Janeiro 2010


Escute o Prosa & Verso 123

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Músicas tocadas neste programa:
linda batista - vingança
maria bethânia – atiraste uma pedra
noite ilustrada – volta por cima
raul seixas – tente outra vez
porfírio costa - passou

Cada um de nós, individualmente, tem seus próprios limites. Não somos iguais, como os dedos da mão não são iguais. Cada pessoa tem sua capacidade de aprender, sua capacidade de realizar, sua capacidade de construir alguma coisa e também sua capacidade de enganar os outros, como tem sua capacidade de tolerar os erros dos outros. Na Bíblia, fonte quase inesgotável de sabedoria, aqui e ali a gente encontra sugestões, conselhos, caminhos por onde seguir. Existe um livro na Bíblia que se chama Eclesiastes, um dos textos de maior sabedoria que eu já conheci. Pois bem, contam os evangelhos que alguém perguntou ao moreno de Nazaré quantas vezes se devia perdoar uma pessoa que tenha errado. Está lá escrito que Jesus, o galileu, o moreno de Nazaré, respondeu que, de acordo com as leis religiosas do seu povo, uma pessoa deveria ser perdoada sete vezes, mas que, na opinião dele, o perdão deveria ser dado tantas vezes quantas fossem necessárias. Na sua maneira figurada de falar, ele disse: Não apenas sete vezes, mas setenta vezes sete. De acordo com a linguagem e o costume da época, isto queria dizer não somente 490 vezes, que são sete vezes sete, mas a maior quantidade possível. É assim que os estudiosos daqueles escritos antigos interpretam.
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Escute o Prosa & Verso 122

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Músicas tocadas neste programa:
adoniran barbosa – despejo na favela
angela maria e cauby peixoto – ave maria do morro
wilson simonal – o morro não tem vez
ciro monteiro – chora, coração
dorival caymmi – eu não tenho onde morar
velha guarda da portela – onde a dor não tem razão
anjos do inferno – brasil pandeiro

Frequentemente nós ouvimos falar em saúde coletiva. Profissionais da saúde [ou da doença, se preferirem] estão muitas vezes voltadas para as chamadas ações de saúde, no sentido de evitar ou prevenir doenças geralmente contagiosas. Aqui em Morro do Chapéu, a Secretaria de Saúde mantém, em parceria com os governos estadual e federal, programas específicos de controle e prevenção de, por exemplo, diabetes, hipertensão, tuberculose e outros mais. Em alguns municípios, existem programas de planejamento familiar, de saúde mental, de controle de doenças infecciosas. Além disto, outras ações são exercidas, sem o caráter especial dos programas citados [e neste caso, com a supervisão quase que direta do próprio Ministério da Saúde, em que a vigilância sanitária, o controle ambiental, o controle da qualidade dos alimentos e dos medicamentos são exemplos]. Se algum ouvinte quiser conhecer maiores detalhes destas ações, pode dirigir-se à Secretaria de Saúde para se informar. Como vocês bem sabem, existe um conselho de saúde no município, que pode também esclarecer as pessoas, como também ouvir suas opiniões, críticas e sugestões.
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Escute o Prosa & Verso 121

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Músicas tocadas neste programa:
linda batista – vingança
guilherme arantes – planeta água
maria betânia – atiraste uma pedra
decadência
gabriel o pensador – até quando
fagner – quem viver chorará

Um ouvinte me disse que para entender o Prosa e Verso é preciso estar prestando atenção. Concordo, porque para fazer o programa eu também tenho que prestar atenção no que estou fazendo. Este programa não quer apenas divertir. Quer estimular as pessoas a pensar, a refletir e a conhecer melhor o mundo das idéias em que vivemos. Por isto eu reconheço que o que é falado aqui não é fácil de compreender, se o ouvinte não estiver prestando atenção. Por outro lado, estamos aqui sempre disposto a clarear alguma coisa que ficou obscura. Hoje vamos falar sobre a decadência.
O linguajar de cada ramo do conhecimento é um linguajar próprio que confunde aqueles que nele não foram iniciados. É tradicional a referência, quase com gozação ao linguajar dito economês. É como se fosse outra língua e só os que fizeram incursões por seus estudos é que o compreendem. Mas também o linguajar médico, cheio de ites e oses, não fica atrás. Quando na linguagem comum dizemos que alguém teve um êxito, estamos falando de como se saiu bem. No linguajar médico, se diz que o paciente teve êxito letal, justamente quando sucumbe à doença e morre. Aliás, aqui o linguajar médico segue à risca o sentido etimológico da palavra êxito, que significa saída. E que dizer então do linguajar jurídico, do jargão dos advogados, cheios de suas citações latinas? E os jornalistas, com suas gírias, falam em nariz de cera, em furos, focas e outros termos, cada um mais estranho. Pois bem, os estudiosos da homeopatia distinguem três formas ou fases de doentes, mesmo porque, acertadamente, não consideram a existência de doenças, mas de doentes. Estas três formas ou etapas são chamadas de fase psórica, fase sicósica e fase sifilítica. A primeira e mais branda fase, a psórica é a mais benigna e de tratamento relativamente fácil, de bom prognóstico como se diz. É uma fase de reação favorável, de caminho mais curto para o re-equilíbrio do organismo. A segunda fase, a sicósica, mais grave, é uma fase de decadência, de enfraquecimento, de tendência destrutiva, mas a terceira fase, a sifilítica, é a pior. É a proximidade do fim, a doença fria, degenerativa e que leva a grande sofrimento antes da morte.
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Escute o Prosa & Verso 120

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Músicas tocadas neste programa:
por uns dólares a mais
moreira da silva – o rei do gatilho
moreira da silva – o último dos moicanos
moreira da silva – o seqüestro de ringo
moreira da silva – os intocáveis
moreira da silva – morengueira contra 007
moreira da silva – a volta de chang lang

Os antigos já diziam que é rindo que se castigam os costumes. Os filmes americanos, principalmente os produzidos em Hollywood, chamada a capital ou a Meca do cinema, certamente são constituídos em sua maioria absoluta de trastes, de trash como em inglês eles mesmos chamam, quer dizer, de lixo, de porcaria, do que não presta. No meio do monturo, do lixo, da lama, podemos encontrar aqui e ali, plantas especiais que nos oferecem sombra, flores ou frutos que são muito bem vindos. Assim é com o cinema americano. Já tive oportunidade de falar aqui um pouco sobre os filmes de faroeste, de cowboy, de bang-bang, como preferirem. Um dia, já com a produção americana em decadência, os italianos começaram a fazer uma espécie de caricatura de faroestes, tudo exagerado, alguns até engraçados e outros francamente ridículos. Como isto pôde ser apreciado pelo mundo afora, eu não sei. Mas sei que os chamados jocosamente westerns-espaguetes tiveram seus dias de glória e renderam muito dinheiro. De qualquer modo, alguns dos faroestes italianos traziam alguma gozação, alguma crítica bem humorada aos americanos. Mais uma vez, o ditado: é rindo que se castigam os costumes. Belas músicas foram trilhas sonoras desses filmes. Por uns dólares a mais é um exemplo.
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