Escute o Prosa & Verso 106

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Músicas tocadas neste programa:
abertura da fox
pantera cor de rosa
e o vento levou
shane
três homens em conflito
a ponte do rio kwai
lawrence da arábia
exodus
tonight
grupo vou vivendo – aquarela do brasil

Hoje vamos fazer um programa mais ameno, mais light como se diz atualmente. Vamos fazer uma viagem musical pelo cinema. Aliás, pelo cinema, não. Por alguns filmes. Escolhi temas musicais de filmes de gêneros variados, somente para uma amostragem, porque o cinema é rico em músicas bonitas.

O cinema e a televisão acabam dando vida própria aos personagens que apresentam e que habitam o mundo virtual. Nós, os mortais, habitamos este mundo concreto, do qual tanto e tantas vezes tentamos fugir. E, de fato, frequentemente estamos fugindo para outros mundos, mundos de ficção, mundos de ilusões, de crenças irracionais, mas que nos dão como que uma anestesia, para burlarmos as dores e os sofrimentos próprios da existência, a vida real. Assim, corremos para o trabalho compulsivo, para a ganância do dinheiro além do que precisamos, para um poder que nos tira a dignidade, para compras absolutamente desnecessárias que alimentam um consumismo sem trégua. Fugimos para as drogas, desde o álcool até a cocaína, passando inclusive pelas drogas lícitas, como os tranqüilizantes vendidos nas farmácias. E o cinema é um desses escapes para onde fugimos tanto tentando nos tapear. Um passatempo, uma distração… A Pantera Cor de Rosa, por exemplo, é uma comédia muito gozada que conta as trapalhadas de um inspetor de polícia encarregado de evitar que um enorme diamante seja roubado. Pantera cor de rosa é o nome do diamante e a música que vão ouvir é o tema do filme.

Um filme que fez grande sucesso nos anos 40 e depois deles, E o vento levou… conta as reviravoltas que sofreram famílias ricas do sul dos Estados Unidos, por conta da guerra da secessão. Os estados do norte estavam empenhados em abolir a escravidão negra, porque não era conveniente para as mudanças que se vinham operando na jovem sociedade industrial nascente. Os estados do sul, vivendo na pujança da tradicional agricultura, alimentada pelo trabalho escravo, não abria mão do cativeiro. Este foi o pretexto para a deflagração daquela guerra civil que, aliás, acabou resultando na união e consolidação de todos os Estados Unidos da América. Vamos ouvir o tema de Tara, nome do latifúndio sulista do filme E o vento levou…

Quando terminou a guerra da secessão, como acontece aliás, logo depois das guerras, o oeste dos Estados Unidos viveu um período de mais ou menos 50 anos de intensa imigração para povoamento de terras e mais terras que tinham sido na raça tomadas dos índios que lá viviam. Os filmes de faroeste ou filmes de cow-boys tentam relatar, geralmente de modo romântico, episódios, verdadeiros ou não, que teriam ocorrido naquele tempo e naquele lugar. Aqui vem um pedaço da estória de um homem chamado Shane, um pistoleiro atormentado que ninguém sabe de onde vem nem para onde vai. É um filme romanceado, mas com uma beleza notável e feito com muito bom gosto, trazendo mensagens humanitárias e despojadas, que vale a pena assistir. Chama-se, no Brasil, Os brutos também amam. A música do filme é esta que vou rodar agora.

O gênero de filmes de bang-bang, filmes de cow-boys ou filmes de faroeste, é um gênero tipicamente americano. E, a despeito do número enorme de produções que foram aparecendo desde o início da indústria cinematográfica, todos os acontecimentos referidos nos filmes de faroeste se passam dentro de um período curto de cerca de 50 anos, como já falei. Como acontece com toda produção artística, ao produzir-se muito, também muito lixo se produz. Então, numa fase de decadência do faroeste americano, lá pelos anos 1970 em diante, os italianos encontraram uma verdadeira mina de dinheiro, fazendo filmes de cow-boy, os chamados western-espaguetti, que não passam de arremedos dos autênticos faroestes americanos. Alguns deles, no entanto, trazem temas musicais lindos, como é o caso deste que vamos mostrar: Três Homens em Conflito.

Mas durante os anos 40, o mundo esteve envolvido com a segunda guerra mundial. E se não estavam todos guerreando, pelo menos estavam todos tensos e amedrontados. Os americanos ficaram poupados da guerra até praticamente seu final, quando a Europa já estava bem arrasada. Então surgiram os Estados Unidos como quem entra na partida de futebol no final do segundo tempo, totalmente descansados, e fazem os goals da vitória. Neste meio tempo, o cinema empregou grande parte de seus recursos para produzir filmes de guerra, enaltecendo os aliados, filmes esses que serviram perfeitamente de propaganda, elevando o moral das forças combatentes. É um dos episódios heróicos da segunda guerra que nós vemos no filme A ponte do rio Kwai, cujo tema musical, u’a marcha imponente e emocionante, vamos ouvir agora.

Mas a guerra acabou em 1946. Então Hollywood, a meca do cinema, a capital do cinema, passou a explorar os novos mercados que surgiram principalmente na Europa, Foram grandes produções, pomposas, luxuosas, que fascinavam o povo que, sofrido das lutas e das tensões, acorriam aos montes ao cinema, procurando alívio nas telas luminosas e nas belas músicas que vinham com elas. Bem parecido com o que acontece hoje aqui no Brasil em relação às tele-novelas. Agora, um herói inglês no oriente médio: Lawrence das Arábias, um oficial britânico que, nos desertos do oriente médio, conseguiu com sua habilidade diplomática e valentia, articular a união de povos árabes inimigos entre si, para que, aliados, viessem a combater os dominadores turcos e assim libertar suas nações. Esta é a música tema, tão fascinante como é o próprio filme Lawrence das Arábias..

O povo judeu passou anos e anos, séculos, melhor dizendo, espalhados pelo mundo, sem uma pátria, sem um território para constituir sua nação. Apegados à sua cultura e à sua religião, essas frações dispersas, o que se chamou de diáspora, logrou reunir-se logo depois da segunda guerra e se estabelecer no território que se chama Estado de Israel, voltando à velha condição de uma nação. O filme Exodus refere-se à consolidação de Israel. Esta é a bonita música tema do filme.

Obras literárias forneceram e continuam fornecendo argumentos para a produção de filmes em todas as épocas e em todos os gêneros. O cinema frequentemente nos surpreende com mais de um lançamento baseado na mesma história, porém com características totalmente diferentes. Exemplos: O filme épico japonês Os Sete Samurais serviu de inspiração para o faroeste americano Sete Homens e um Destino. A inspiração passou adiante e resultou na comédia Os Três Amigos e mais recentemente no filme infantil, mas ótimo também para os adultos, Vida de Inseto. Pois é, todos eles inspirados em Os Sete Samurais. É só ver os quatro filmes para verificar que o argumento é o mesmo. Foi assim que Robert Wise dirigiu Amor, Sublime Amor, inspirado em Romeu e Julieta, de William Shakespeare. A música tema de Amor, Sublime Amor chama-se Tonight e é esta que vamos ouvir.