Escute o Prosa & Verso 100

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Músicas tocadas neste programa:
lira morrense – hino a morro do chapéu
chula fedegosos – as quatro muié
doelmar rocha – terra natal
zequinha reis – saga do ventura
noédson valois - poeta do morro
antônio gabriel – morro do chapéu 100 anos

Hoje, o Prosa & Verso vai ao ar em sua centésima edição, justamente, por pura coincidência, na semana em que Morro do Chapéu comemora seu centésimo aniversário. O programa de hoje é, portanto, inteiramente dedicada a esta cidade de gente acolhedora e criativa. Como vêem, estou tomando a ousadia de fazer, fora da programação oficial, uma homenagem a esta cidade centenária, que tem sido tão hospitaleira comigo e com muitas outras pessoas que vieram para cá e aqui permanecem, seduzidas pela simpatia de sua gente, pela tranqüilidade de sua vida e, sem dúvida, pelo seu clima privilegiado. Para quem aqui chega, na cara de Morro do Chapéu transparece a face do artista, nascido e criado, que canta sua terra em imagens, pinturas, fotografias, esculturas, artesanato, música, prosa e verso. Pelas limitações características de um programa radiofônico, só podemos mostrar a música, a prosa e o verso. A arte não é apanágio das classes sociais dominantes. A arte está arraigada na cultura popular e é dali de Fedegosos, berço de músicos e poetas, que vem a Chula, irreverente e alegre, que se chama As quatro muié.

Morro do Chapéu não se resume à sede. É um município extenso, lamentavelmente espoliado por anos a fio de predação e depredação da Natureza, seja extraindo minérios preciosos, seja destruindo desordenadamente sua vegetação, inclusive por meio de queimadas para obter carvão, sem o devido reflorestamento. Uma herança trágica para as novas gerações e para as que virão. A cidade-sede, porém tem merecido um elogio diário, quando Beto Rocha em seu Jornal do meio-dia, costuma saúda-la como queridíssima e maravilhosa. Todavia, o menestrel morrense também canta suas cercanias, na canção A saga do Ventura. E é de Zequinha Reis esta homenagem ao povoado do Ventura, onde nasceu a economia que alimentou Morro do Chapéu por alguns anos, em suas origens.

São pintores, escultores, músicos, poetas… Artistas em Morro são uma variedade! A cada esquina um poeta, a cada rua um músico, a cada canto um artista. Além de artistas, outros são artesãos. Bons artesãos. Há outros que usam sua criatividade para gerir e executar seus ofícios, suas ocupações, desempenhar suas funções. São mecânicos, pedreiros, horticultores, técnicos em eletrodomésticos e em eletrônica, para mencionar apenas alguns profissionais, que cantam sua terra com seus braços e suas mentes, com o seu trabalho. É bem verdade que também existem arteiros, como em toda comunidade. São os que não vestem a camisa da cidadania, os que pouco ou nada se preocupam com os outros, os que tentam levar vantagem em tudo sem o menor semancômetro. Mas são os artistas, e não os arteiros, que estou homenageando neste centésimo aniversário de Morro do Chapéu.