Escute o Prosa & Verso 030

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Músicas tocadas neste programa:
Trio Nordestino – Cabeça inchada
Luiz Gonzaga – Assum preto
Viracocha
Maniwaki
Silas, Cremilson, Elsione e Zito - Chalana
Zeca Freitas - Pensando no Fred

Lembram das viagens musicais que fizemos algumas vezes aqui no prosa&verso, no final do ano passado? Vamos retomar nossas viagens, porque alguns ouvintes me cobraram. Só que hoje vamos à cordilheira dos Andes, ao longo da América do sul, bem ao oeste, pertinho do oceano Pacífico. Essa região foi habitada, desde quando ninguém sabe, por povos antigos que lá teriam chegado provavelmente pelo mar. Aí se criaram os impérios Inca, Maia e Azteca. Depois toda a região foi conquistada pelos europeus na chamada época das grandes navegações, no século 16. Como em todas as culturas, esses povos também acreditavam em seus deuses e em seus mitos. A música que vocês vão ouvir, certamente com forte influência religiosa daqueles povos, se chama Viracocha. Viracocha é o nome de um deus dos povos andinos, o deus que, para eles, teria criado o céu e a terra.

A música que nós acabamos de escutar me fez lembrar de outra, evidentemente estranha para nós, que embora não seja original, se baseia na música dos índios norte-americanos e também está certamente impregnada de espírito religioso, embora o arranjo seja bastante estilizado. Mas, escutem. É da diversidade cultural que novas culturas se formam, principalmente porque é o respeito à diversidade, às diferenças, que nos possibilita conviver, sem intolerância, sem discriminações e sem preconceitos. Temos a tendência destrutiva de zombar, rejeitar e até combater tudo aquilo que é diferente de nós. Isto se vê frequentemente entre os amigos, os vizinhos, entre os seguidores de religiões diferentes ou de partidos políticos diferentes e até entre os membros da mesma família que têm gostos diferentes. Exercitar uma convivência tolerante e respeitosa é um dos princípios básicos da democracia e portanto da cidadania.

Esta terra do Morro do Chapéu é muito fértil em produzir artistas e artesãos. Em muitas cidades ao longe, é costume ouvir comentários de admiração por este fato. O que quero dizer é que não é muito comum que uma cidade desta dimensão tenha tantas pessoas que se dedicam às artes, uns com livros escritos e publicados, memorialistas, outros poetas, outros pintores e ainda os escultores. A música, sem dúvida, ocupa um lugar de destaque, um merecido lugar de destaque. Estou trazendo aqui, agora, um grupo que tem atuado em bailes inclusive fora do Estado da Bahia, que já semeou um nome por aí e já lançou, ao que me consta, dois CDs, com músicas dançantes, em geral boleros. Trata-se de Silas, Cremilton, Elsione e Zito, que agora vão executar Chalana especialmente para vocês que nos estão ouvindo.

Há uns nomes de música muito intrigantes, alguns engraçados e que, por nos acostumarmos, nem chamam mais a atenção. Por exemplo, um chorinho que se chama André de sapato novo. Outro chorinho que se chama Magoado. Um samba cujo nome é Urubu malandro. Nem sei se existem letras que justifiquem tais nomes. Mas que são engraçados e curiosos, são.

Vocês vão ouvir agora u’a música, composta por um instrumentista que mora em Salvador e que se chama Zeca Freitas. A música se chama Pensando no Fred, que aqui é executada exclusivamente por saxofones. Aliás, são 4 saxofones, sem qualquer outro instrumento. O sax soprano é de Rowney Scott, o sax alto de Nivaldo Cerqueira, o sax barítono tocado por André Becker e finalmente o sax tenor, por um dos valores desta terra que, como tantos outros artistas, foi embora e hoje é notável em sua profissão, Tércio Guimarães, filho de Jomarito. Foi o próprio Jomarito que gentilmente nos cedeu esta curiosa peça musical que agora vocês vão escutar.