Músicas tocadas neste programa: dominguinhos – a quadrilha
cristóvão cerqueira – popurri de arrasta-pé
dominguinhos – rato enfrentando gato
oswaldo bettio – popurri do são joão luzitano
jacob do bandolim - remelexo
É São João. Uma festa de fogos, de alegria, de comidas bucólicas, de música, de dança. Uma festa de fogueira, folguedos, uma festa sertaneja, muito bem apropriada pelo nordeste do Brasil, embora suas origens estejam na Europa, mais precisamente em Portugal. Ou talvez, suas origens estejam mesmo nas festividades pagãs remotas, antigas e relacionadas à agricultura. O São João ocorre no equinócio de verão, na Europa. Para manter a data, contrastando com o Natal, que ocorre no solstício de inverno, também na Europa, aqui, mós, aqui na colônia, tivemos que seguir o calendário Europeu e mantivemos estas duas comemorações nas datas fixas de 24 de junho e 25 de dezembro, apesar do desencontro com as estações de verão e inverno. Leia mais…
Músicas tocadas neste programa: denize e tarcísio - chalana
denize - nada por mim
tarcísio- a desconhecida
tarcísio - sonho e broto
denize - estrela
altamiro carrilho – o canário e a tuba
Quando comecei o Prosa & Verso, em 2007, fazia frequentemente um quadro que se chamava Valores da Terra. Procurei trazer pessoas e suas produções criativas que, vivendo em Morro do Chapéu, cumprem suas vidas, dão sua contribuição à coletividade. São pessoas que trocam seus ofícios e suas artes pela sobrevivência, como trabalhadores honrados e decentes. Para mim são valores da terra, como tantos outros que se esforçam e, no meio de um mundo cheio de trapaças, hipocrisias, ganâncias, vaidades e arrogância, seguem sua estrada, dão conta de suas responsabilidades e assim se destacam, ao menos a alguns olhares. Como os que trouxe aqui, existem muitos outros que vivem no anonimato em sua labuta diária. Por que os destaquei como valores da terra? Alguém me perguntou uma vez isto. Quando pensamos em valor, a nossa tendência é pensar em dinheiro, em poder, conhecimento, escolaridade, força física. O essencial é invisível aos olhos e só se vê bem com o coração. Foi o que escreveu há mais de cinqüenta anos Antoine de Saint-Exupéry, que morreu ainda jovem em condições misteriosas e que muitos acham que se suicidou. A propósito, não teria sido o único grande homem a se suicidar. Bem, coisas simples podem ser de grande valor. Ricardo III, rei medieval da Inglaterra, na hora do aperto, apelou com um brado suplicante, oferecendo seu reino em troca de um cavalo! A água, tão comum neste planeta que se chama terra, é chamada de precioso líquido, sem dúvida o mais valioso de todos os líquidos. Uma árvore vale pelos seus frutos [ou por sua sombra]. Uma pessoa vale por seus atos. E a arte é uma das coisas responsáveis por nosso prazer, pelo nosso equilíbrio psicológico. Hoje estou trazendo dois artistas do Morro do Chapéu, também valores da terra. Trata-se de Denize Reis e Tarcísio Coutinho. Leia mais…
lá surgiu da noite escura,
horripilante e imundo,
com sua baba, tenebroso,
dentes à vista e urrando,
imagem espectral do mundo,
do que o mundo representa
de infame e sequioso,
faminto de ganas mil.
Músicas tocadas neste programa: chico buarque – gota d’água
paulo diniz – vou-me embora
damário da cruz – todo risco/cantores de ébano - azulão
caetano veloso - carolina
gilberto gil – se eu quiser falar com deus
conjunto época de ouro – treme-treme
Um ancião muito sincero e sábio foi procurado por uma jovem senhora para ouvir seus conselhos porque estava casada fazia sete anos e sua vida tinha virado um inferno, já no segundo ano do casamento. O marido, um empedernido machista, bebia abusivamente, andava com outras mulheres de forma indiscriminada e acintosa e, nos últimos meses, passou a ameaçá-la e em seguida a agredi-la moral e fisicamente. A situação conjugal tornara-se insuportável. O velho sábio fitou aquela jovem senhora e, com seus olhos mansos, ciente de que cada pessoa é dona de sua própria vida e que a essência do viver é fazer suas próprias escolhas, compadecido, mas firme e respeitoso, mandou que ela se encostasse na parede, da cabeça aos calcanhares e ali permanecesse de pé, na mesma posição. Mesmo sem entender aquele ritual, ela fez o que ele mandou, permanecendo imóvel até que o sábio observando sua descomodidade lhe perguntou: A senhora está confortável aí? Ela naturalmente respondeu que não. Então lhe disse o velho: Por que você continua nesse lugar, se está desconfortável? Pois, então, saia daí! Leia mais…
Sobre Jorge Rocha
Jorge Rocha, sexagenário, confia, como Demócrito, que tudo no universo é fruto da necessidade e do acaso. Cultua a filosofia do cotidiano, às vezes verseja e ocasionalmente é psiquiatra, para sobreviver.