Qua 26 Mar 2008
Prosa & Verso 032 - ERRANDO É QUE SE APRENDE
Categoria: Prosa&Verso | Por Jorge Rocha|
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Músicas tocadas neste programa: |
Errando discitur é um provérbio antigo, do tempo em que se falava latim, hoje uma língua morta. Errando discitur significa: é errando que se aprende. Talvez pudesse ser livremente traduzido como errando e aprendendo, para fazer um trocadilho com o nome deste quadro que é vivendo e aprendendo. Quem sabe? Viver não é errar? Todos nós temos muito medo do erro, medo de errar. Um medo, a meu ver, exagerado. O erro é a base do acerto e um pensador cristão francês, Guy de Larigaudie, escreveu em 1943: é preciso fazer de cada erro um trampolim para um amor maior. Não diria exatamente como Larigaudie, que era católico, mas penso, como ele, que cada um de nós precisa fazer de cada erro um trampolim para um conhecimento e uma convivência melhor. Um erro é sempre uma grande lição, se a gente souber refletir. Se a gente souber analisar, e com humildade, reconhecer o erro. Isto serve para o nosso próprio erro, mas também serve para o erro alheio. Estou dizendo isto, mas também reconheço que é próprio dos homens não verem seus próprios erros, enquanto que vêem e condenam o erro alheio. Macaco não olha para o próprio rabo, diz o ditado popular.
Ora, refletir sobre o próprio erro, analisar e reconhecer significa fazer auto-crítica, isto é, criticar-se a si mesmo. Então, penso que não é o erro em si que é a base do aprendizado. A base do aprendizado é a crítica, porque um erro não criticado passa batido e tende a se repetir indefinidamente. Uma pessoa que erra por desconhecimento do seu erro precisa de tolerância mas também precisa de crítica, para aprender. Aquele que erra porque quer errar, sabendo que está errando, não merece tolerância. Merece punição, merece castigo.
No sábado antepassado, dia 15, uma solenidade realizada no Teatro Odilon Costa teve suas imagens e suas falas transmitidas em um telão voltado para a praça Augusto Públio, para o público que não conseguiu mais espaço dentro do teatro. E havia muita gente ali interessada, atenta, vendo e ouvindo a cerimônia de entrega das premiações aos alunos nota 10.
Infelizmente, ao mesmo tempo, estavam ali dois carros particulares, com as respectivas portas do bagageiro abertas, contendo enormes caixas de som e em alto volume despejando no ambiente músicas ruidosas, algumas de mau gosto ou gosto duvidoso. Aquela barulheira impedia que o público ali presente pudesse escutar o que se transmitia no telão e algumas pessoas acabaram por retirar-se constrangidas e impotentes ante aquele comportamento incivilizado e grosseiro. Os dois carros estavam bem perto um do outro e ambos tinham a placa de Irecê. E, como é de costume, expelindo como cuspe seus sons ruidosos, um diferente do outro, toque em quem tocar, pegue em quem pegar, doa em quem doer, sem a menor consideração pelos outros.
Agora eu me pergunto e pergunto aos ouvintes: será que não há alguma coisa que possam os cidadãos moradores daqui fazer para evitar ou coibir tais abusos? A pergunta também vale para as autoridades.
Quase sempre, após minha fala, coloco u’a música que tenha algo a ver e sempre tenho procurado trazer u’a música de bom gosto. Mas, hoje, encontrei uma que tem muito a ver com os donos daqueles carros barulhentos e é a eles que esta música fica endereçada. Trata-se de Renato Fechine cantando Feche o fundo, bundão!
Eu não me canso de falar, de criticar, de protestar contra este abuso que é usar a tecnologia extravagantemente para incomodar os outros com os sons excessivamente volumosos. Embora até ache que de pouco ou nada adiantem estes protestos, tenho a esperança de que as autoridades responsáveis pela ordem e pelos bons costumes venham a tomar as providências que a elas cabe tomar.
Data do artigo: Quarta-feira, 26 dAmerica/New_York Mar dAmerica/New_York 2008 às 4:07 pm | Categoria : Prosa&Verso | Deixe um comentário
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Jorge Rocha, sexagenário, confia, como Demócrito, que tudo no universo é fruto da necessidade e do acaso. Cultua a filosofia do cotidiano, às vezes verseja e ocasionalmente é psiquiatra, para sobreviver.