Escute o Prosa & Verso 134

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Músicas tocadas neste programa:
chico buarque - quem te viu quem te vê
orlando silva - aos pés da santa cruz
altamiro carrilho – chorinho didático nº7

É uma espécie de pressuposto da Psicanálise que o conhecimento que nós temos de nós mesmos nos é possibilitado pelo olhar do outro. De fato, nós tendemos a ter u’a auto-imagem, quer dizer, u’a imagem de nós mesmos bem distante do que somos de fato. O inferno é o outro, o culpado é sempre o outro, o mau, o ruim nunca sou eu. É assim que fazemos nosso julgamento. A partir de como o outro nos vê, temos então muita chance de corrigir nossas distorções e, se formos humildes, podemos aprender com o outro a nos olhar com menos complacência. O pai da nossa filosofia e talvez o maior filósofo que já existiu, Sócrates da Grécia, nunca quis usar sua capacidade de pensar e de filosofar para estudar o universo, a natureza, a física nem a matemática. E isto é curioso porque os filósofos mais proeminentes, mais destacados, também eram grandes matemáticos, físicos, astrônomos… Sócrates dizia que, sendo um ignorante de si mesmo, que não se conhecendo suficientemente, não podia gastar seu tempo tentando compreender o mundo fora dele. E lembrava constantemente da frase que estava lá escrita no portal do oráculo de Delfos, frase que dizia ser a essência do conselho dos sábios: Conhece-te a ti mesmo.

O conhecimento de si mesmo, o auto-conhecimento, é quase inatingível. Mas talvez seja o melhor conhecimento que se pode obter na vida. Muitas pessoas acham isto e eu estou no meio dessas muitas pessoas que acham isto. Mas, se de um lado o olhar do outro nos dá pistas valiosas para nossa própria avaliação, é preciso também desenvolver corajosamente uma visão crítica de si mesmo, para não se deixar embebedar, para não se deixar enganar pelo que dizem os outros a respeito de nós. Nada mais enganador do que o elogio e o pior dos elogios é a bajulação. O elogio em si pode ser um reconhecimento que devemos aceitar, mas também pode ser uma armadilha para nossa vaidade nos puxar o tapete. Como então aprender a discernir, a diferenciar o elogio sincero de uma bajulação descarada? Só com a reflexão, com a auto-crítica e com a humildade. E, sobretudo, com muito trabalho, com muito esforço e muita disposição para enfrentar os demônios interiores que cada um de nós carrega e que estão a todo momento nos tentando enganar a nós mesmos. Desconfie dos fanáticos e. portanto, dos fãs. O puxa-saquismo é u’a manifestação da mentira e, como a própria mentira, tem pernas curtas.

É com este olhar crítico que estou trazendo hoje para compartilhar com vocês, ouvintes do Prosa & verso, alguns dos retornos que o programa tem recebido por parte do público daqui do Morro do Chapéu, de outras cidades da Bahia, de outros estados do Brasil e até de Portugal e da Espanha. Não se ouve o Prosa & verso apenas nos limites da cidade de Morro do Chapéu ou um pouco da redondeza, que é o raio de alcance da transmissão desta rádio. Como vocês sabem, a gravação deste programa vai toda semana para a Internet, para o site redeaberta.com.br e surpreendentemente é lá que ele tem seu maior alcance. E é lá que os ouvintes deixam seus comentários, através do correio eletrônico e você pode lê-los diretamente no próprio. Vamos ouvir alguns deles.

É pena que muitos comentários, feitos pessoalmente pelos ouvintes daqui de Morro do Chapéu não têm como ser compartilhados aqui no ar. De qualquer modo, expresso aqui meu agradecimento a todos os que se preocuparam em me dar um retorno que me servem de estímulo. Faço questão aqui de deixar um agradecimento especial para Jomarito, que com sua valiosa e franca contribuição crítica me tem estimulado a continuar a fazer este Prosa & Verso.