Músicas tocadas neste programa: still a long way to go,
govinda dance
kali
om ganesh
knowledge of brahman
altamiro carrilho – chorinho didático nº2
Quase do outro lado do mundo, considerando o planeta terra como o mundo habitado, que é o que nós conhecemos, existe um imenso país de cultura antiga, cuja história se perde na poeira do tempo. É a Índia, cuja tradição nos deixa a nós, que vivemos aqui do outro lado, com caras de bobocas, porque não conseguimos entender e aceitar perfeitamente até hoje o modo de viver do seu povo. Primeiro que a população é dividida em castas, um ordenamento religioso e a idéia de que todos os homens são iguais nunca chegou por lá. Não é que a simples idéia de que todos os homens são iguais mude alguma coisa. Todas as civilizações modernas propagam a idéia de que todos os homens são iguais, mas na prática isto parece uma balela e as pessoas são de hábito discriminadas por várias razões, desde a raça, o sexo, a preferência sexual, a ideologia política, a religião, a idade, a classe social à qual pertence e por aí vai. Mas, no que tange à Índia, a sociedade é dividida pelo sistema de castas e isto é rígido, do nascimento à morte. Vem grudado na pele, no corpo e na alma de cada sujeito. A casta considerada mais baixa, a casta dos intocáveis, como o nome mesmo diz, não pode sequer ser tocado por pessoas de outras castas, sob pena de serem considerados impuros. Mas a despeito de toda a estranheza que sentimos por esse país e seu povo, a cultura indiana é rica em sabedoria, creio que pela antiguidade, cuja tradição se mantém viva. É pela índia que vamos fazer hoje nossa viagem musical. As músicas que vou apresentar não só parecem estranhas. São de fato estranhas ao nosso gosto. Mas conhecimento é cultura e não é coisa boa conhecer apenas aquilo de que gostamos à primeira vista. Ouçam agora a música intitulada Viajante, ainda há um longo caminho a percorrer. Leia mais…
Músicas tocadas neste programa: raul seixas – eu nasci há dez mil anos atrás
mpb4 – roda-viva
bethânia & chico – sinal fechado
mercedes sosa & fagner– años
kansas - dust in the wind
nelson gonçalves - naquela mesa
altamiro carrilho - lamentos
Quem somos nós? De onde viemos? Para onde vamos? Qual o sentido da vida? A vida em si tem um sentido? São perguntas, tão antigas e tão atuais, que todo homem que para um pouco, na correria da vida, para refletir, para pensar sozinho consigo mesmo, acaba fazendo. Perguntas como estas não encontraram até hoje, depois de mais de dez mil anos de inteligência neste planeta, respostas convincentes. O homem nem sempre foi pensante. Como os animais, guiava-se pelos instintos. Ainda hoje, muitos de nós se guiam pelos instintos, como vocês sabem muito bem. Pois, as perguntas que mencionei neste instante parecem ter sido a primeira e principal motivação para que o homem pensasse de modo transcendente, isto é, para além de si mesmo. Assim tiveram início as formulações mitológicas, religiosas e supersticiosas que nos acompanham ainda hoje, tantos séculos já decorridos de nosso surgimento como espécie animal chamada de homo sapiens. Mas não podemos confundir sapiens com sábio. Sapiens é aquele capaz de pensar e entender o que os animais irracionais não conseguem. Sábio é o que vivenciou, experimentou, refletiu e aprendeu as lições, principalmente por ter arriscado, ousado e muitas vezes errado. Mas que deu a volta por cima. Leia mais…
Músicas tocadas neste programa: antonio carlos e jocafi - você abusou
jamelão – folha morta
linda batista – vingança
gal costa – divino maravilhoso
toquinho e vinícius – é fogo, irmão
joatan nascimento – recordações de porfírio
Uma pessoa sábia é bem diferente de uma pessoa sabida. A sabida se acha sabida, pensa que é a esperta, que os outros são burros. O sábio não se acha sábio, reconhece que não sabe tudo, que não sabe nem o suficiente, que não sabe nada. Mas reconhece também que nem um só humano sabe tudo e que até o dia da morte de cada um, mesmo que seja em uma idade avançada, tem e terá sempre o que aprender. O sábio é humilde porque a sabedoria e a humildade andam juntas, de mãos dadas. O sabido é vaidoso e vive se enganando com sua presunção. Quando na vida se depara com novo ensinamento, o sábio agradece. O sabido se irrita e geralmente responde: eu sei! Isto eu já sei! E continua a errar, a enganar-se e, como conseqüência do auto-engano, vive enganando os outros. Engana os outros quem bajula, quem puxa o saco, quem só faz elogiar e dizer coisas agradáveis. O sabido jamais critica, porque criticar desagrada. Jamais educa, porque educar é estar permanentemente apontando os erros e, portanto, criticando. O sabido não exercita o amor, porque está sempre tentando levar vantagem em tudo, sempre tentando tirar proveito de tudo o que faz. Para o sabido, porque pensa que é sabido e que os outros são estúpidos, acha que engana facilmente já que, em sua visão, os outros são facilmente enganáveis. Leia mais…
Músicas tocadas neste programa: lira morrense – hino a morro do chapéu
chula fedegosos – as quatro muié
doelmar rocha – terra natal
zequinha reis – saga do ventura
noédson valois - poeta do morro
antônio gabriel – morro do chapéu 100 anos
Hoje, o Prosa & Verso vai ao ar em sua centésima edição, justamente, por pura coincidência, na semana em que Morro do Chapéu comemora seu centésimo aniversário. O programa de hoje é, portanto, inteiramente dedicada a esta cidade de gente acolhedora e criativa. Como vêem, estou tomando a ousadia de fazer, fora da programação oficial, uma homenagem a esta cidade centenária, que tem sido tão hospitaleira comigo e com muitas outras pessoas que vieram para cá e aqui permanecem, seduzidas pela simpatia de sua gente, pela tranqüilidade de sua vida e, sem dúvida, pelo seu clima privilegiado. Para quem aqui chega, na cara de Morro do Chapéu transparece a face do artista, nascido e criado, que canta sua terra em imagens, pinturas, fotografias, esculturas, artesanato, música, prosa e verso. Pelas limitações características de um programa radiofônico, só podemos mostrar a música, a prosa e o verso. A arte não é apanágio das classes sociais dominantes. A arte está arraigada na cultura popular e é dali de Fedegosos, berço de músicos e poetas, que vem a Chula, irreverente e alegre, que se chama As quatro muié. Leia mais…
Sobre Jorge Rocha
Jorge Rocha, sexagenário, confia, como Demócrito, que tudo no universo é fruto da necessidade e do acaso. Cultua a filosofia do cotidiano, às vezes verseja e ocasionalmente é psiquiatra, para sobreviver.