mães e assim por diante. Do mesmo modo, não cabe na minha cabeça que possa existir um dia próprio para se ser educado, para se ser cidadão, para se ter bom caráter, para se respeitar o outro e até mesmo para se perdoar. Leia mais…
Sobre Jorge Rocha
Jorge Rocha, sexagenário, confia, como Demócrito, que tudo no universo é fruto da necessidade e do acaso. Cultua a filosofia do cotidiano, às vezes verseja e ocasionalmente é psiquiatra, para sobreviver.