Escute o Prosa & Verso 073

Baixe o arquivo MP3

Músicas tocadas neste programa:
cascata de saudades – saudades de matão
carlos galhardo – bodas de prata
carlos josé – sonhei que tu estavas tão linda
dilermando reis – uma valsa e dois amores
francisco petrônio – terdes de lindóia
lúcio alves – valsa de uma cidade
chico buarque - valsinha
antúlio madureira – valsa para bilu
johann strauss – vozes da primavera
franz lehar – valsa da viúva alegre
tchaikovsky – a grande valsa de o lago dos cisnes
grupo vou vivendo - ternura

O conjunto musical Cascata de saudades , composto por Valdé, Alvino, Memeu, Jailton e Júnior César, nos traz hoje uma de suas interpretações, para iniciar este programa, que foi especialmente montado para mostrar este gênero musical que é a valsa, originária da Europa, da Áustria para ser mais exato. A valsa que o conjunto Cascata de saudades vai tocar se chama Saudades de Matão.

Há menos de cem anos a valsa ganhou, no Brasil, os salões de baile e também ocupou seu espaço nas serenatas, como eu mostrei na semana passada. Foi muito difundida por cantores populares famosos, mas também floresceu nas paginas eruditas, tanto na Europa como aqui no Brasil. Vamos escutar Carlos Galhardo, cantando Bodas de Prata. Em seguida, no mesmo estilo romântico e lento, Carlos José vai cantar Sonhei que tu estavas tão linda.

Tido, em sua época, como um dos maiores violonistas do Brasil, Dilermando Reis, além de executar músicas em salões, dava aulas de violão a pessoas da chamada alta sociedade. Diz Juca Chaves que Dilermando Reis deu aulas de violão inclusive ao presidente JK. Um exemplo de seu desempenho como instrumentista do violão é esta valsa que vocês vão ouvir e que se chama Uma valsa e dois amores.

Uma voz macia e aveludada fez de Francisco Petrônio um dos remanescentes da velha seresta e, como bom seresteiro, deixou para nosso prazer, entre outras canções, esta valsa Tardes de Lindóia, que expressa com grande fidelidade e emoção o entardecer de uma cidade do interior. Certamente numa época em que não haveria luz elétrica e que por isto as noites eram ainda banhadas pela luz do luar. Muitos dos que ouvem este programa provavelmente se sentirão tocados por esta valsa que vou rodar agora.

Desse período romântico e nostálgico, trago ainda na bela voz de Lúcio Alves esta música, que é u’a melosa declaração de amor à cidade do Rio de Janeiro. Era um Rio de Janeiro ainda manso, pacífico e, como foi chamado pelos seus poetas, a cidade maravilhosa. É, portanto Lúcio Alves quem canta pra nós a Valsa de uma cidade.

Os tempos modernos quase esqueceram as valsas. Os compositores se aposentaram dela. Quase que a juventude esquecia por completo as valsas. Restavam algumas que eram tocadas em circos e outras nos bailes de debutantes, que também praticamente desapareceram. Mas, um ou outro dos novos compositores ainda ousou compor uma ou umas poucas valsas. Uma delas, intitulada Valsinha vai ao ar agora, na voz de seu compositor, o talvez inigualável Chico Buarque

E ainda, para grande surpresa, surge recentemente uma outra valsa, linda em sua simplicidade, composta e executada por Antúlio Madureira. É a Valsa para Bilu. Ouçam, então.

Bem, meus amigos, aí estão amostras, simples amostras das valsas compostas por músicos brasileiros. Umas delas fizeram grande sucesso e outras são praticamente desconhecidas do público, mesmo porque o público juvenil, vocês me desculpem, parece gostar mais de ruídos do que de música. Sem ressentimentos e sem saudosismo. Mas hão de compreender que, tendo mais de 60 anos, ainda me deliciei com muitas das músicas que tenho trazido para este Prosa & Verso, como também vi o surgimento dos Beattles, da Bossa Nova e da Jovem Guarda. Entretido que fiquei com minhas lutas da idade madura, deixei passar sem ter apreciado significativa fase da nova MPB. Este é um programa que pretende ser, mesmo que modestamente, um programa cultural, um programa educativo. Então, como estava falando de valsas e, considerando que a valsa nasceu na Áustria, trago pelo menos uma das valsas de Strauss, cujo nome é Vozes da Primavera.

Já que trouxemos um clássico e que os ouvintes deste programa merecem e têm minha consideração, vou transmitir em seguida outra valsa clássica, que merece ser ouvida e saboreada. Trata-se da Valsa da Viúva Alegre, composta por Franz Lehar.

Finalmente, para dar início ao encerramento da edição de hoje, tenho a satisfação de apresentar uma valsa russa, da autoria de Tchaikovsky, o grande compositor da não menos célebre ópera O Lago dos Cisnes. O que vão ouvir agora é a Grande Valsa de O Lago dos Cisnes.

Por hoje é só.
Fique ouvindo agora Ternura, a cargo do grupo Vou Vivendo, porque afinal um chorinho não faz mal a ninguém.