Maio 2008


Escute o Prosa & Verso 041

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Músicas tocadas neste programa:
Jovem Guarda – Pra frente, brasil
Nelson Gonçalves – Dolores Sierra
Cauby Peixoto - Conceição
Elis Regina – O rancho da goiabada
Bezerra da Silva – Seqüestraram minha sogra

Carolina Maria de Jesus nasceu no meio da sujeira e dos urubus. Cresceu, sofreu, trabalhou duro; conheceu homens, teve filhos.

Num livrinho, anotava com letra ruim suas tarefas e seus dias.

Um jornalista leu esses livros por acaso e Carolina Maria de Jesus converteu-se numa escritora famosa. Seu livro Quarto de Despejo, diário de cinco anos de vida num sórdido subúrbio da cidade de São Paulo, foi lido em quarenta países e traduzido para treze idiomas.

Cinderela do Brasil, produto do consumo mundial, Carolina Maria de Jesus saiu da favela, correu mundo, foi entrevistada e fotografada, premiada pelos críticos, agasalhada pelos cavalheiros e recebida por presidentes.
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Perguntas tão antigas quanto a inteligência humana:
• Quem somos nós?
• De onde surgimos?
• Para onde vamos?
• A vida faz algum sentido?

São perguntas que mobilizaram originalmente os filósofos, os artistas, os poetas, os místicos e mais recentemente os pesquisadores, os cientistas. Hoje são perguntas que frequentemente vêm e voltam ao homem normal, ao homem comum. E, se ainda são perguntas, tão velhas quanto novas, são perguntas sem respostas.
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Escute o Prosa & Verso 040

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Músicas tocadas neste programa:
mpb4 & quarteto em cy – de frente pro crime
banda de boca – construção, de chico buarque
elis regina – as curvas da estrada de santos, de roberto e erasmo
laerte – cidadania passo a passo, de zequinha reis
laerte – meu mundo, de zequinha reis
zequinha reis – busca, dele mesmo
zequinha reis – saga do ventura

Nosso corpo é nossa principal ferramenta. É uma ferramenta auto-manejada, isto é, é operada por si própria, de maneira que um corpo que não funcione deixa de ser a ferramenta a que me refiro. Um corpo que não funcione é um cadáver. Não é um corpo humano, por assim dizer. É antes uma imagem do corpo humano, como uma estátua, um retrato ou um desenho.
É comum que a gente confunda a imagem com a própria pessoa. Isto é como confundir um mapa com um país, um retrato com a pessoa que ali aparece. É verdade que quando olhamos uma foto de alguém muito querido e que já está morto, temos sentimentos de saudade, de lembrança agradável e de reverência para com a pessoa que aparece ali no retrato. Ora, se uma criança, fazendo birra, rasga e pisa no retrato, isto pode nos provocar um certo mal-estar. Mas apenas pela nossa lembrança e não pelo retrato em si, não é mesmo? Assim é o corpo que não esteja em funcionamento. Uma tênue sombra do que fora, quando funcionava. Não passa de uma imagem do que antes existiu.
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Escute o Prosa & Verso 039

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Músicas tocadas neste programa:
chico buarque – uma canção desnaturada
marlene – lata d’água na cabeça
bach – ária da corda sol
edith piaf - padam

O nascimento de uma criança é como o nascimento de um novo olho, de um novo broto na planta, em tese é uma nova oportunidade para a humanidade tomar um novo rumo. Uma alma que se eleva eleva o mundo, Já dizia Santa Teresa d’Àvila. Uma pessoa é a imagem e semelhança de toda a humanidade. Se alguém tem a capacidade de realizar o mais nobre dos atos, aquela capacidade é da própria humanidade e, virtualmente, cada um de nós humanos tem a semente ou o embrião da mesma capacidade. O mesmo pode ser dito do potencial de realizar a mais torpe das ações, o mais hediondo dos crimes. Se um humano pode fazer, também pode acontecer com você, também pode acontecer comigo, toda a humanidade tem o mesmo potencial, cada humano tem virtualmente a mesma possibilidade. Se um pode, todos podem. Numa linguagem religiosa, cada um de nós traz em si o alento de deus e a marca do diabo. Somos bem e somos mal. O corpinho de um recém-nascido saudável e dentro da normalidade beira a perfeição, mas sua psique, sua alma é rude como pedra bruta. A vida, o relacionamento, a cultura, o afeto, a reflexão é que vão esculpindo a alma, vão polindo e podem fazê-la melhor. Dom Hélder Câmara, arcebispo brasileiro da ala progressista da igreja, escreveu um belo poema intitulado Velhos vinhos, que diz assim:

Agora,
Que a velhice começa,
Preciso aprender, com o vinho,
A melhorar, envelhecendo.
E sobretudo
A escapar
Do perigo terrível
De, envelhecendo,
Virar vinagre…
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Escute o Prosa & Verso 038

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Músicas tocadas neste programa:
geraldo vandré – pra não dizer que não falei de flores
ari cléber - dança da jamaica
ari cléber - buzu
cleová – alguém me disse
ivaldo pardal garcia – é bonita essa copacabana
ivaldo pardal garcia – não deixe o samba morrer

Na semana passada, mais precisamente na quinta-feira, dia 1º de maio, foi feriado. Que feriado? Você sabe? Costuma-se dizer que é o dia do trabalho, mas a história é bem outra:
A data é uma homenagem aos oito líderes trabalhistas norte-americanos que morreram enforcados em Chicago (EUA), em 1886. Eles foram presos e julgados sumariamente por dirigirem manifestações que tiveram início justamente no dia 1º de maio daquele ano. Que aconteceu em Chicago, naquele maio, há precisamente cento e vinte e dois anos?
Há pouco mais de 200 anos, um frade italiano chamado Tommaso Campanela escreveu um livro, A Cidade do Sol em que os habitantes trabalhavam apenas quatro horas diárias. Por publicar tal idéia, o religioso foi torturado pelo tribunal da Inquisição e mantido preso durante 27 anos.
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