Escute o Prosa & Verso 042

Baixe o arquivo MP3

Músicas tocadas neste programa:
Nelson Gonçalves - Normalista
Gilberto Gil – Domingo no parque
Elza Soares – Se acaso você chegasse, de lupicínio rodrigues
Isaura Garcia - mensagem
Roberto silva – Agora é cinza
Luiz Gonzaga & Gonzaguinha – A vida do viajante

Conta-se que no Japão, um velho e sábio mestre exortava os seus alunos a não se deixarem mobilizar pelas provocações. Dizia ele:
Se o provocador for melhor que você, de que adianta competir, se sabe que ele vai ser o vencedor?
Se for equiparado a você, de que adianta competir, se sabe que vão empatar?
Se for inferior a você, se que adianta competir, se sabe que vai vencê-lo?
Em cada uma das três hipóteses, que ganharia você se fosse competir?
Digamos que o velho e sábio mestre estaria tentando assim, com sucesso ou não, instigar o amadurecimento emocional e a formação do caráter dos seus pupilos. Não temos notícia de como os alunos reagiram à orientação. Mas o fato é que as palavras daquele professor ecoaram para fora das paredes de sua escola e voaram e voaram, vindo até nós.

É pra pensar e agir.

No reino animal, é mais ou menos uma regra que os machos se enfrentem e lutem, competindo pela posse de uma fêmea. A fêmea muitas vezes figura como um objeto de uso para o macho. Isto no reino animal, onde apenas o instinto é que norteia os comportamentos. Por outro lado, podemos ver também cenas tocantes que nos inspiram ternura, por exemplo, quando vemos o acasalamento dos leões, que são animais, digamos assim, monogâmicos. Isto quer dizer que durante um período da vida está o casal junto e disponível apenas um para o outro e para suas crias. Não significa que entre os leões haja um casamento durável até a morte. Entre os períodos de acasalamento e dos cuidados conseqüentes para com os filhotes, estes animais podem trocar de parceiros e formar novas famílias. Quando ocorre um relacionamento de um casal onde existe o compromisso de exclusividade de um com o outro, isto se chama monogamia. A monogamia temporária faz parte do comportamento de várias espécies animais.

O ser humano, cujo comportamento já não se orienta exclusivamente pelo instinto, usa a inteligência e a cultura para traçar suas normas de conduta. É assim que os costumes são consolidados.

Querem saber? Durante muitos e muitos anos, muitos séculos mesmo, os homens têm adotado um comportamento, e ainda adotam hoje em dia, um comportamento semelhante aos animais, deixando de lado sua inteligência e sua cultura. Faz menos de oitenta anos que, aqui no Brasil, as mulheres não tinham sequer direito a votar. Houve um tempo, nem tão longe assim, em que as mulheres não tinham o direito de escolher o homem com quem gostariam de se casar.

Os tempos felizmente estão mudando e homens e mulheres tendem a gozar dos mesmos direitos civis. Digo que tendem a gozar dos mesmos direitos porque, mesmo legalmente já tendo os mesmos direitos, na prática nem sempre as coisas andam do mesmo jeito. Não é raro que os homens se achem proprietários de suas mulheres, transformando-as em simples empregadas domésticas, em burros de carga e mesmo em escravas. E também é freqüente, por outro lado, que as mulheres se comportem como se os homens tivessem a obrigação de sustentá-las.

Apesar de tudo, a competição entre os homens, pela posse da mulher, vem-se modificando e se tornando bem menor do que no passado mais remoto. Espero que isto prenuncie o fim do machismo. Isto é, se as mulheres deixarem, pois as mulheres são em grande parte responsáveis pela idéia errônea da superioridade masculina, quando influenciam seus filhos, seja pelo exemplo de subserviência na vida familiar, seja pelo reforço ao comportamento machista dos filhos do sexo masculino.

Atualmente, embora seja isto ainda raro, podemos conhecer casos em que os casais se separaram mas continuam amigos e mesmo casos em que os novos companheiros de um e de outro possam manter relacionamento amigável.

De qualquer modo, quase sempre uma separação ou o fim de um relacionamento é dolorido e cheio de mágoas, senão para os dois, pelo menos para um deles. Mesmo com o grau de desenvolvimento que os humanos atingiram, ainda continuamos imaturos, como a própria humanidade também continua. A humanidade certamente ainda está em sua infância, com todas as suas perversões. E nós também, certamente, somos ainda muito infantis. Ainda hoje é bastante natural que sofram os que se separam. E digo ainda hoje, porque posso imaginar que um dia os humanos possam superar esta idéia de dominação que os parceiros têm uns com os outros.