Escute o Prosa & Verso 120

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Músicas tocadas neste programa:
por uns dólares a mais
moreira da silva – o rei do gatilho
moreira da silva – o último dos moicanos
moreira da silva – o seqüestro de ringo
moreira da silva – os intocáveis
moreira da silva – morengueira contra 007
moreira da silva – a volta de chang lang

Os antigos já diziam que é rindo que se castigam os costumes. Os filmes americanos, principalmente os produzidos em Hollywood, chamada a capital ou a Meca do cinema, certamente são constituídos em sua maioria absoluta de trastes, de trash como em inglês eles mesmos chamam, quer dizer, de lixo, de porcaria, do que não presta. No meio do monturo, do lixo, da lama, podemos encontrar aqui e ali, plantas especiais que nos oferecem sombra, flores ou frutos que são muito bem vindos. Assim é com o cinema americano. Já tive oportunidade de falar aqui um pouco sobre os filmes de faroeste, de cowboy, de bang-bang, como preferirem. Um dia, já com a produção americana em decadência, os italianos começaram a fazer uma espécie de caricatura de faroestes, tudo exagerado, alguns até engraçados e outros francamente ridículos. Como isto pôde ser apreciado pelo mundo afora, eu não sei. Mas sei que os chamados jocosamente westerns-espaguetes tiveram seus dias de glória e renderam muito dinheiro. De qualquer modo, alguns dos faroestes italianos traziam alguma gozação, alguma crítica bem humorada aos americanos. Mais uma vez, o ditado: é rindo que se castigam os costumes. Belas músicas foram trilhas sonoras desses filmes. Por uns dólares a mais é um exemplo.

Na trilha da gozação, nosso cantor-malandro Moreira da Silva deu início a alguns episódios inspirados nos filmes de bang-bang. Com muito bom humor, suas sátiras escrachavam os cowboys e sua moral idealista, infantil e também ganharam aplausos do público brasileiro, daqueles que gostam e também dos que não gostam desse gênero de filmes, mas que apreciam uma boa paródia.

Com o sucesso de O rei do gatilho, Moreira da Silva resolveu lançar uma continuação chamada O último dos moicanos, nome de uma novela do escritor Fenimore Cooper que deu origem a vários filmes, todos com o mesmo nome, O último dos moicanos.

Do mesmo modo que no cinema, onde os filmes americanos cederam lugar aos italianos, Kid Morengueira, apelido que se deu Moreira da Silva ao parodiar personagens cinematográficos, mudou também sua trilha e foi estender sua gozação aos westerns- espaguetes. E lá vem O seqüestro de Ringo.

Não sei se você se lembra, ou mesmo se chegou a ter conhecimento, da série de televisão chamada Os intocáveis, em que um honestíssimo e obstinado policial Elliot Ness tentava de todas as maneiras flagrar, prender e levar à condenação o mafioso Al Capone, que não dava sopa à lei seca do final dos anos 20. A lei seca reprimia, diga-se de passagem, sem sucesso, o consumo de bebidas alcoólicas em todo o território americano e Elliot Ness era um agente impoluto do FBI. Pois, a gozação de Morengueira desta vez foi dirigida para Os intocáveis, saindo assim do mundo do velho oeste.

O criativo malandro não parou por aí. Ampliou seu raio de paródias, deu um grande pulo no tempo e na geografia e foi cutucar o personagem James Bond, que estava no auge dos seus sucessos. Nada mais nada menos que o super-agente secreto inglês inventado por Ian Fleming, conhecido por 007. Assim, Morengueira vai para a Europa e lá se depara com o agente inglês e até mistura Pelé à estória. Morengueira contra 007.