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Escute o Prosa & Verso 110
Músicas tocadas neste programa: |
Na metade dos anos 60, surgiu um movimento na música popular brasileira, que se disseminou entre os jovens e adolescentes, ocupando um significativo lugar na moda e no seu comportamento. O movimento tomou forma e foi alimentado em 1965 por um programa de auditório da antiga Rede Record de televisão, programa este comandado por Roberto Carlos, Erasmo Carlos e Wanderléia, que apresentavam ao público os principais artistas ligados ao movimento. O programa se chamava Jovem Guarda, nome pelo qual o novo estilo musical e artístico ficou conhecido.
Era o rock’n roll, aproveitado em seu aspecto mais suave, quer dizer, em sua vertente mais adocicada, as baladas. Assim, a Jovem Guarda posteriormente veio a agradar também a pessoas de todas as idades, pela simpatia que irradiava, pela alegria descontraída que exibia e, por que não dizer? pelo não engajamento político. Isto porque, em 1964 tinha ocorrido o golpe militar que sufocou a democracia no país e que espalhou o medo e o terror entre a população brasileira, agravando ainda mais o arrocho a partir de 1968. Surgiam, como não poderia ser diferente, outros movimentos artísticos e musicais engajados, cujo cunho político irritava os donos do poder, provocando medidas e medidas repressivas. Muita gente foi presa, torturada e teve que fugir do país. Os trabalhadores, os estudantes e os intelectuais brasileiros foram tomados de medo e angústia, que perduraram por mais de 20 anos. A Jovem Guarda não tinha, portanto, um cunho político, ao contrário de muitos movimentos da época, que protestavam contra a ditadura, a repressão e a falta de liberdade. Mas isto é outra estória.
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Jorge Rocha, sexagenário, confia, como Demócrito, que tudo no universo é fruto da necessidade e do acaso. Cultua a filosofia do cotidiano, às vezes verseja e ocasionalmente é psiquiatra, para sobreviver.