Qua 25 Mar 2009
Prosa & Verso 082 – CANÇÕES COM SILVIO CALDAS e EDUCAR PARA A CIDADANIA
Categoria: Prosa&Verso | Por Jorge Rocha|
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Músicas tocadas neste programa: |
No dia 3 de fevereiro de 1998, morreu Sílvio Caldas. Você sabe quem foi Silvio Caldas? Pois, Silvio Caldas nasceu e foi criado no bairro de São Cristóvão, no Rio de Janeiro. Seu pai, que era afinador e consertador de pianos e também compositor com várias músicas publicadas, tinha uma pequena loja de instrumentos musicais e foi aí que Silvio Caldas deve ter-se iniciado na arte da música, embora tenha sido praticamente criado por uma vizinha, que no Carnaval formava o Bloco da Família Ideal com parentes e amigos. O pequeno Sílvio, chamado de Rouxinol da Família Ideal, cantava cavalgando o pescoço dos remadores de São Cristóvão.
Participava de festas, dançava e sapateava nas mesas dos bares, e cantava nas reuniões de amigos e com seis anos cantou um samba de bloco no Teatro Fênix, levado pelo pai, durante conferência literária.
Começou a trabalhar aos nove anos como aprendiz de mecânico e, aos 16, em 1924, saiu de casa para trabalhar em SP, onde foi leiteiro e exerceu outras atividades, como lavador de carros, cozinheiro de turma, motorista de caminhão e mecânico de manutenção dos caminhões das obras da estrada Rio-São Paulo. Quando voltou ao Rio de Janeiro, foi ouvido numa seresta por um cantor de tangos, que o levou à Rádio Mayrink Veiga. A partir de então, uma vida de sucessos.
O samba Faceira, de Ary Barroso, foi seu primeiro sucesso em disco. No mesmo ano, gravou ainda o samba-canção Maria, também de Ary Barroso em parceria com Luiz Peixoto. Este samba se tornou um clássico, que agora vamos ouvir.
Depois dessa arrancada, este grande seresteiro só teve sucessos em toda a sua vida, nunca amargou fases de baixa qualidade, como tanto acontecer a muitos artistas. Manteve assim sempre um bom nível em sua arte de cantor. Em 1992 recebeu a Medalha de Machado de Assis, concedida por unanimidade pela Academia Brasileira de Letras, por proposta de Jorge Amado. Viveu seus últimos 40 anos em seu sítio de Atibaia SP, onde veio a falecer há onze anos. Vou rodar um samba-canção de Fernando Lobo, gravado por ocasião da morte de Noel Rosa, pelo próprio Silvio Caldas, que se chama Violões em funeral.
Lembrando portanto os onze anos morte de Silvio Caldas, estou trazendo hoje algumas canções interpretadas por ele. Mas antes vamos voltar para Morro do Chapéu e comentar um fato daqui da região. Com a chegada abençoada das chuvas, o tema deste comentário de hoje fica parecendo um tanto quanto fora de hora. Mas, pensando bem, é nos tempos das vacas gordas que se previne a chegada dos tempos das vacas magras. E assim acontece com a educação também. A gente se educa a todo momento e não apenas nas horas difíceis. Este negócio de dar um jeitinho nas coisas, sem programar, sem planejar, chama-se jocosamente administração de susto. E administração de susto é uma prática nociva, lamentavelmente tida como bem brasileira, pela insistência do costume de assim proceder em nosso país, da maior autoridade ao mais humilde servidor. É por isso que trago aqui, agora, este comentário, seguindo a sabedoria popular que diz claramente que é melhor prevenir do que remediar. E a melhor forma de prevenir é a educação. Educação de todos nós, jovens e adultos, homens e mulheres.
Faz uns três meses, em um posto de gasolina perto daqui, havia uma pequena fila de carros esperando a vez de abastecer, quando desceu um homem de seus 28 ou 30 anos, sacou um cigarro da carteira, riscou um fósforo e acendeu o cigarro.
Ora, naqueles dias estavam sendo freqüentes as notícias de incêndios na região da chapada, incêndios estes de que em geral não se consegue descobrir a causa. E ali estava, junto às bombas de gasolina, um adulto de 28 a 30 anos, motorista de um carro com passageiros, irresponsavelmente acendendo um cigarro pertinho do abastecimento da gasolina, enquanto que por cima de sua cabeça, logo ali colado na coluna estava um cartaz bem grande que dizia: É proibido fumar nesta área.
Que fazer? Aparentemente, as pessoas que se encontravam no local ficaram visivelmente constrangidas, mas nada disseram, não interferiram, pois certamente não queriam desagradar o inadequado fumante. Nisto, um cidadão de idade que estava no local resolveu mostrar ao fumante imprudente que havia um cartaz de proibição de fumar, colado na parede bem ali.
Debochadamente, o cara do cigarro respondeu, rindo: fique tranqüilo, não se preocupe não, que não tem perigo. E continuou impassível a fumar seu cigarro. E todos os que ali estavam continuaram submetidos ao risco de uma explosão, enquanto o irresponsável permanecia fumando, com a maior cara de pau.
Agora eu pergunto: Isto é liberdade? Ou, pelo contrário, não será isto um abuso que a rigor deveria ser coibido, já que o próprio infrator das normas de segurança não tem desconfiômetro nem escrúpulo nem educação para regular seu próprio comportamento?
Você, que está ouvindo, que é que você acha?
Direito tem quem direito anda. É um slogan usado nos sindicatos que pode muito bem ser estendido à convivência na sociedade.
Cada um de nós tem o dever de refletir sobre estas coisas e de procurar adequar seu comportamento, para possibilitar uma convivência social saudável e construtiva. É na conduta do indivíduo que começa a se formar sua consciência de cidadão. E que pode começar a se operar u’a mudança na sociedade. Pra melhor. É o que nós queremos e é o que vocês certamente querem. Compreendo perfeitamente que faz parte do pensamento rebelde dos jovens insurgir-se contra a autoridade. Faz parte da vitalidade da juventude a contestação dos costumes, das regras e até, usando uma palavra extravagante, a transgressão das normas. Aos jovens é facultada a tolerância até mesmo quando transgridem a Lei. Por isto é que existe o expediente jurídico chamando de réu primário atribuído àquele que comete um crime pela primeira vez. E, naturalmente, quem é réu primário goza de maior tolerância no seu julgamento e na sentença de sua punição. Só que a tolerância não pode transformar-se em permissividade. Não me canso de repetir que errar é um atributo humano e que o erro pode muitas vezes levar ao acerto no momento seguinte. Acontece porém que se não temos consciência de refletir e avaliar nossos erros, se não temos humildade para reconhece-los, vamos acabar repetindo e repetindo, e vamos nos tornar, como se diz na linguagem comum, useiros e vezeiros. Neste caso, não se justifica a tolerância. Para corrigir um useiro e vezeiro, que não faz qualquer movimento para se corrigir, não há outro recurso senão a repressão e o castigo. É deste modo que funciona o convívio social.
Fique ouvindo Noites cariocas, com o conjunto Época de ouro, porque um chorinho não faz mal a ninguém.
Data do artigo: Quarta-feira, 25 dAmerica/New_York Mar dAmerica/New_York 2009 às 4:01 pm | Categoria : Prosa&Verso | Deixe um comentário
3 comentários para o artigo “Prosa & Verso 082 – CANÇÕES COM SILVIO CALDAS e EDUCAR PARA A CIDADANIA”
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Jorge Rocha, sexagenário, confia, como Demócrito, que tudo no universo é fruto da necessidade e do acaso. Cultua a filosofia do cotidiano, às vezes verseja e ocasionalmente é psiquiatra, para sobreviver.
Março 28th, 2009 at 12:57 pm
Que maravilha esse programa!!!
Toda semana leio e escuto o programa. É bom saber que existem programas que abordam temas tão esquecidos pela sociedade.
Você, Jorge Rocha, nos passa seu incrível conhecimento, selecionando a cada frase palavras que não deixem dúvida quanto a sua opinião!!!
Parabén e continue mantendo o padrão de seus artígos!!!
Um abraço!!!
Carlos Diniz
Abril 13th, 2009 at 9:40 pm
Amigo Jorge,
Liberdade e direito mim parece que estão sendo distorcidos, hoje a maiorias das pesssoas acham que liberdade e direito é ouvir um som alto, é parar o carro no meio da rua, e furar a fila do banco, buzinar na porta dos outros a qualquer hora, etc…Acho que essas pessoas perderam a noção das coisas, e não tem o menor senso crítico, e além de tudo ainda acham que tem direito, como este rapaz que você Jorge comenta que acendeu um cigarro no posto de gasolina. Concordo com o slogan quando diz que direito tem que direito anda. Abraço.
Maio 12th, 2009 at 3:35 pm
Amiltom o contador de hestoria
Domingo passado eu fui pescar
Lá no pantanal
Fui eu seu Wilson e a Tatá
O Aroldo e o Lourival
O Marco Antonio e o tio do bar
O Paçoca e o Mial
O Ney o Juninho e o Vava
No caminho tinha barreira fiscal
E não deixaram nos passar
Tomaram nosso pial
Só deixaram CD e cara
O Hamilton era o policial
E começou a falar
-Eu na vida sempre fui mal
-E a sua barra eu não vou livrar
-Fiquem quietos se não vão levar pau
-De bambu que é pra não quebrar
-E ainda vou jogar sal
-Que é pra mosquito não assentar
-Ta vendo ali aquele animal?
-O jacaré de muleta
-Você já viu algo igual
-Não precisa fazer careta
-Foi com um golpe fatal
-Que eu fiz sete jaquetas
-Eu não sou paranormal
-E não vim do alem
-Eu tenho couro de onça no varal
-Isso me faz bem
-Olha ali dez bugios no cipó
-Fiquem quietos para não atrapalhar
-Vou matar todos com um tiro só
-Não precisam se assustar
-Desses bichos não tenho do
-Vão fazendo uma fogueira para assar
-Que não vai sobrar nem pó
-E vocês ainda vão me agradecer
-Por não terem ido à pensão da vovó
-Lá é só escurecer
-Que ela engata com o totó
-E vocês não vão querer ver
-Uma orgia ao som de forro
-Sentem-se e vamos comer
-E chega de trololó
-Porque agora eu vou contar
-Uma estória de traição
-De uma jovem mal amada
-Que saia com um peão
-Da construção de uma estrada
-Onde seu esposo era engenheiro
-E não ligava pra coitada
-Ai ela traia seu companheiro
-No meio do matagal
-E foi com um bote certeiro
-Que uma cobra coral
-Picou a sua perseguida
-E como não tinha hospital
-E ela perdeu a sua vida
-Por uma cobra mortal
-Essa linda moça aguerrida
-Só queria dar uma metida
-Pois ela era muito querida
-Por todo aquele pessoal
-E só para terminar
-Vocês podem voltar
-Depois do natal
-É que vai ta quente e vai ser melhor
-E vamos usar dourado
-Pra pegar peixe maior
-Olha ali aquele banhado
-Ali a gente pinga de suor
-De tanto pegar pintado
-E outros que não me lembro de cor
-Ali nos usa um machado
-Pra matar peixe menor
-Os grandinhos a gente deixa desnorteado
-E leva com um rebocador
-Eles são todos guinchados
-Com anestesia que é pra não sentir dor
-Ai eles são pesados
-E os que forem mais leve que um trator
-A gente joga no alagado
-Que é pra eles ganhar mais sabor
-Não pensem que esta acabado
-E nem que isso é historia de pescador
-Porque agora eu vou alertar
-Aqui só sobrevive bom caçador
-Cuidado com os bois bravo
-E fiquem atentos quando a onça miar
-E que as formigas cortam o cercado
-E o gado sai pra pastar
-E as onças sentem o cheiro dos amedrontados
-E qualquer um ela pode pegar
-Não estraguem o seu feriado
-E comecem logo a rezar
-Ou entrem naquele buraco
-Vocês podem se esconder lá
-E se não tiverem muito cansados
-Um deles vara lá no Paraná
-E não fiquem preocupados
-Esses cupins são os mesmos que cavaram
-O metro do Ceará.