Músicas tocadas neste programa: nelson gonçalves – será que nunca me amaste?
noedson - passageiro
dalva de oliveira – que será?
ciro monteiro – o que se leva dessa vida
doris day – que será será
Uma fábula antiga conta que uma raposa que vinha pela estrada encontrou uma parreira com uvas madurinhas. Passou horas pulando tentando pegá-las, mas sem sucesso algum… Saiu murmurando, dizendo que não as queria mesmo, porque estavam verdes. Quando já estava indo, um pouco mais à frente, escutou um barulho como se alguma coisa tivesse caído no chão… voltou correndo pensando serem as uvas, mas quando chegou lá, para sua decepção, era apenas uma folha que havia caído da parreira. A raposa decepcionada virou as costas e foi-se embora, dizendo: ora, também as uvas estavam verdes…
Assim quantas vezes também nós nos iludimos e arranjamos uma desculpa, apenas para não encararmos de frente a verdade que nos decepciona? Leia mais…
Músicas tocadas neste programa: nat king cole – aqui se habla em amor
ângela maria – onde estás, coração?
nelson gonçalves – carlos gardel
carlos gardel – la cumparsita
juan cambareri y su quarteto – milonga de mis amores
josé caldara y su quarteto com rodolfo lesica - uno
carlos lombardi – el dia que me quieras
leopoldo federido y su orquestra com aldo fabre – adios muchachos
altamiro carrilho – chorinho didático nº 12
Um dia desses, um cidadão daqui do Morro entrou neste estúdio e me viu apresentando o Prosa&verso. E me perguntou se eu estava apaixonado. Fiquei rindo porque sei que o gosto pelo belo, pela arte, pela música é tido como fraqueza, como também é encarado como fraqueza o fato de um homem chorar. Na infância, se ouve muito esta bobagem, tipo: Homem não chora! Não demonstre sua fraqueza! Além de fraqueza, a sensibilidade é frequentemente vista como frescura ou como manifestação de quem está apaixonado. Se você ouve o Prosa&verso, já deve estar sabendo que eu, pelo menos, não penso assim. Que acho a fraqueza e o erro atributos humanos, que uns escondem e outros não. E que também acho que a paixão, como o sarampo, é uma doença que quase todos nós experienciamos… Leia mais…
Músicas tocadas neste programa: augusto calheiros – dúvida
raça negra – ciúme de você
orlando dias – ciúme de tudo
elton medeiros – ciúme doentio
andrea costalima - nunca e louco
raul seixas – a maçã
marisa monte e conjunto época de ouro – onde andarás
Ainda sobre o chamado relacionamento amoroso, cumpre dizer que algumas afirmações frequentemente ouvidas e mesmo repetidas por nós, aliás, pela maioria das pessoas, devem ser repensadas direitinho. Muita coisa que aprendemos no decorrer da vida e acreditamos durante longo tempo não passa de enganos. E as crenças, certamente mantidas por muito tempo e por muitas pessoas, tomam o caráter de verdades intocáveis. Talvez a pior mentira seja a verdade intocável. Então escutamos, e repetimos muitas vezes, que o ciúme é um sinal de amor e que não tendo ciúme não é amor. Ora, suponho que ninguém pode definir com precisão o que seja o amor. Mas cada um de nós pode lançar um olhar crítico sobre isto e não só pode, mas deve refletir sobre o que seja o amor. Muito se tem dito a respeito, muitas poesias têm sido feitas, muito estudo tem sido realizado sobre o assunto. Mas nós continuamos ignorantes. Na verdade, não quero aqui falar do amor, mas da paixão, do ciúme, da posse, que são certamente doenças do afeto. Leia mais…
Que dizer a respeito do dilema primordial a que se refere Albert Camus, em A Lenda de Sísifo? Escolher entre viver e morrer? Não se pode, porque viver não é uma escolha. Morrer pode ser, mas viver não! O máximo que se pode escolher é deixar-se viver, deixar-se morrer ou suicidar-se [dar-se a morte a si mesmo, sui sibi mortem dare]. Leia mais…
Músicas tocadas neste programa: jamelão – nervos de aço
gastão formenti – arrependimento
núbia lafaiette - lama
jamelão – vingança
chico buarque – uma canção desnaturada
época de ouro – um a zero
Tendemos a pensar que a paixão é um amor forte e ardente, que a paixão é desejável, que estarmos apaixonados é uma felicidade. Ficamos iludidos quando alguém se apaixona por nós ou quando imaginamos que isto venha a acontecer. Por outro lado, nós em geral achamos que o contrário, o oposto, o inverso do amor é o ódio. Ledo engano. Mais uma das ilusões da vida, porque a maior parte do que acreditamos em nossas vidas não passa mesmo de engano, de ilusão. E quanto mais temos certeza, mais iludidos estamos. No caso específico das chamadas relações amorosas, o engano é flagrante. Isto se pode comprovar no fato corriqueiro de que pessoas, antes apaixonadas, virem a mesa e se tornem inimigas ferozes, quando supostamente uma teria traído a outra. A que se sente traída, desabafa com amargura, dizendo-se decepcionada. A dor da perda resulta em lamentação, em baixa auto-estima e daí em impulsos violentos e destrutivos. Paixão e ódio são duas faces de uma mesma moeda. Leia mais…
Músicas tocadas neste programa: adoniran barbosa - samba do arnesto
nelson gonçalves - aos pés da santa cruz
juca chaves – pena preta de urubu
teresa cristina e grupo semente – jurar com lágrimas
paulinho da viola - por que mentir
valdir azevedo – choro negro
Dia da mentira! É assim que a gente encara o dia 1º de abril. Todo mundo desconfia de que a gente está brincando quando a gente conta alguma coisa ou tenta marcar um compromisso para esta data. De onde vem esta tradição?
Parece que tudo começou na Europa, no século 16. Naquela época, o calendário usado era diferente do nosso. Era o calendário juliano, com o ano novo começando no mês de abril e não em janeiro, como atualmente. O calendário juliano começou a vigorar 50 antes de Cristo e seu nome decorre do nome do imperador romano, que se chamava Júlio César. O calendário juliano substituiu o calendário romano. Pois bem, 1.600 anos depois, no século 16, o papa Gregório 13 determinou, como antes Júlio César tinha feito, que o tempo então fosse marcado de acordo com um novo calendário, que passou a se chamar calendário gregoriano. A partir daí, o ano não começaria mais em abril, mas sim em janeiro. Como naquele tempo não existiam internet, televisão, rádio, nem mesmo jornais, as notícias demoravam de se difundir, às vezes passando meses e anos. Deste modo, as regiões mais distantes continuavam a marcar o início do ano novo no mês de abril, enquanto que oficialmente o ano já tinha começado em janeiro. Imaginem vocês a confusão que aconteceu durante muito tempo. Os gozadores se aproveitavam disto para fazer brincadeiras e pregar peças nos outros, contando notícias falsas e fazendo tratos que não eram cumpridos. Tudo mentira e gozação, sempre que chegava o dia 1º de abril. O costume se espalhou pelo resto do mundo, ficando o dia 1º de abril conhecido como o dia da mentira. Leia mais…
Sobre Jorge Rocha
Jorge Rocha, sexagenário, confia, como Demócrito, que tudo no universo é fruto da necessidade e do acaso. Cultua a filosofia do cotidiano, às vezes verseja e ocasionalmente é psiquiatra, para sobreviver.