Abril 2008


Escute o Prosa & Verso 037

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Músicas tocadas neste programa:
elba ramalho - bate, coração
wilson simonal – o morro não tem vez
belchior – águas de março, de tom jobim
Strauss - Valsa do imperador

O que a gente costuma chamar de batidas do coração na verdade não são batidas. O coração não bate como um pêndulo de um relógio. Em seus movimentos, o coração se contrai e se relaxa. Espreme o sangue que está dentro dele e incha, chupando o sangue que está nas veias. É assim que se dão as chamadas batidas do coração. O coração na verdade se comporta como uma bomba que puxa o sangue das veias e empurra o mesmo sangue para as artérias. Nós temos de fato um coração, mas que é dividido em dois, o coração esquerdo e o coração direito, que funcionam em sincronia um com o outro, isto é, ao mesmo tempo, por isto é considerado um órgão só.

Não sei se você sabia, mas o coração de um adulto bate setenta vezes por minuto. Isto quer dizer que dá 100 mil batidas por dia, 3 milhões por mês e 37 milhões por ano. É u’a máquina que não pára, não pode parar, porque a vida depende do sangue que jorra, que corre dentro das veias e artérias, carregando os alimentos para cada pedacinho do corpo e o lixo do corpo para ser jogado fora. O coração da mulher é um pouco mais acelerado. Ao longo de um minuto, dá oito batidas mais que o do homem. Nos recém-nascidos, o coração bate 120 vezes por minuto.

Em um minuto, o coração lança cinco litros de sangue em todo o corpo. Ele é uma bomba que movimenta quatrocentos litros de sangue por hora. Seus dois movimentos, de contração e de relaxamento, se chamam sístole e diástole. A sístole, quando ele se contrai. A diástole, quando ele relaxa.

Ele fica no meio do tórax, na caixa do peito, um pouco para a esquerda. Ainda criança, aprendemos que o coração é o símbolo do bem-querer e qualquer criancinha coloca a mão em cima do peito, quando quer dizer que gosta de alguém.

Escute o Prosa & Verso 036

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Músicas tocadas neste programa:
gabriel, o pensador – o resto do mundo
isaurinha garcia – a banca do distinto
luiz gonzaga – vozes da seca

Desde muitos séculos que os inventores vêm procurando descobrir alguma espécie de máquina que não precise de ser alimentada. É um sonho que continua presente nas pesquisas. U’a máquina que trabalhe, trabalhe, trabalhe sem precisar de combustível, seja carvão, seja gasolina, seja álcool, óleo diesel, seja energia elétrica, seja a força de uma queda d’água, que se chama energia hidráulica, seja a força dos ventos, que se chama energia eólica, seja até energia atômica. Enfim, que qualquer destes alimentos seja dispensado e que a máquina continue trabalhando.
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Escute o Prosa & Verso 035

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Músicas tocadas neste programa:
raquel peters - lisboa de encanto
liana - tempo
mawaca - alvíssaras
andréa bocelli
connie francis - un tango italiano
banda luce - simmo’e napule paisá
quarto crescente - retrovisor
cascata de saudades - lágrimas de namorados
jomarito guimarães - torna a sorriento e nem às paredes confesso

Em nossa viagem musical pelo continente europeu, vamos escutar hoje canções portuguesas e italianas.

Portugal é o país que nos colonizou. Não era pra ser diferente que nós, os colonizados, tenhamos uma rusga com os portugueses. Não é à toa que nós, os brasileiros, fazemos tantas piadas com os portugueses, geralmente com grandes gozações e chamando-os de burros. De fato, os portugueses não são burros, mas desde a antiguidade, do tempo do império romano, que existe um ditado que diz: ridendo, castigat mores, que significa: é rindo que se castigam os costumes. A crítica não tem que ser desagradável. O humor, a comédia, podem ser críticas aos costumes. Por isto nossas gozações para com os portugueses, porque os oprimidos não podem manter nenhum apreço pelos opressores. Tudo o que sonha um oprimido é em ter amanhã o poder para oprimir o que hoje é seu opressor. Suponho que somente com uma tomada de consciência verdadeiramente política é que o oprimido sonha e se empenha em libertar-se da opressão sem instituir outra no lugar.
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Escute o Prosa & Verso 034

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Músicas tocadas neste programa:
quarteto em cy – o circo
raul seixas – quando você crescer
raul seixas – não quero andar na contra mão
nelson gonçalves – naquela mesa
ellis regina – upa neguinho

Dizem que os filhotes de nambu e de perdiz, logo que saem do ovo partem em disparada e vão tomar conta do mundo. Não precisam permanecer praticamente por tempo nenhum em companhia da mãe. Não precisam assim aprender como sobreviver. Dizem que também são assim os filhotes de cobra. Já os filhotes dos mamíferos, aqueles animais que têm mamas e produzem leite, entre os quais está o animal humano, o bicho-homem, são bem diferentes. Os seus filhotes permanecem por um bom tempo, depois que nascem, em companhia da mãe, porque não sabem se alimentar nem sabem de outros recursos para sobreviver. Embora tenham instintos, precisam de aprendizado também. Os filhotes dos leões, por exemplo, como as crias dos gatos, devem receber o ensinamento das mães, de como caçar para se alimentar, logo que o aleitamento materno vai chegando ao fim. Bem assim, com os filhotes humanos. Estes são ainda mais dependentes dos pais e por um período bem mais longo. Precisam aprender praticamente tudo, mesmo porque, embora tenham instintos como qualquer outro animal, não têm mais os instintos tão aguçados como os outros bichos. Alguns bebês precisam até aprender a sugar o peito da mãe e a mãe tem que de certo modo ensinar a eles, estimulando a sucção, passando de leve os dedos em volta da sua boca, do bebê, é claro.
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Escute o Prosa & Verso 033

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Músicas tocadas neste programa:
luiz gonzaga - assum preto.
renato teixeira & pena branca - cio da terra

Muitas canções italianas, que são tão lindas e agradáveis, eram frequentemente ouvidas, em som ambiente ali na Pizzaria do Eusépio, que hoje está sendo comandada pela simpática e dinâmica Terezinha, graças a quem o padrão de qualidade tem sido mantido. O ambiente do restaurante sempre foi um ambiente acolhedor, em geral silencioso, que complementava a deliciosa comida italiana. Alguém um dia destes, pediu que fosse colocado sobre o balcão um aparelho de TV. A partir de então, sempre tem um que pede para ligar a TV e aí aquelas músicas suaves vêm sendo substituídas pela exibição do jogo de futebol, pelos sangrentos tele-noticiários, pela mediocridade de certos programas televisivos ou pelo execrável Big Brother.
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