Qua 23 Abr 2008
Prosa & Verso 036 - ALIMENTAÇÃO E POBREZA
Categoria: Prosa&Verso | Por Jorge Rocha|
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Músicas tocadas neste programa: |
Desde muitos séculos que os inventores vêm procurando descobrir alguma espécie de máquina que não precise de ser alimentada. É um sonho que continua presente nas pesquisas. U’a máquina que trabalhe, trabalhe, trabalhe sem precisar de combustível, seja carvão, seja gasolina, seja álcool, óleo diesel, seja energia elétrica, seja a força de uma queda d’água, que se chama energia hidráulica, seja a força dos ventos, que se chama energia eólica, seja até energia atômica. Enfim, que qualquer destes alimentos seja dispensado e que a máquina continue trabalhando.
Mas até hoje não existe máquina que não precise ser alimentada. E nossa máquina corporal, nosso corpo, nossa máquina viva, precisa de ser alimentada para que produza a energia suficiente para nos manter em funcionamento. Precisamos do combustível que são os alimentos, que os químicos chamam de açúcares, gorduras e proteínas. Os açúcares e as gorduras servem principalmente para ser queimados e transformados em energia. Por isto se chamam alimentos energéticos. E precisam do oxigênio para poder queimar, para fazer a combustão. O mesmo oxigênio que o maçarico, usado na serralheria, precisa para funcionar com seu fogo de alta temperatura, cortar e soldar os metais e até o aço. Nosso corpo pega e usa o oxigênio necessário, diretamente do próprio ar, através da respiração.
Os açúcares e as gorduras, vêm dos alimentos que mastigamos e ingerimos. A proteína, que serve para reparar nossas peças que se desgastam e também serve para possibilitar nosso crescimento quando ainda somos jovens, é um outro tipo de alimento e se chama alimento plástico. É natural que na idade do crescimento seja necessária mais e melhor comida para a alimentar um corpo que está trabalhando muito. Na infância e na adolescência, a necessidade de proteínas é maior que na idade adulta e na velhice. As proteínas são encontradas principalmente nos ovos, no leite, nas carnes e nos feijões de toda espécie. Aliás, se você não sabe, fique sabendo que o feijão de soja tem mais proteína do que a carne.
Por outro lado as pessoas idosas não precisam de tanta proteína e até lhes faz mal, se comem muita. Não precisam também de tanta comida como os jovens precisam e também os adultos que fazem mais trabalho braçal.
Falado assim, é bonito. Mas, apreciar estas máquinas vivas e seu funcionamento, quando a gente pensa nos milhões de seres humanos que vivem penando, com fome crônica, desnutridos e doentes, é triste. Mais triste ainda é saber que no mundo existe comida suficiente e que a ganância, o desperdício, a injustiça social impedem que os alimentos cheguem até a boca dos mais pobres.
Deus! Ó Deus! Onde estás que não respondes?
Em que mundo, em qu’estrela tu t’escondes
Embuçado nos céus?
Há dois mil anos te mandei meu grito,
Que embalde desde então corre o infinito…
Onde estás, Senhor Deus?
Não basta inda de dor, ó Deus terrível?!
É, pois, teu peito eterno, inexaurível
De vingança e rancor?…
E que é que fiz, Senhor? Que torvo crime
Eu cometi jamais que assim me oprime
Teu gládio vingador?!…
Estes são versos clamorosos de Castro Alves.
Data do artigo: Quarta-feira, 23 dAmerica/New_York Abr dAmerica/New_York 2008 às 4:27 pm | Categoria : Prosa&Verso | Deixe um comentário
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Jorge Rocha, sexagenário, confia, como Demócrito, que tudo no universo é fruto da necessidade e do acaso. Cultua a filosofia do cotidiano, às vezes verseja e ocasionalmente é psiquiatra, para sobreviver.