Dom 14 Jun 2009
lá surgiu da noite escura,
horripilante e imundo,
com sua baba, tenebroso,
dentes à vista e urrando,
imagem espectral do mundo,
do que o mundo representa
de infame e sequioso,
faminto de ganas mil.
surgiu ameaçador
das profundezas do abismo,
da cloaca do meu sonho,
dos turbilhões do horror.
a boca, os dentes, um trismo
assim como um esgar medonho.
das profundezas do mar
em meio a um temporal
aquela imagem espectral
fez o meu sangue gelar,
mas o que eu via era apenas
o mundo representado
que de minh’alma saía.
dei por mim angustiado,
com os pelos a eriçar
sem conseguir acordar,
sem conseguir me mover
peito doendo, apertado,
boca seca e, sufocado,
o corpo todo a tremer.
mal despertei do meu sonho,
pesadelo horripilante,
achei que tinha voltado
finalmente do inferno,
mas qual não foi meu engano:
o inferno bem aqui
está diante de mim.
está diante de mim,
o inferno é bem aqui.
o mundo só me parece
de tal maneira assombroso
porque minh’alma o espelha.
eu o vejo com as lentes,
com os filtros, com a peneira
que constituem meu olhar.
se me ponho a refletir,
se me ponho a associar,
se me ponho a versejar,
deixo a máscara cair.
que os meus subterrâneos
enfim afloram nos sonhos
é o que vejo fervilhar
num caldeirão torturante,
prenhe de feras malditas
qual a caixa de pandora,
qual visão de allighieri
em sua viagem ao inferno.
então, que resta? que resta
dos sonhos e pesadelos?
são como cinza e carvão
que sobraram da fogueira
mas realimentam a fornalha
que forjam a reconstrução
da nova etapa vindoura
de um novo dia que raia…
Data do artigo: Domingo, 14 dAmerica/New_York Jun dAmerica/New_York 2009 às 12:40 am | Categoria : Poesia | Deixe um comentário
1 comentário para o artigo “pesadelo”
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Jorge Rocha, sexagenário, confia, como Demócrito, que tudo no universo é fruto da necessidade e do acaso. Cultua a filosofia do cotidiano, às vezes verseja e ocasionalmente é psiquiatra, para sobreviver.
Junho 25th, 2009 at 10:22 am
Você, Jorge Rocha, é o mago das histórias de horror. Stephen King perde feio para o seu meio de descrever critaturas horrendas. Além do más, você nos propiciou uma grande reflexão, assim como Edson Gomes fez.
Parabéns!!!