Qua 6 Ago 2008
Prosa & Verso 050 – DERRAME CEREBRAL, ENFRENTAMENTO E DESÂNIMO
Categoria: Prosa&Verso | Por Jorge Rocha
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Escute o Prosa & Verso 050
Músicas tocadas neste programa: |
Não precisa ter um olhar muito atento, para ver que aqui no Morro do Chapéu, existe uma incidência relativamente alta de pessoas que já tiveram derrame. Derrame é o nome que se dá popularmente a um tipo de doença que acontece de repente e que deixa a pessoa sem poder movimentar um lado do corpo. Este tipo de paralisia se chama hemiplegia. A pessoa não sente dor de um lado, mas também não consegue movimentar o mesmo lado, nem o braço, nem a perna. Um derrame pode ser mais grave ou mais leve. Portanto, o derrame que acontece em uma pessoa não tem que ser exatamente igual ao que aconteceu em outra. Aliás, tudo na vida é assim, inclusive as doenças: cada qual adoece de u’a maneira. Eu tenho um colega psiquiatra que costuma dizer: cada qual adoece como pode.
Mesmo entre as doenças mentais, sobretudo nestas, cada pessoa adoece de um modo diferente e por esta razão o médico que vai examinar a pessoa precisa saber de todas as informações a respeito de como a doença surgiu e de como a pessoa se comportou no início e no decorrer do transtorno. Nossa mente é como uma bagagem que temos. Por mais que as malas se pareçam, são diferentes, quer dizer seus conteúdos são diferentes, a depender do seu dono, da sua vida, da sua experiência de vida, das suas crenças, da sua instrução, da sua educação ou do seu caráter.
Voltando ao derrame, o nome já está dizendo que alguma coisa derramou, entornou, vazou. É isto mesmo, porque algumas vezes o que acontece com a pessoa que tem essa doença é que uma veia se rompe dentro da cabeça e uma parte do cérebro fica sem o alimento necessário e começa a morrer. Mas nem sempre as coisas acontecem assim. Pode ser que uma veia fique entupida e o sangue não possa chegar a uma parte do cérebro e ele, porque não tem o alimento necessário que está no sangue, também começa a morrer. Então, como vocês podem ver, o chamado derrame cerebral, que significa derrame no cérebro, é na verdade um acidente que tanto pode ser um rompimento, como também um entupimento de uma veia. Por este motivo é que os médicos costumam chamar a esta ocorrência com o nome de acidente vascular cerebral. É portanto um acidente que acontece no vaso, que quer dizer veia, dentro do cérebro. Dependendo da extensão do acidente, do tamanho da parte atingida, será mais ou menos grave. Existem casos em que o doente morre porque não suporta o tamanho do acidente. Em outros, ele fica prejudicado para o resto da vida. Mas também existem casos em que a pessoa melhora e ainda outros em que a recuperação é tamanha que até se pensa que aquela pessoa não sofreu o acidente. De qualquer modo, os cuidados que se tenham com os doentes de AVC, acidente vascular cerebral, vão ajudar ou não na recuperação. É importante que façam fisioterapia, que façam exercício e, sobretudo, que tenham grande força de vontade. Isto não é uma coisa fácil, porque as doenças em geral e principalmente uma doença dessa natureza, costuma levar o doente a um estado de tristeza e desânimo que enfraquece sua vontade, podendo até levar a uma depressão.
Alguns, que têm derrame ou outra doença assim que limite sua vida, se abatem, ficam arriados, se entregam e não fazem mais nada. É o desânimo que toma conta deles, às vezes até por doenças ou acontecimentos na vida bem menos graves. Uma paixão sufocada, uma separação, uma decepção, um prejuízo, pode levar pessoas a uma doença maior ainda, a depressão, que, por sua vez, pode prejudicar mais ainda, por exemplo quando passa a usar drogas, das quais a mais comum, porque é permitida, é o álcool, a bebida alcoólica, que acaba por arrasar a vida da pessoa e da família.
Felizmente, outras pessoas, que têm derrame ou mesmo uma doença como o câncer, encontram força e energia suficiente para não jogar a toalha, como se diz na luta de boxe, isto é, para não se render, não se entregar e neste caso lutam, pelejam, batalham, muitas vezes conseguindo resultados que parecem milagrosos. Aqui em nossa cidade, existem vários casos assim
Venho acompanhando de longe uma pessoa que teve um AVC, aqui no Morro do Chapéu, faz alguns anos. É um trabalhador, carpinteiro competente, que se chama Zé Índio. Logo que lhe aconteceu o acidente, fui à casa dele e o encontrei na cama, com um lado totalmente paralisado. Faz um ou dois anos, encontrei Zé Índio ali perto do ponto de táxi. Ia subindo devagar, sozinho, com u’a muleta, andando com grande dificuldade. Ele me disse que estava indo a uma casa rua acima, receber um dinheiro que alguém lhe devia. Andava, como eu disse, com grande dificuldade, para atender a um necessidade ainda maior, a da sobrevivência. Fiquei admirando aquele homem, com sua força de vontade, mas não pude deixar de pensar naquele que lhe estaria devendo o dinheiro e que não foi pagar-lhe em sua casa. Coisas da vida, coisas do nosso mundo, do único mundo que temos e no qual vivemos.
Faz duas ou três semanas, encontrei mais uma vez Zé Índio, na rua Nicolau Grassi, ali na frente da ETEC, onde vou frequentemente cumprimentar aquelas pessoas que ali trabalham com dedicação, competência e simpatia. Vi Zé Índio e fiquei surpreso com o progresso que está tendo, por esforço próprio, na recuperação das funções do braço e da perna, que tinham sido afetados pelo derrame. Suponho que se ele começar a fazer fisioterapia poderá recuperar-se mais fácil e rapidamente. Zé Índio me disse que aprecia muito as músicas de seresta e que escuta o prosa e verso todas as semanas. Pois, este programa de hoje é um tributo que faço a ele. E sei muito bem que ele, como todos vocês que estão ligados, estará ouvindo também esta canção.
Data do artigo: Quarta-feira, 6 dAmerica/New_York Ago dAmerica/New_York 2008 às 4:25 pm | Categoria : Prosa&Verso | Deixe um comentário
1 comentário para o artigo “Prosa & Verso 050 – DERRAME CEREBRAL, ENFRENTAMENTO E DESÂNIMO”
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Jorge Rocha, sexagenário, confia, como Demócrito, que tudo no universo é fruto da necessidade e do acaso. Cultua a filosofia do cotidiano, às vezes verseja e ocasionalmente é psiquiatra, para sobreviver.
Março 3rd, 2010 at 4:13 pm
Ola, li essa materia achei bacana.
Minha mãe em junho de 2008 teve um derrame isquemico por falta de oxigenacao no cerebro esta c uma carotida entupida ela teve do lado direito q afeta o esquerdo mas, grças a Deus esta muito consciente so n mexe a mão afetada nem consegue ficar em pé,a perna mexe mais o pe qdo a fisioterapeuta coloca ela p andar vira tbm ficou muito sencivel chora por besteira,se irrita com facilidade mais o melhor é q rir de tdo sempre a noite inteira e qdo saimos tbm, fala coisas c e sem sentido essa é a pessoa q mais amo no mundo e eu queria saber de vcs sera q um dia ela pode voltar a ser como era antes n digo 100% e andar quais são as chances?
obrigada