Escute o Prosa & Verso 138

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Músicas tocadas neste programa:
edson gomes – camelô
gonzaguinha – e vamos à luta
anjos do inferno – acontece que sou baiano
marcelo d2 – fala sério
banda de boca – por isso eu corro demais

Um dia desses me perguntaram se eu já tinha trabalhado em cartório ou instituição parecida, porque frequentemente estou me referindo ao modo como a gente deve fazer as coisas e o exemplo que tenho usado é o da pessoa cujo trabalho, cuja tarefa é apenas carimbar documentos. Foi uma lembrança, bem de relance, de quando eu tinha 17 anos e comecei a trabalhar em um banco. Lá minha tarefa era cuidar da expedição de documentos, um trabalho simples, bobo até, mas que eu considerava importante, por ser o meu trabalho, meu primeiro trabalho remunerado. Aquilo era meu ganha-pão. Eu me orgulhava de fazer bem-feito o meu trabalho. E sabe o que era? Selar e carimbar envelopes para envia-los ao correio. De fato eu não procurava a perfeição, mas procurava fazer da melhor maneira que eu podia. Com o passar dos anos, fui aprendendo na labuta que fazer bem-feito não significa fazer melhor do que os outros nem significa fazer com perfeição. Aprendi que o ótimo é inimigo do bom, porque temos, cada um de nós, nossas imperfeições e a destreza como fazemos algumas coisas nos falta ao fazermos outras. O ótimo é inimigo do bom porque tentando compulsiva e obsessivamente fazer o ótimo podemos estar fadados ao fracasso, quando poderíamos ter feito o bom. E acabamos não fazendo nada e com um sentimento de frustração pelo fracasso. No pára-choque de um caminhão, li na estrada: Não tenho tudo o que gosto, mas gosto de tudo o que tenho. Procurei assimilar a idéia e agora passo como sugestão pra você. Se você não faz só o que gosta, tente gostar do que faz. E tente fazer da melhor maneira possível o seu trabalho, por mais simples e sem importância que lhe pareça. Lembro de um amigo que me contou que estava passando por um canteiro de obra e perguntou a um dos pedreiros o que era que ele estava fazendo, ao que o pedreiro, zangado, respondeu: “Não está vendo que eu estou assentando um tijolo? Meu amigo seguiu adiante e deu a volta na esquina, quando encontrou outro pedreiro fazendo exatamente a mesma coisa que seu colega. E perguntou a esse outro pedreiro o que ele estava fazendo. O trabalhador respondeu: “Estou construindo uma escola…”

(Clique no botão PLAY, ao lado, para ouvir a entrevista com João Lima, um técnico em eletrônica da cidade de Morro do Chapéu)