Escute o Prosa & Verso 076

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Músicas tocadas neste programa:
rodrigo araújo – o doce da vida
lidielson araújo - esperança
andré marques – cantando fora de hora
clendson barreto – dois motes e um cantador
laércio beethoven - maravilha
valdir azevedo - camundongo

Ainda retomando um dos propósitos do Prosa & Verso, vamos nos ater novamente hoje apenas a Morro do Chapéu e à sua produção artística, no mundo da música. Vamos voltar ao 9º FEMUP, Festival de Música Popular, que aconteceu em fins de 2006 e cujo CD foi gravado nos meses de dezembro de 2006 e janeiro de 2007. Vou continuar transmitindo as músicas que participaram do festival, inclusive 4 das classificadas, duas das quais ficaram no topo do placar, o 2º e 1º lugares. Ouçam agora O doce da vida, composição de Wanda Góis e Nem, na voz de Rodrigo Araújo.

No século 16, viveu na Inglaterra um homem chamado Thomas More, que era Juiz e foi Chanceler do Rei Henrique VIII. Este homem, com H maiúsculo, teve sua cabeça cortada fora, por ordem do próprio rei. Thomas More preferiu ser condenado à morte do que apoiar os atos do rei Henrique VIII, que, dizia ele, iam contra sua consciência. Esse homem notável deixou um livro escrito chamado A Utopia, que fala de um país imaginário onde todos eram de fato iguais perante a lei, onde a justiça era praticada por cada um e por todos, onde havia uma divisão de trabalho que deixava a todos satisfeitos, cada qual fazendo suas atribuições de acordo com sua capacidade e cada qual recebendo sua parte de acordo com sua necessidade . Daí vem a palavra utopia, que é empregada no sentido de sonho, ilusão, coisa impossível. Impossível, mas desejável. As pessoas não são iguais em sua aparência, em sua saúde, em suas qualidades nem em seus defeitos. Nem podem ser iguais quanto a isto. Mas podem muito bem ser iguais quanto aos direitos naturais e aos civis, mesmo que cada um tenha seu ofício, seu trabalho, diferenciado. Fique ouvindo Esperança, música que conquistou o 5º lugar no 9º FEMUP. Composta e interpretada por Lidielson.

Nossa sociedade, longe, muito longe de ser a harmônica Utopia de Thomas More, tem aspectos que seriam simplesmente estarrecedores, se não fossem mais ou menos triviais, corriqueiros e que nos deixaram já calejados e insensíveis. Alguém coloca um rim à venda, na internet. Todos parecem se horrorizar. O radialista exclama e interroga: A que ponto chegamos!? A que a humanidade chegou?! Onde vamos parar? Uma pessoa colocando parte do seu corpo à venda?! Fico pensando nos absurdos que são cometidos e que passam batidos por nós, que nem nos chamam mais a atenção… Por exemplo, Mulheres que vendem seu sexo e, de quebra, vendem seus corpos em troca de comida, mas muitas vezes em troca de dinheiro, de segurança, de comodidade. E os trabalhadores? Não vendem seu esforço, seu conhecimento, seu tempo, suas habilidades, o que aliás pode significar sua própria vida? Os marqueteiros e os atores da propaganda, esses então, que vendem sua aparência e sua voz, uma falsa imagem, quando mentem e não sentem, para convencer as pessoas comuns a comprar, a comprar, a comprar, sem o menor discernimento se o que estão comprando é de boa qualidade ou simplesmente lhes é útil… São apenas alguns exemplos. Olhem em sua volta que encontrarão muitos outros… Bem: Vamos voltar às músicas de hoje. Vem aí o intérprete e autor da música que ocupou o 4º lugar no 9º FEMUP: Com vocês, André Marques, Cantando fora de hora.

Um concurso, o nome está dizendo, é uma concorrência, uma competição, uma disputa. Os candidatos inscritos correm em busca de um prêmio, um reconhecimento pelo que estão apresentando. Considero que um festival em si não é necessariamente um concurso, uma competição. Um festival é uma exibição e muito do que é mostrado pode ficar sem prêmio, a juízo da mesa de jurados, Mas não sem reconhecimento do público. Ou mesmo sem reconhecimento de algumas pessoas que façam parte do público. Nem sempre o que a maioria prefere é de fato o melhor. Mas os que estão disputando querem os primeiros lugares. Pois aqui estão os primeiros lugares do concurso do 9º FEMUP. Com vocês a segunda colocada, Dois motes e um cantor autoria da dupla Clendson Barreto e André Marques, na voz de Clendson Barreto.

No evangelho segundo Mateus, consta que Jesus de Nazaré, em quem nossa civilização ocidental se diz inspirar, teria dito claramente que não veio trazer a comodidade, mas o inconformismo. As palavras retiradas diretamente do texto dizem assim: Não julguem vocês que vim trazer a paz à terra. Vim trazer não a paz, mas a espada. Eu vim trazer a divisão entre o filho e o pai, entre a filha e a mãe, entre a nora e a sogra. Os inimigos do homem são as pessoas de sua própria casa. É duro, mas quem foi que disse que a sinceridade é doce e suave? O bom necessariamente não é agradável. Aliás, em geral o agradável é até mesmo justamente o que não é bom. A sabedoria popular nos ensina: quem avisa amigo é. Mas o bajulador costuma tapear. E costuma ser muito agradável. Finalmente aqui vai a canção classificada em 1º lugar no 9º FEMUP. Vamos ouvir Laércio Beethoven cantando Maravilha, de sua autoria.

As músicas que vocês ouviram no decorrer do programa de hoje fazem parte do repertório do 9º FEMUP, Festival de Música Popular de Morro do Chapéu, evento comemorativo do centenário da Sociedade Filarmônica Minerva.
Fique ouvindo Valdir Azevedo o chorinho Camundongo. Porque um chorinho não faz mal a ninguém.