Músicas tocadas neste programa: elis regina e tom jobim – águas de março
luiz gonzaga – viva o arigó
zé ramalho - cidadão
ciro monteiro – o que se leva desta vida
ademilde fonseca - brasileirinho
No relato bíblico, que não é científico, mas que é intuitivo, que faz parte da sabedoria popular, o escritor conta que, depois de ser criado o mundo e achado que o que tinha criado era bom, o mesmo Deus pegou um pouco de barro e fez o primeiro homem, a quem deu o sopro da vida. Esse homem foi chamado de pai de todos os homens, Adão, na língua dos judeus, porque a bíblia foi escrita pelos judeus. Posteriormente criou u’a mulher para fazer companhia ao homem. E ele tinha de conversar com ela e ela com ele. Então foi inventada, pelos dois primeiros humanos, a linguagem, para permitir que eles se comunicassem. Foi assim que, recém-nascidos, mas já adultos, Adão e Eva olharam em volta e viram tudo o que existia. Mas, vocês já observaram como é difícil a gente se comunicar quando a gente não usa as palavras certas? Quando a gente precisa de alguma coisa e não conhece o nome, a gente diz assim: me dá aquele negócio ali! E o outro que se rebole pra adivinhar o que é. Então, diz a Bíblia que nossos primeiros pais, percebendo que tudo o que existia precisava ter um nome, foram olhando coisa por coisa, planta por planta e animal por animal e dando a cada um deles um nome. Desta maneira, os primeiros homens, inteligentemente, conseguiram poupar trabalho e desgaste, fazendo uso da linguagem. Bem disse, me parece, Antônio Houais que a palavra existe para economizar trabalho. Leia mais…
Em fevereiro de 2006, um ano eleitoral como este em que estamos, Frei Betto escreveu um artigo para o site do Correio Riograndense, Edição 4.973 em que criticava o comportamento dos maus políticos brasileiros e a conseqüente necessidade de uma reforma política no Brasil. Sua indignação é ainda bem atual. Mas, no final do seu artigo, deixou registrado o seguinte comentário. Dizia ele:
“É bom lembrar que os eleitos são nossos empregados, pagos pelos nossos impostos, e a nós devem prestar contas. Culpa nossa se, uma vez empossados, dão-nos as costas e se locupletam com o nosso dinheiro. Leia mais…
Músicas tocadas neste programa: augusto calheiros – senhor da floresta
chico buarque – funeral de um lavrador
ivan lins e mariana aydar – desesperar jamais
renato teixeira – tocando em frente
henrique cazes e joel do nascimento - brasileirinho
De acordo com o que finalmente nos ensinaram logo nos primeiros anos da antiga escola primária, que corresponde hoje aos primeiros quatro anos do 1º grau, o país em que nós estamos pisando, onde nascemos, onde vivemos, onde muitos de nós procriamos e certamente onde morreremos, está hoje completando 510 anos. Esta terra que já se chamou Pindorama, Ilha de Vera Cruz, Terra de Santa Cruz e que agora se chama Brasil, descreveu um caminho que de certo modo pode ser comparado com a história de uma pessoa. Assim, quando se chamava Pindorama, estava livre, em plena harmonia com a Natureza, sem donos. Uma vez descoberta pelos estrangeiros, foi batizada como Ilha de Vera Cruz e assim transcorreu sua primeira infância, até que perceberam que não era uma Ilha e lhe deram o apelido de Terra de Santa Cruz. Era então uma terra criança, bravia, indomada, ainda habitada pela grande maioria de índios. Uma vez que os invasores vieram aos montes e passaram a explorá-la, foram-na domesticando e submetendo, acharam por bem trocar mais uma vez de nome e desde então ficou conhecida como Brasil. Leia mais…
Músicas tocadas neste programa: chico buarque - quem te viu quem te vê
orlando silva - aos pés da santa cruz
altamiro carrilho – chorinho didático nº7
É uma espécie de pressuposto da Psicanálise que o conhecimento que nós temos de nós mesmos nos é possibilitado pelo olhar do outro. De fato, nós tendemos a ter u’a auto-imagem, quer dizer, u’a imagem de nós mesmos bem distante do que somos de fato. O inferno é o outro, o culpado é sempre o outro, o mau, o ruim nunca sou eu. É assim que fazemos nosso julgamento. A partir de como o outro nos vê, temos então muita chance de corrigir nossas distorções e, se formos humildes, podemos aprender com o outro a nos olhar com menos complacência. O pai da nossa filosofia e talvez o maior filósofo que já existiu, Sócrates da Grécia, nunca quis usar sua capacidade de pensar e de filosofar para estudar o universo, a natureza, a física nem a matemática. E isto é curioso porque os filósofos mais proeminentes, mais destacados, também eram grandes matemáticos, físicos, astrônomos… Sócrates dizia que, sendo um ignorante de si mesmo, que não se conhecendo suficientemente, não podia gastar seu tempo tentando compreender o mundo fora dele. E lembrava constantemente da frase que estava lá escrita no portal do oráculo de Delfos, frase que dizia ser a essência do conselho dos sábios: Conhece-te a ti mesmo. Leia mais…
Músicas tocadas neste programa: altamiro carrilho - atraente
pedro luis e a parede – verdadeiro canalha
chico buarque – quem te viu, quem te vê
jomarito guimarães - reverência
ângela maria – gente humilde
altamiro carrilho – hora staccato
[Este Prosa & Verso #133 é uma gravação modificada da que foi ao ar, por conta de um defeito na sonoplastia e da consequente baixa qualidade técnica da edição original. Mas o conteúdo é o mesmo.]
A gente pensa que são os grandes homens que fazem o mundo e a História. E pensa, pior, que os grandes homens são aqueles que ficam conhecidos e famosos. A gente pensa que os grandes homens são aqueles cujos nomes passam a ser nomes de ruas, de praças, de cidades, de aeroportos, de escolas, enfim que deixam seu nome gravado. Mas grandes homens também estão no anonimato. Muitos grandes homens passam despercebidos até mesmo pelos seus vizinhos. Não precisam ser doutores, ser ricos, ser poderosos, ser ilustres. Grandes homens podem ser simples e até iletrados, analfabetos. Conheci uns grandes homens, para os quais tiro sempre meu chapéu, para os quais meu espírito presta sempre homenagem. São homens desconhecidos, que não deixaram fama alguma, a não ser na lembrança dos que os conheceram. Eram homens de caráter, eram homens direitos, que viveram dignamente suas vidas. Outros, por ricos e poderosos que fossem, apesar de toda a fama que têm, de seus nomes estarem gravados em pedras e placas, não tiveram dignidade. Foram naturalmente ricos, poderosos, inteligentes e uns deles políticos de mão cheia. Cheia de esperteza, cheia de malícia e cheia de dinheiro e de puxa-saco. Mas, dignidade, hein?… Onde estava a dignidade? Leia mais…
Sobre Jorge Rocha
Jorge Rocha, sexagenário, confia, como Demócrito, que tudo no universo é fruto da necessidade e do acaso. Cultua a filosofia do cotidiano, às vezes verseja e ocasionalmente é psiquiatra, para sobreviver.