Escute o Prosa & Verso 072

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Músicas tocadas neste programa:
românticos de cuba - bolero
bievenido granda – perfume de gardênia
ray conniff – besame mucho
silas e seu trompete - coimbra
anísio silva – alguém me disse
elis regina – dois pra lá dois pra cá
altemar dutra – brigas
núbia lafayette – quem eu quero não me quer.
trio irakitan – aqueles olhos verdes
angélique kidjo – bolero de ravel
arthur moreira lima – chorinhos de ernesto nazareth

Estou trazendo um gênero musical que já fez muito sucesso e que parecia ter seus dias contados, aqui no Brasil, no final do século passado, mas que recebeu uma nova colher de chá, um novo alento, com algumas composições mais recentes e que ressoaram nas vozes de cantores de peso: é o bolero, gênero musical popular de origem espanhola, cantante e sobretudo dançante, marcado por castanholas e que já existia no início do século 19. Posteriormente, passou a chamar-se também de bolero um tipo de canção popular romântica latino-americana, especialmente do México e que se difundiu por toda a América do Sul.

Esta esta faixa tem o nome de Bolero, mas é um popurri. E a orquestra se chama Românticos de Cuba. Como logo se pode perceber, este ritmo latino se presta como uma luva à dança de salão. Daí seu grande sucesso, nos chamados anos de ouro, que é o período dos anos 50 e seguintes. Um outro cantor, também cubano, deixou sua marca como intérprete de boleros. Ele se chamava Bievenido Granda.

Vocês ouviram Perfume de Gardênia, na voz de Bievenido Granda. Nos Estados Unidos, uma orquestra de peso, a Orquestra de Ray Conniff, mundialmente famosa até os nossos dias, gravou também alguns boleros. Os discos de Ray Conniff foram uma presença constante nos bailes onde se praticava a dança de salão, por toda a segunda metade do século 20. E é com Ray Conniff e sua orquestra que vocês vão ouvir Besame mucho.

Aqui no Brasil, o bolero encontrou também um terreno fértil e floresceu, principalmente depois da metade do século, deixando saudade aos chamados pés-de-valsa, que aliás existem e brilham nos salões até hoje, inclusive aqui no Morro do Chapéu, nos bailes que nos acostumamos a chamar de serestas, atualmente ao som de Silas e seu trompete, por exemplo.

Você acaba de ouvir Cleová Barreto cantando Coimbra. Temos aqui em nossa cidade um outro cantor de boleros muito requisitado, que é Délcio Gama, dublé de professor, mas que lamentavelmente não consegui uma gravação sua para rodar hoje neste programa. Quem sabe, fica pra outra oportunidade… Vamos voltar a outros cantores românticos brasileiro, porque o bolero é um gênero musical preponderantemente romântico. Este cantor que vocês vão ouvir, quando começou a declinar, abandonou a carreira e passou a se dedicar ao gerenciamento de uma casa de diversões de sua propriedade. Anísio Silva vai cantar Alguém me disse.

Isto é o bolero, ritmo tão apropriado à dança romântica de salão, com seus famosos passos iniciais de dois-pra-lá-dois-pra-cá, como canta Elis Regina. Ouçam.

São dois pra lá, dois pra cá, mas também existem outras variantes, que tornam essa dança muito bonita de se apreciar e muito agradável de se executar. Existem pares que dão um verdadeiro show. Como em todo romantismo, o amor rima com dor, que é o que vamos ouvir neste bolero chamado Brigas, interpretado por Altemar Dutra.

Uma cantora de voz chorosa que deixou muitos fãs, cantora que foi influenciada por Dalva de Oliveira, a quem às vezes dá a impressão de que imita, é Núbia Lafayette. Núbia Lafayette cantava desde criança e se apresentava no palco com desenvoltura. Destacou-se como cantora de fossa, da chamada música de dor de cotovelo. Já falecida, continua a ser ouvida por seus admiradores, entre os quais está dona Aurora, ali da antiga padaria, de quem eu consegui esta gravação que vai ao ar neste instante.

Não podia deixar de mencionar o Trio Irakitan, de longa vida de sucessos, intérprete especial de boleros e outras músicas para dança de salão, cantando tanto em português como em espanhol. Pois aqui está o Trio Irakitan, com Aqueles olhos verdes.

Agora vamos sair do ritmo conhecido popularmente como bolero, com sua marcação inconfundível e eu trouxe pra apresentar a vocês esta peça linda da música espanhola, também chamada Bolero, cujo autor é o compositor clássico Maurício Ravel, razão porque ficou conhecida como Bolero de Ravel. Aqui vocês vão escutar na voz da cantora africana Angélique Kidjo

Fique ouvindo agora Chorinhos de Ernesto Nazareth, executado ao piano por Arthur Moreira Lima, porque afinal de contas um chorinho não faz mal a ninguém.