Novembro 2008


Escute o Prosa & Verso 065

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Músicas tocadas neste programa:
anjos do inferno - sarambá
almirante e bando dos tangarás – batente
francisco alves – nem é bom falar
mário reis e francisco alves – o que será de mim
mário reis e Francisco alves – se você jurar
noel rosa e bando de tangarás – mulata fuzarqueira
noel rosa – com que roupa
jonjoca e castro barbosa - abandonado
altamiro carrilho, carlos malta e conjunto época de ouro – um a zero

Toda informação que recebemos no decorrer da vida vai sendo armazenada em uma parte de nossa alma, que Freud, o pai da Psicanálise, chamou de inconsciente. Nenhum dado se perde e em alguns momentos especiais uma lembrança brota desta memória arquivada e guardada e nos surpreende. Às vezes é um cheiro, outras vezes é u’a música que faz eclodir a lembrança que tínhamos e nem nos dávamos conta. Isto acontece com as informações que recebemos e também acontece com as vivências que experimentamos, principalmente com as vivências que foram refletidas e estudadas, que foram sentidas com significativa emoção. A cultura vai-se formando e sendo transmitida desta mesma maneira.

Este programa Prosa & Verso não pretende ensinar coisa nenhuma a ninguém. O que se pretende aqui é instigar, estimular, cutucar as pessoas que nos ouvem, para que pensem, reflitam sobre alguns assuntos que às vezes passam batidos. Pensar, refletir enriquece nossa alma e nos torna mais criativos.

Daí que qualquer assunto, mesmo o mais banal, pode ser motivo de enriquecimento interior, se for encarado criativamente.
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Escute o Prosa & Verso 064

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Músicas tocadas neste programa:
francisco alves - amor de malandro
mário reis - dorinha meu amor
francisco alves - é sim senhor
marcos sacramento - cansei
mário reis - meu amor vou te deixar
mário reis - vamos deixar de intimidade
carlos galhardo - gosto que me enrosco
izaura garcia - linda flor [ai ioiô] samba-canção
altamiro carrilho – graveto no choro

Pesquisando as origens do samba para fazer o prosa&verso das duas últimas semanas, fiquei surpreso com a quantidade de canções que restaram daquela época, início do século passado, que foram conservadas, algumas em gravações originais e outras e regravações, mantendo com fidelidade as letras e músicas. Então resolvi prosseguir hoje com o tema, só que desta vez rodando apenas os sambas que foram lançados e sobressaíram em 1929.

Como já sabem, o samba teve seu começo e sua infância nos ambientes populares dos subúrbios e dos morros do Rio de Janeiro, fazendo um confronto de preferências com as músicas de salão, apreciadas pelas elites e pela classe média urbana. Este samba que vão ouvir na voz de Francisco Alves chama-se Amor de malandro.
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Escute o Prosa & Verso 063

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Músicas tocadas neste programa:
almirante – esta nêga qué me dá [1921]
lira carioca - sete coroas [1922]
bahiano - tatu subiu no pau [1923 SP]
bahiano e maria marzulo – o casaco da mulata [1924]
fernando – sai cartola [1925]
pedro celestino – morro da mangueira[1926]
francisco alves – passarinho do má [1927]
frederico rocha – paulista de macaé [1927]
mário reis – a favela vai abaixo [1928]
francisco alves – malandragem [1928]
ivan meyer - vou vivendo

Faz perto de 90 anos que o samba nasceu no Brasil e na semana passada eu trouxe para este programa seis exemplos de como era o samba, quando ainda estava engatinhando. Desde que nasceu, no morro carioca, o samba vem evoluindo e passando por estágios diferentes e marcantes, cada momento com suas características próprias.

No começo, pode-se dizer que o samba era, em sua generalidade, ingênuo. Letras simplórias que às vezes só eram construídas para rimar. Aqui e ali, uma letra mais consistente. Durante a segunda metade da década de 20, o desenvolvimento do samba seguia uma linha bastante popular e falava com ironia, gozação e bom humor do contraste entre a vida burguesa das cidades principalmente do Rio de Janeiro, que era a capital federal e a vida nas favelas, no morro carioca. É a época que prenuncia o surgimento do samba malandro, que viria a acontecer poucos anos depois. Naquela época, há quase cem anos, já se fazia letra com duplo sentido. O samba que vão ouvir é de 1921 e se chama Esta nêga qué me dá, na voz de Almirante.
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Escute o Prosa & Verso 062

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Músicas tocadas neste programa:
almirante – pelo telefone
lira carioca – quem são eles
j. cascata e velha guarda – já te digo
mpb4 – pelo telefone
lira carioca – alivia estes olhos
mário reis – fala meu louro
izaltina e baiano – cangerê
pixinguinha – urubu malandro

O samba é uma invenção brasileira. Mas como acontece tanto na vida, dizia bem Abelardo Chacrinha que na televisão é assim também, nada se cria, tudo se copia. Às vezes, afirmar isto é injusto, porque alguém pode criar e, por coincidência, já haver uma idéia ou um produto bem anterior, com características muito parecidas com o que afinal foi inventado agora. Outras vezes, a semelhança da obra recente com a criação anterior é proposital, como uma homenagem ao artista anterior. Quando é cópia, chama-se plágio, mas quando é inspiração, chama-se homenagem. Então, quando digo que o samba é uma invenção brasileira, estou fazendo uma afirmativa que é baseada na informação corrente. Diz-se até que o primeiro samba gravado chama-se Pelo telefone e data de 1916 ou 17, sendo o autor um cidadão chamado Donga. É o que vamos ouvir, na voz de Almirante.
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