um dia, julguei,

julgamento equivocado,

que o rochedo da castração

daria um termo

à minha jornada,

louca jornada,

de busca do nirvana.

 

acreditei,

oh! crença vã!

ser o auge da loucura

a santidade.

ser o fundo do poço

o píncaro d’alma.

ser o pico do viver

o mergulho.

 

depois, olhei e vi

o rochedo de sísifo:

o vão esforço,

interminável,

em sua sentença,

tentando realizar

o irrealizável.

 

prometeu, em sua rocha,

aguarda diuturna visita

do inseparável abutre.

noite após noite, respira,

reconstituição hepática,

sempiternamente aviva

a vida que a morte nutre.