Escute o Prosa & Verso 075

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Músicas tocadas neste programa:
luana reis – loucura da arte
babalé e chico leite – cordas e voz
denise reis – do além
denise reis – a estrela
chico leite – três poderes
minerva e lira morrense – obedece a quem sabe
jomarito guimarães – saxofone, por que choras?

Retomando um dos propósitos do Prosa & Verso, vamos nos ater hoje apenas a Morro do Chapéu e à sua produção artística, no mundo da música.
A Sociedade Filarmônica Minerva tem sido responsável por eventos que estimulam a produção musical de Morro do Chapéu e que dão lugar a uma oportunidade especial para a divulgação dessa arte. No último natal, chegou às minhas mãos o CD do 9º FEMUP, Festival de Música Popular. O CD foi gravado nos meses de dezembro de 2006 e janeiro de 2007 e me foi presenteado por Jailda Miranda, conhecida poetisa desta terra e autora de duas das letras do repertório que vou mostrar. Escutem Luana Reis cantando Loucuras da arte, letra e música de Jailda Miranda e Denise Reis.

Numa terra de músicos, uma de suas maiores expressões práticas vem de dar também uma contribuição teórica, para conhecimento geral. Vou transmitir um artigo escrito pelo maestro prof. Jomarito Guimarães, intitulado Música em pauta. Começa o prof. Jomarito dizendo: “A música é a arte sonora de percepção auditiva e seqüencial. A matéria prima é o som. Os sons existem enquanto os intérpretes cantam, tocam ou declamam. A origem da música perde-se, como dizem os historiadores, na noite dos tempos. Não há povo antigo no qual não se encontrem manifestações musicais. No homem primitivo, a linguagem musical, em forma rudimentar precedeu a linguagem propriamente dita. A música não é uma invenção humana; foi sugerida ao homem pela própria natureza: o homem não fez mais do que apropriar-se para fins expressivos e artísticos, de elementos e manifestações já existentes no mundo e no seu próprio organismo. Ouçam, de Bárbara Ariela e Antonio Lélis, Cordas e voz, na interpretação de Babalé e Chico Leite.

Prossegue o prof. Jomarito, dizendo: Tudo na natureza se realiza em ritmo e não somente nos fatos físicos. Nos próprios organismos vivos muitos movimentos se realizam em rítmica regularidade: o coração bate a tempo, respiramos a tempo – diz-se também que tanto o coração quanto a respiração realizam um movimento ternário, já que um dos movimentos oscilatórios dura o dobro do outro -. A espécie humana desde o momento inicial, sentiu sempre em tomo de si, (sem ter consciência dos sons harmônicos) essa harmonia natural que acompanha todos os sons que se produzem na natureza, do rugido do mar tempestuoso ao canto das aves, da água que docemente cai numa cascata à voz do próprio homem. A música é desde os primórdios, o meio de comunicação mais completo entre a criatura e o Criador. Vão ouvir agora Do além, letra e música de Tiago Oliveira, na voz de Denise Reis.

Em seu artigo, o prof. Jomarito Guimarães dá alguns esclarecimentos sobre as características da música. Ensina que: Ela é composta de três elementos fundamentais: harmonia, melodia e ritmo.
Harmonia - É a ciência que estuda os acordes (combinação de três ou mais sons simultâneos diferentes) e as relações entre eles. É o aspecto vertical da linguagem musical. Como exemplos temos os violões, guitarras, pianos (instrumentos harmônicos) que fazem a harmonia quando acompanham um cantor.
Melodia - É a combinação de sons sucessivos (um após o outro). É o canto do intérprete ou o solo de um instrumento. É o elemento mais associado à palavra música.
Ritmo - Movimento ordenado dos sons no tempo.
Continue ouvindo as músicas concorrentes do 9º FEMUP, desta vez com A estrela, letra e música de Jailda Miranda e Denise Reis, interpretada pela própria Denise.

Continuando em seu artigo, o prof. Jomarito tece considerações também sobre o que são arranjos musicais. Ele diz: Sendo uma Filarmônica composta por instrumentos melódicos (tocam uma nota de cada vez) a harmonia (com acordes de três ou mais sons diferentes) é distribuída entre vários instrumentos que tocarão as diferentes notas de maneira simultânea. O entrelaçamento entre harmonia, melodia e ritmo deve ser feito de maneira precisa para o arranjo soar bem e encorpar o som da banda. Um bom arranjo necessita também de músicos que toquem de maneira afinada para que ele surta o efeito desejado e faça a diferença entre Filarmônica e Charanga. Em uma Filarmônica, os elementos musicais são ouvidos de maneira distinta; na Charanga (também chamada de Furiosa) só se ouve a melodia estridente e a percussão ensurdecedora. Agora Chico Leite vai cantar, de sua autoria, Três poderes.

Completando seu artigo, conclui o prof. Jomarito, dizendo: Atualmente, a maioria das Filarmônicas possui arranjos bem elaborados diversificando os estilos pois querem que elas só executem dobrados mas não fazem eventos para que este andamento marcial (Allegro) seja tocado. Não podemos esquecer que isso começou com Getúlio Vargas (Estado Novo) que colocou as Filarmônicas nas ruas tocando Dobrados, com as escolas públicas marchando atrás, carregando o retrato do governante brasileiro. Era o incentivo ao nacionalismo ditatorial que felizmente passou mas não deixe a banda passar, faça parte dela. Filarmônica em uma cidade do interior além de despertar talentos e encaminhá-los para uma formação acadêmica tem a função de desenvolver nos jovens o equilibro, a auto-estima, a integração social, os princípios éticos e de cidadania. Ouçam agora, fugindo do repertório do 9º FEMUP, um dobrado morrense, composto por José Pereira da Silva, dobrado que se chama Obedece a quem sabe. A execução é por conta da parceria das duas filarmônicas co-irmãs desta cidade: Minerva e Lira morrense.

As músicas que vocês ouviram no decorrer do programa de hoje fazem parte do repertório do 9º FEMUP, Festival de Música Popular de Morro do Chapéu, evento comemorativo do centenário da Sociedade Filarmônica Minerva.
Fique ouvindo Jomarito Guimarães, executando em seu sax tenor, Saxofone, por que choras? Porque na verdade um chorinho não faz mal a ninguém.