Qua 20 Ago 2008
Prosa & Verso 052 - RAIVA
Categoria: Prosa&Verso | Por Jorge Rocha
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Músicas tocadas neste programa: |
O assunto do programa de hoje é a raiva. Não a raiva, sentimento, mas a raiva, doença que ataca alguns animais, inclusive o homem, se for contaminado. De vez em quando o povo da roça passa um período assustado, evitando sair de noite, andando armado, ralhando para as crianças não se afastarem de casa. Dizem que é em agosto o tempo de cachorro doido, de cão danado, tempo de cachorro arruinado, de cão raivoso.
O povo conhece muito bem como é séria esta doença, chamada raiva, que, uma vez pegada, não tem tratamento, não tem cura. Parece que em certos meses do ano, agosto, por exemplo, a doença se alastra mais. E, pelas razões que a gente vai ver adiante, os cães são as primeiras vítimas e também os principais causadores desse alastramento da doença. Costuma-se chamar também a raiva pelo nome de hidrofobia, porém o nome mais correto, mais conhecido e mais fácil de usar é raiva mesmo. Não adianta muito apenas ter medo. É preciso conhecer, saber como são nossos inimigos, para podermos combatê-los bem. É por isso que temos que dedicar muito tempo em reuniões entre nós, em reflexões, para estudarmos e conhecermos a vida, as coisas, pessoas, etc, que nos prejudicam e que causam ou aumentam nossos sofrimentos, a fim de combater melhor esses inimigos. Assim é também com a raiva.
A raiva é uma doença causada por um vírus que ataca o cérebro dos animais, paralisando os seus músculos. Quer dizer, diversos músculos do corpo endurecem e o doente, animal ou gente, acaba morrendo por não poder comer, beber e finalmente respirar.
Há duas formas diferentes de raiva: a raiva paralítica, quando o animal cai dos quartos e a raiva furiosa, quando o animal corre doido. Qualquer das duas formas é mortal e pode dar em todo animal sujeito à raiva. É claro que a raiva furiosa é bem mais perigosa, porque o animal doente, correndo doido, sai mordendo o que encontra no caminho.
Ora, os vírus da raiva, embora ataquem o cérebro, ficam também no sangue e na boca, nas glândulas que produzem a saliva, o cuspe, a baba. Sendo assim, o animal doente, se vier a morder um animal são, passa para este os vírus da raiva que estão em sua baba, transmitindo a doença e assim o mal vai se espalhando. Uma vez pegada a doença, só resta mesmo é matar o animal raivoso e enterrar para evitar outras vítimas, uma vez que a doença não tem cura. Um animal raivoso, quando morto, deve ser enterrado para evitar também que outros animais comam sua carne e assim passem a transmitir a raiva também, porque os vírus passam da carne do animal morto para os que a comem.
Como diz o povo com muita sabedoria, é melhor prevenir do que remediar. Portanto é melhor alertar, porque tem gente que jura que sabe de alguém que foi ofendido por cachorro doido e que não pegou a doença nem morreu. É bom saber que existem outras doenças que atacam os cães e que dão a impressão de ser raiva. Por exemplo, uma doença chamada cinomose, que não pega no homem, mas é muito comum no cachorro.
Um folheto do SESP [Serviço Especial de Saúde Pública] descreve assim o cão raivoso: “Algumas vezes o animal torna-se triste e mais carinhoso que normalmente. Outras vezes ele se apresenta desconfiado, fugindo do próprio dono e escondendo-se pelos cantos escuros. Gradualmente o animal torna-se irrequieto, irritável e constantemente excitado; age como se estivesse louco, dando abocanhadas no ar como tentando apanhar moscas ou morder coisas inexistentes. A respiração torna-se difícil. No princípio, sente muita fome e sede intensa, logo mais começa a sentir dificuldades de engolir alimentos e água, terminando sem comer nem beber. Da boca escorre uma baba espessa e abundante. Late continuadamente, sem motivo aparente; seu latido é diferente do normal: é um latido rouco como se o animal tivesse um osso atravessado na garganta. Se preso, tenta escapar de qualquer modo, mordendo os ferros ou as paredes do local onde se encontra encarcerado. Se solto, sai de casa, caminhando sem descanso e sem rumo, atacando e mordendo tudo que encontra, pessoas, outros animais e até objetos. Por algum tempo o animal passa a sentir dificuldade em andar, sobrevindo paralisia nas patas traseiras. Somente com muito esforço pode ainda se arrastar. A paralisia evolui rapidamente, tomando todo o corpo até atingir a cabeça, vindo o animal a morrer completamente paralisado. A morte se dá de 4 a 7 dias após o começo dos sintomas.”
Existem outros modos de pegar raiva: por exemplo, se um animal raivoso morre e não é enterrado, outro animal que comer os restos vai pegar a doença. Também a raiva pode ser transmitida pelo morcego, pois este chupando o sangue do animal raivoso, vai acabar levando os vírus da raiva para os animais sadios dos quais ele for chupar o sangue adiante ou mesmo para o homem. O morcego torna-se mais perigoso, porque não fica doente de raiva, embora continue levando os vírus. É o chamado portador são.
Entretanto, é preciso saber que nem todo morcego transmite a raiva. Há muitas espécies de morcego, umas se alimentam de sangue e outras de frutas. E outras ainda de insetos.
Bem, sabendo disto tudo, resta perguntar como se deve fazer para se proteger desta doença tão temível. Em primeiro lugar, existem vacinas anti-rábicas, isto é, contra a raiva, para cães, que devem ser fornecidas obrigatória e gratuitamente pela prefeitura, através da secretaria da saúde. Uma vez vacinados, os cães ficam protegidos por um ano e as pessoas que vivem perto deles não correm perigo. Entretanto, se uma pessoa vacina seu cachorro e um vizinho não faz o mesmo, a comunidade continua a correr perigo. Se cada ano todos se empenharem em fazer vacinação dos cães, todos poderão estar seguros e protegidos contra a raiva. Mas atenção! Não se engane, porque a vacina não cura a doença. Apenas evita a doença. Se adoecer, morre.
No caso de alguém ser mordido por um cachorro e não tiver certeza de que o animal foi vacinado, deve ir logo a um posto de saúde para receber todas as orientações necessárias. Não vacilem. Outra coisa: não se deve matar um cão só porque mordeu alguém, se saber ao certo se está raivoso, pois isto complica as providências que terão de ser tomadas em relação à pessoa atingida.
Último aviso: quanto mais perto a mordida for do rosto da pessoa, mais perigosa se torna a transmissão do vírus, porque a doença vai aparecer num tempo tanto mais curto quanto mais perto da cabeça tiver sido a mordida.
Data do artigo: Quarta-feira, 20 dAmerica/New_York Ago dAmerica/New_York 2008 às 2:00 pm | Categoria : Prosa&Verso | Deixe um comentário
4 comentários para o artigo “Prosa & Verso 052 - RAIVA”
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Jorge Rocha, sexagenário, confia, como Demócrito, que tudo no universo é fruto da necessidade e do acaso. Cultua a filosofia do cotidiano, às vezes verseja e ocasionalmente é psiquiatra, para sobreviver.
Agosto 31st, 2008 at 11:02 am
gostaria de ouvir um programa sobre o sentimento de raiva
Setembro 10th, 2008 at 7:43 pm
Existe um gibi da Mônica q fala sobre a raiva.
Obrigada pelas informações!
Novembro 11th, 2008 at 11:06 am
Gostaria de saber mais informações sobre os procedimentos que devem ser tomados quando uma pessoa e mordida por um cão, ou outro animal que possa ser transmissor e em quanto tempo apos o acidente a vacina que injetam no hospital ainda pode resolver o problema do paciente, caso o animal esteje infectado.
Março 24th, 2009 at 1:43 pm
eu queria saber o seguinte uma cachorra com tres filhotes esta com cintomas de raiva começou hoje ela nao esta agreciva ainta so esta correndo se rumo e ela esta amamentando 3 filhotes de tres cemanas se for comfirmado a doença os filhotes estaram com o virus ou nao e se ela lambe a mao de uma pessoa tem perigo de pegar o virus ………pode ser que nao e raiva mas estou preucupado ela simplesmente começa de uivar alto e correr sem rumo…obrigado me mande uma resposta