Escute o Prosa & Verso 119

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Músicas tocadas neste programa:
strauss – vozes da primavera
lehar – conde de luxemburgo
strauss – valsa do imperador
lehar – a viúva alegre
strauss – contos dos bosques de viena
strauss – danúbio azul
ernesto nazareth - odeon

Viena, capital da Áustria, foi também a capital da música alemã durante quase dois séculos. Não só de músicos austríacos veio sua fama, mas também de músicos alemães que lá viveram e atuaram. Beethoven e Brahms, ambos considerados entre os maiores compositores alemães, passaram praticamente toda a sua vida em Viena. A música vienense é, entretanto, geralmente identificada por nós com as valsas compostas principalmente por Johann Strauss jr e por Franz Lehár.

Franz Lehár nasceu na segunda metade do século 19 e viveu até após o final da segunda guerra mundial, isto é viveu até 1948. Compôs principalmente operetas, entre as quais a mais famosa foi A viúva alegre, que foi que foi adaptada pelo menos três vezes para o cinema. Quando estreou, no ano de 1905, a peça A viúva alegre não agradou muito. Aliás, foi um verdadeiro fiasco. Depois da fracassada estréia, o diretor do teatro distribuiu ingressos gratuitos. A conseqüência foi que o teatro lotou e a peça virou um sucesso. Os ingressos para todas as apresentações seguintes se esgotaram e a opereta se tornou um sucesso por muitos anos. Pra a sua desgraça, A Viúva Alegre também agradou a um antipático contemporâneo seu: Adolf Hitler. Ao lado de Richard Wagner, Lehár era um dos compositores prediletos de Hitler, o que arranharia a sua reputação no pós-guerra. Curiosamente, para o líder nazista, A Viúva Alegre era o máximo, apesar do preconceito nazista pois Lehár era casado com uma judia. Por sinal, nunca se separou da mulher e, ao contrário de outros artistas, pôde continuar compondo sob o regime nazista. Em decorrência disso, foi acusado por colegas de ter colaborado com Hitler e Goebbels.
Johann Strauss era um músico de renome em Viena, mas não queria que seu filho, Johann Strauss jr seguisse a mesma carreira do seu pai. Por isto o jovem Strauss foi trabalhar como bancário, mas, escondido do pai, estudou violino e se tornou um fértil compositor de valsas, tendo composto mais de 200. quase sempre inspirado nas belezas e nos costumes de seu país, principalmente no folclore. Casou-se três vezes, mantinha inúmeras aventuras sexuais e dizem as más línguas que ficava constantemente doente tanto por excessos amorosos como por seu ritmo intenso de composição.
Entre as operetas de maior sucesso de Franz Lehar, está O conde de Luxemburgo, que vocês ouviram há pouco, como também, naturalmente, A Viúva Alegre, de onde foi retirada a valsa que vou transmitir agora.

Só como curiosidade, o nome Áustria é a pronúncia latinizada da denominação antiga daquele pais, que em Alemão é Osterreich que significa Império do Oriente. De Osterreich para Áustria, é de fato um pulo, no que se refere à história das palavras, do ponto de vista da fonética. Muitas palavras em nosso linguajar diário foram formadas assim, por uma deturpação da pronúncia.

As palavras nem sempre nascem exatamente como são posteriormente conhecidas. Como a partir do nome de uma das valsas mais conhecidas de Strauss, Danúbio Azul, a idéia que temos do rio Danúbio, na Áustria, é daquele rio calmo, lindo e azul. É o que a valsa nos faz imaginar, ao contrário do que nos contam os viajantes que já passaram por lá. Dizem que é um rio crespo e avermelhado. Eu mesmo não conheço, mas quem quiser verificar vai ter de ir até lá. Aliás, seu conterrâneo Franz Lehár também compôs uma valsa inspirado no rio Danúbio, só que a chamou no Danúbio Cinzento. Mas, ora! Independentemente da beleza ou não do rio Danúbio, a valsa que tem seu nome é linda. Escutem então. Ah! Sim! Foi utilizada como tema musical do filme 2001, uma odisséia no espaço. Quem viu o filme certamente vai se deliciar mais ainda ouvindo de novo Danúbio azul.

Este é o último programa Prosa & Verso deste ano de 2009. Então estou trazendo para os ouvintes algumas palavras de Rubem Alves que vêm a calhar. Ele diz assim: Não é curioso que o grande evento que marca a passagem do ano seja uma corrida, corrida de São Silvestre? Correr para chegar, aonde? Passagem de ano é o velho relógio que toca o seu carrilhão.
O sol e as estrelas entoam a melodia eterna: tempus fugit. E porque temos medo da verdade que só aparece no silêncio solitário da noite, reunimo-nos para espantar o terror, e abafarmos o ruído tranqüilo do pêndulo com enormes gritarias. Contra a música suave da nossa verdade, o barulho dos rojões… Pela manhã, seremos, de novo, o tolo coelho de Alice: Estou atrasado, estou atrasado… Mas o relógio não desiste. Continuará a nos chamar à sabedoria: Quem sabe que o tempo está fugindo descobre, subitamente, a beleza única do momento que nunca mais será…