Escute o Prosa & Verso 131

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Músicas tocadas neste programa:
elis regina – dois pra lá, dois pra cá
bienvenido granda – perfume de gardenia
andy williams - born free
cleová – alguém me disse
blue star orchestra – tema do lago dos cisnes
trio irakitan – aqueles olhos verdes
ney matogrosso - besame mucho
armandinho – bolero de ravel

Ritmo dos mais agradáveis e sempre atual, volta e meia escutamos os boleros e parece que nunca nos cansamos de ouvi-los. Dança das mais populares e apreciadas em toda a América, de norte a sul, é ainda muito praticada nos bailes em geral e certamente a preferida das danças de salão. Passam-se os anos, vão os movimentos da moda e fica aí o bolero, sempre muito agradável e talvez mais fácil de se dançar. São dois pra lá, dois pra cá.

O bolero é um ritmo que combina raízes espanholas com influências locais de vários países hispano-americanos. Parece ter surgido na Espanha, mas sofreu modificações nos países da América do Sul, especialmente desenvolvendo temas mais românticos e ritmo mais lento. Tem portanto marcante tradição nos países de língua latina, sobretudo, Porto Rico, República Dominicana, Colômbia, México, Peru, Venezuela , Uruguai, Argentina, Brasil e Cuba.

O mais célebre bolero mexicano é Besame mucho, composto por Consuelo Velásquez em 1941 e interpretado por muitos e variados cantores, orquestras e grupos musicais de diversas nacionalidades, não somente em espanhol ou em português, mas também em inglês, em francês e em italiano.

Também aqui em Morro do Chapéu existe uma preferência por este ritmo musical, que é conhecido por estas bandas como seresta. Vejam, por exemplo, os atuais seresteiros daqui, Délcio Gama e Cleová Barreto, este último que vinha e acho que ainda vem fazendo o papel de crooner no conjunto Silas e seu trompete. Pois, quando se apresentam, têm seu público garantido e fiel.

As interpretações se renovam com o passar do tempo, mas o estilo musical permanece e aqui e ali até mesmo peças clássicas, consagradas como de música erudita, têm sido arranjadas para ser ouvidas e dançadas em ritmo de bolero. É o que a seguir vocês vão escutar.

A turma da chamada terceira idade ainda se lembra certamente dos bailes dos salões de quarenta ou cinqüenta anos atrás. Orquestras com Ray Conniff, Conjuntos como Românticos de Cuba, Trios como o Irakitan, ou mesmo solos como Ivonildo, abafavam, como se dizia, nas festas dançantes. Era basicamente o bolero que reinava nos salões onde os pares davam seus shows.

Mesmo a arte mais pura e praticamente concluída, acabada, precisa muitas vezes, de uma releitura. É assim que os estilos literários se renovam, como se renovam os estilos das artes plásticas, desde a pintura até o cinema e também os estilos musicais. Novas descobertas vão sendo feitas, novos arranjos são criados. No mundo, nada se perde, tudo se transforma. Ou, como preferiu Chacrinha em sua irreverente chacota para com a televisão: nada se cria, tudo se copia…