Setembro 2009


Escute o Prosa & Verso 108

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Músicas tocadas neste programa:
roberto carlos – jesus cristo
dalva de oliveira – ave maria
otto winter – puer natus in Bethlehem, de bach
coro dos beneditinos – mandatum novum do vobis
gilberto gil – se eu quiser falar com deus
haendel - Hallelluja

Em muitas culturas, a música está intimamente ligada à vida das pessoas. Isto se dá em diversas utilidades, não só como arte, mas também como a música militar, educacional ou terapêutica, a musicoterapia. Além disso tem presença central em diversas atividades coletivas como rituais religiosos, festas e funerais. Há evidências de que a música é conhecida e praticada desde a pré-história. Provavelmente a observação dos sons da natureza tenha despertado no homem, através do ouvido, a necessidade ou desejo de uma atividade que se baseasse na organização de sons. Embora não seja possível estabelecer seu desenvolvimento de forma precisa, a história da música confunde-se com a própria história do desenvolvimento da inteligência e da cultura humana. Hoje vamos falar da música sacra. U’a música não é considerada sacra apenas porque o seu autor é um cristão, porque a sua letra fala de Cristo ou porque pertence ao repertório de alguma religião. Ela deve ser santa em si mesma, porque música sacra é música santa. A definição, que não é minha, foi encontrada em um site da internet. Só que precisamos saber o que o autor entende por ser santa u’a música. Então vem a contribuição de Ellen White, profetisa-maior da crença adventista, mulher muito avançada para sua época, que nos deixou vários livros escritos e que constituem a base da doutrina em que se apóiam seus seguidores. Ela escreveu: Há diferentes opiniões a respeito do que seja música sacra. Tradicionalmente entende-se por música que não lembra a música do mundo e que desperta sentimentos de religião, espiritualidade, santidade e adoração a Deus. E mais: Deve ser lembrado que uma música não se torna sacra simplesmente porque é composta para ser tocada na igreja, e nem só simplesmente porque é tocada na igreja. Convém saber, portanto, que toda a música sacra é religiosa, mas nem toda música religiosa é música sacra.
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Escute o Prosa & Verso 107

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Músicas tocadas neste programa:
sílvio caldas - minha palhoça
caetano veloso - triste bahia
antonio gabriel - cidade-mãe
juca chaves – que saudade
francisco petrônio – rapaziada do brás.
elis regina - marambaia
valdir azevedo – amigos do samba

Não é nenhuma novidade, todo mundo sabe que quanto maior a população, maior é o lixo. Uma roça, uma gruta, uma cachoeira, uma praia estarão sempre mais sujos, cheios de lixo, quanto mais gente houver passeando por lá. E quanto mais gente mal-educada, maior a sujeira. Isto não é, portanto nenhuma novidade. O mesmo se aplica às aglomerações, como nos estádios de futebol, nas praças e nas ruas, nas festas em geral. Mais educado e civilizado vai-se tornando uma comunidade, mais cuidado vai tomando com o meio-ambiente; e a poluição, em conseqüência, vai ficando menos agressiva, vai ficando menor. Em nossas próprias casas, acontece o mesmo. Dizem que a casa da gente revela o estado do interior, da alma da gente. Muita desordem ali, muita desordem aqui. Em nossa casa, cada um dos moradores tem a obrigação de cuidar do meio-ambiente, não só limpando, mas evitando que se sujem a sala, o quarto, a cozinha, o sanitário. Misturar roupa limpa com roupa suja, por exemplo, é prejudicial à saúde e também à convivência entre as pessoas que moram ali. Uma casa não tem que ter móveis novos e vistosos. Nem tem que ter tudo quanto é de eletro-doméstico. Não tem que ter tapetes, cortinas ou outros apetrechos, só porque são bonitos ou porque o vizinho fulano tem na sua casa ou porque é moda, geralmente ditada pelas novelas ou propagandas. Uma casa simples, limpa e arrumadinha é acolhedora, agradável e confortável. E o lixo? O lugar do lixo é lá dentro de um vaso coberto, tampado e, depois, ensacado, para que os garis possam recolher no momento certo. Jogar lixo na rua, jogar resto de água de cozinha ou de banho na rua é o mesmo que escarrar e cuspir no próprio piso da casa onde se mora.
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Escute o Prosa & Verso 106

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Músicas tocadas neste programa:
abertura da fox
pantera cor de rosa
e o vento levou
shane
três homens em conflito
a ponte do rio kwai
lawrence da arábia
exodus
tonight
grupo vou vivendo – aquarela do brasil

Hoje vamos fazer um programa mais ameno, mais light como se diz atualmente. Vamos fazer uma viagem musical pelo cinema. Aliás, pelo cinema, não. Por alguns filmes. Escolhi temas musicais de filmes de gêneros variados, somente para uma amostragem, porque o cinema é rico em músicas bonitas.

O cinema e a televisão acabam dando vida própria aos personagens que apresentam e que habitam o mundo virtual. Nós, os mortais, habitamos este mundo concreto, do qual tanto e tantas vezes tentamos fugir. E, de fato, frequentemente estamos fugindo para outros mundos, mundos de ficção, mundos de ilusões, de crenças irracionais, mas que nos dão como que uma anestesia, para burlarmos as dores e os sofrimentos próprios da existência, a vida real. Assim, corremos para o trabalho compulsivo, para a ganância do dinheiro além do que precisamos, para um poder que nos tira a dignidade, para compras absolutamente desnecessárias que alimentam um consumismo sem trégua. Fugimos para as drogas, desde o álcool até a cocaína, passando inclusive pelas drogas lícitas, como os tranqüilizantes vendidos nas farmácias. E o cinema é um desses escapes para onde fugimos tanto tentando nos tapear. Um passatempo, uma distração… A Pantera Cor de Rosa, por exemplo, é uma comédia muito gozada que conta as trapalhadas de um inspetor de polícia encarregado de evitar que um enorme diamante seja roubado. Pantera cor de rosa é o nome do diamante e a música que vão ouvir é o tema do filme.
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Escute o Prosa & Verso 105

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Músicas tocadas neste programa:
toquinho e vinícius – marcha da quarta-feira de cinzas
geraldo vandré – sonho de um carnaval
gal costa – brasil
antonio gabriel - história
jailda – cidade mãe
mpb4 – partido alto
lula e artur – cordéis para o centenário
antônio gabriel – desabafo de um morrense
maria bethânia - minha embaixada chegou

Passaram-se as festas, foi-se a folia e o que resta é o dia seguinte. Dizem que depois da tempestade vem a bonança. Sabem também os navegadores que depois das calmarias vem o temporal. Quem alguma vez já fez uma daquelas farras homéricas, já tomou uma bebedeira, sabe por experiência que no dia seguinte vem a ressaca. No sonho de José do Egito, havia sete vacas gordas que foram devoradas por sete vacas magras, sonho este interpretado como uma previsão do futuro em que os sete anos de fartura seriam seguidos por sete anos de fome. Tudo isto que estou dizendo não corresponde matematicamente à realidade. Mas como uma idéia figurada, como u’a metáfora, como um adágio, aplica-se direitinho à vida da gente, ao espírito da gente. A gente vê na casa da gente, nas igrejas, nas praças, como, no dia seguinte a uma noite de festa, é preciso começar cedo a catar o lixo e a fazer a faxina. E, se houver bebida alcoólica, pode se preparar para a ressaca e a dor de cabeça.

Anteontem, festejou-se pelo país afora, o aniversário da independência do Brasil. Isto significa que se comemorou o dia do nascimento de um país soberano. O Brasil independente completou 187 anos anteontem. Acredite, se puder.
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Escute o Prosa & Verso 104

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Músicas tocadas neste programa:
jackson do pandeiro – velho sapeca
duas amigas ao telefone + antonio nóbrega - mulher peixão
provocação + arnaldo antunes & nando reis – não vou me adaptar
o nariz + juca chaves – nasal sensual
seu dotô me conhece? + luiz gonzaga – vozes da seca
altamiro carrilho – espinha de bacalhau

A depender dos conceitos de cada um, as palavras que usamos também sofrem variações até mesmo adotando uma significação contrária, segundo quem e como as esteja usando. Por exemplo, a inveja tem o significado de desejar ser ou possuir os atributos de outra pessoa em detrimento dela. Ou seja, ter inveja é como prejudicar outra pessoa. Mas alguém pode dizer: eu invejo fulano de tal e isto não querer significar necessariamente o mesmo sentimento, mas apenas admiração. Outra palavra que se desvirtuou no tempo foi crítica. Quando dizemos hoje que uma pessoa é crítica, estamos achando que ela bota gosto ruim em tudo, que ela é língua ferina. Por esta confusão da linguagem é que se passou a dizer que há críticas construtivas e críticas destrutivas. Para os antigos, os que inventaram a palavra crítica, seu sentido era bem outro. Uma pessoa crítica era aquela que apontava os erros, fossem lá de quem fossem. Como apontar os erros é o primeiro passo para corrigi-los, a crítica deveria ser sempre construtiva e a crítica destrutiva não deveria nunca existir. O que acontece é que a sociedade, que vive mergulhada em um mar de hipocrisia, detesta encarar os erros, preferindo varrê-los para baixo do tapete ou para trás da porta. A discriminação é uma forma de hipocrisia e preconceito. Tendemos a discriminar todos os que são diferentes de nós. E como o preconceito gera discriminação e discriminação gera intolerância, a intolerância também gera o sarcasmo, o maltrato, a humilhação. Mas a criatividade humana faz o impossível, como tirar leite de pedras, tornando o que poderia ser um infortúnio em algo engraçado e bem humorado.
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