Sex 21 Mar 2008
Páscoa
Categoria: Filosofia do cotidiano | Por Jorge RochaPáscoa quer dizer passagem. Inicialmente a memória do êxodo do Egito, quando o povo hebreu ousou cruzar o mar vermelho em direção ao deserto para libertar-se da escravidão a que estava submetido naquele país. Depois, a lembrança da morte e ressurreição que a crença cristã atribui a Jesus de Nazaré.
Fomos criados na tradição cristã e a ela condicionados. Então seu simbolismo nos possui. Enquanto são símbolos, são meritórios. Quando, todavia, as metáforas são tomadas como verdades ipsis litteris, o engano começa a campear, a ilusão a grassar e a esperança vai transformando-se em expectativa. Surgem os dogmas, certezas incontestáveis.
Mas, por que ficamos presos à tradição? O último final de semana foi todo ele ritual da
páscoa, do mito da morte e ressurreição. Estou preso a esta idéia de morte e ressurreição, mas não propriamente morte física, mas morte de cada dia, de cada perda e também ressurreição de cada dia, de cada ganho, seja de que natureza for… Será que isto que estou escrevendo faz sentido? Como assim, “seja de que natureza for”?
Há certamente as perdas e os ganhos aparentes. Há pessoas que parecem só ganhar e outras que parecem só perder. Em geral parece que nós perdemos e ganhamos. É possível que na maioria das vezes não vemos os verdadeiros ganhos nem as verdadeiras perdas.Carpe diem, colha o dia, aproveite o dia, isto pode ser um ganho. E deve haver sentido e valor no perder, como deve haver inutilidade e nocividade no ganhar. Dependerá do que
se perde e do que se ganha? Dependerá de quem perde e de quem ganha? Será? Mas,
como saber o que é bom e o que é mau? Dizem que há males que vêm para o bem e que
deus escreve certo por linhas tortas… Quem sabe?
O fato é que o mito da morte e ressurreição me parece bem como referência, uma bela
metáfora, à morte e à ressurreição de cada dia, cada hora, cada instante. Ao ciclo espiralar dialético que descrevem todos os fenômenos, todos os movimentos em todo o universo, do infinitamente pequeno ao infinitamente grande.
Data do artigo: Sexta-feira, 21 dAmerica/New_York Mar dAmerica/New_York 2008 às 11:54 pm | Categoria : Filosofia do cotidiano | Deixe um comentário
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Jorge Rocha, sexagenário, confia, como Demócrito, que tudo no universo é fruto da necessidade e do acaso. Cultua a filosofia do cotidiano, às vezes verseja e ocasionalmente é psiquiatra, para sobreviver.