Qua 23 Set 2009
Prosa & Verso 107 – POPULAÇÃO E LIXO
Categoria: Prosa&Verso | Por Jorge Rocha|
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Músicas tocadas neste programa: |
Não é nenhuma novidade, todo mundo sabe que quanto maior a população, maior é o lixo. Uma roça, uma gruta, uma cachoeira, uma praia estarão sempre mais sujos, cheios de lixo, quanto mais gente houver passeando por lá. E quanto mais gente mal-educada, maior a sujeira. Isto não é, portanto nenhuma novidade. O mesmo se aplica às aglomerações, como nos estádios de futebol, nas praças e nas ruas, nas festas em geral. Mais educado e civilizado vai-se tornando uma comunidade, mais cuidado vai tomando com o meio-ambiente; e a poluição, em conseqüência, vai ficando menos agressiva, vai ficando menor. Em nossas próprias casas, acontece o mesmo. Dizem que a casa da gente revela o estado do interior, da alma da gente. Muita desordem ali, muita desordem aqui. Em nossa casa, cada um dos moradores tem a obrigação de cuidar do meio-ambiente, não só limpando, mas evitando que se sujem a sala, o quarto, a cozinha, o sanitário. Misturar roupa limpa com roupa suja, por exemplo, é prejudicial à saúde e também à convivência entre as pessoas que moram ali. Uma casa não tem que ter móveis novos e vistosos. Nem tem que ter tudo quanto é de eletro-doméstico. Não tem que ter tapetes, cortinas ou outros apetrechos, só porque são bonitos ou porque o vizinho fulano tem na sua casa ou porque é moda, geralmente ditada pelas novelas ou propagandas. Uma casa simples, limpa e arrumadinha é acolhedora, agradável e confortável. E o lixo? O lugar do lixo é lá dentro de um vaso coberto, tampado e, depois, ensacado, para que os garis possam recolher no momento certo. Jogar lixo na rua, jogar resto de água de cozinha ou de banho na rua é o mesmo que escarrar e cuspir no próprio piso da casa onde se mora.
Também assim, com o mesmo cuidado com a limpeza, a higiene, a arrumação de nossa casa, é que o cidadão já formado, o adulto, ou ainda em formação, a criança, tem o dever de agir em relação à sua rua, ao seu bairro, à sua cidade e até mesmo ao campo, às estradas, aos rios e às praias. A poluição é o resultado de nossa falta de cuidado, ou seja, de educação, unida à falta de cuidado das empresas, grandes empresas, que poluem o ambiente, não por falta de conhecimento, mas por falta de respeito e consideração para com os outros, pela ganância de conseguirem maiores lucros e aumentarem cada vez mais suas riquezas. Quanto mais gente, mais lixo. É o que acertadamente se diz, porque não é nenhuma novidade mesmo que as cidades grandes têm muito maior quantidade de lixo.
Mas há outros tipos de lixo, que muita gente costuma jogar pelo mundo afora. E, do mesmo modo como os lixões das cidades grandes têm muitos catadores necessitados que tentam encontrar coisas aproveitáveis ou de valor e até alimentos, os outros lixos também têm seus usuários. Por exemplo, Um carro ou u’a moto sem tubo de descarga, está jogando pelo menos dois tipos de lixo no meio ambiente, ambos prejudiciais à saúde de todos: Primeiro, a fumaça do motor com seus gases tóxicos, que não sofreram a interferência do catalisador, uma peça que fica no tubo de descarga e ajuda a limpar os gases do escapamento. Em segundo lugar o ruído, que também é poluidor para nossos ouvidos normais. Como todos devem saber, os ruídos altos e demorados podem levar à surdez e também a distúrbios mentais. E não precisam em si ser ruídos desagradáveis. Mesmo a música, que é um som agradável, passa ao nível do ruído desagradável, depois de certo volume. Como o sal, que na medida certa, faz a comida ficar gostosa, se tiver sua quantidade muito aumentada faz a comida ficar insuportável. Assim também os sons das músicas. Faz mais de dois anos que este programa vem clamando contra a poluição sonora aqui em nossa cidade, aliás, chamada de cidade-mãe, seja mãe natural ou adotiva de todos os que vivemos aqui, vivemos em seu seio. Será que só nos lembramos de que é cidade-mãe, quando faz aniversário?
Eu sei que muitas pessoas se queixam dos altos volumes dos carros de som. Concordo que os carros de som têm sua parcela de responsabilidade, mesmo reconhecendo que alguns poucos já têm tido o cuidado e a civilidade de manter seus anúncios e propagandas em níveis compatíveis com a tolerância do ouvido humano sadio e com o que a Lei prescreve. Mas, e os carros particulares? Estes têm sido os maiores poluentes, principalmente porque são ativados geralmente às noites, sem qualquer controle da comunidade e sem qualquer respeito para com a mesma comunidade. Aberrações tão freqüentes, como incrementar caixas de alto-falantes enormes nos porta-malas ou nas carrocerias, sintomaticamente associados à péssima qualidade daquilo que eles mesmos chamam de música, vêm poluindo tanto quanto ou bem mais do que os próprios carros de som. Aliás, já que estava há pouco valando de lixo, ocorreu-me agora que uma pessoa me perguntou faz algum tempo por que as músicas hoje em dia não são tão mais bonitas do que as de antigamente? Eu não acho que seja assim. O que respondi a ele foi justamente que quanto mais gente, mais lixo. As músicas bonitas do passado ficaram até hoje porque passaram pela peneira do tempo. Aquelas que eram lixo, ficaram lá atrás, nas lixeiras da vida. Hoje existem muito mais músicas, mais cantores, mais compositores. Portanto, mais lixo. Mas não se preocupem. Tudo passará. Mesmo o que seja de bom-gosto passará. Só que daqui a oitenta anos, provavelmente poucos se lembrarão com afeição e simpatia, do lixo sonoro dos tempos de sua juventude.
Não confundam saudade com saudosismo. O saudosismo é o desejo de voltar o tempo negando o presente, um desejo frustrante porque fora de qualquer possibilidade e porque sendo uma negação do tempo, é uma negação da história. Podemos reconstruir um cenário que lembre perfeitamente o passado, mas não podemos fazer voltar o tempo em si, com todas as suas conseqüências. Não podemos viver no passado, sob pena de ficarmos paralisados, como ficou a mulher de Lot, ao fugir de Sodoma e Gomorra, segundo a lenda bíblica, tão sábia quanto antiga.
Voltando às nossas casas, se quisermos mantê-las limpas e arrumadas, temos que orientar nossos filhos e exigir deles o cumprimento de suas obrigações. E, voltando à nossa cidade, se queremos vê-la limpa e arrumada, temos que cobrar também dos nossos compatrícios, o cumprimento de suas responsabilidades como cidadãos, do gari ao prefeito. E não faz mal nenhum sonhar com uma casinha limpa, arrumada e feliz, como a que está no samba que vão escutar.
Data do artigo: Quarta-feira, 23 dAmerica/New_York Set dAmerica/New_York 2009 às 8:26 pm | Categoria : Prosa&Verso | Deixe um comentário
2 comentários para o artigo “Prosa & Verso 107 – POPULAÇÃO E LIXO”
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Jorge Rocha, sexagenário, confia, como Demócrito, que tudo no universo é fruto da necessidade e do acaso. Cultua a filosofia do cotidiano, às vezes verseja e ocasionalmente é psiquiatra, para sobreviver.
Janeiro 17th, 2010 at 1:51 pm
q legau gostei da atitude
Janeiro 17th, 2010 at 1:53 pm
que legal gostei da atitude de voces de terem botado este artigo min chamo weyne veja meu okut weyne100%@hotmail.com